quinta-feira, 29 de julho de 2010

VISITANDO A RÚSSIA

Praça na cidade de Tula

Visitando a Rússia pela primeira vez

No início do mês de junho de 2010 a Rússia abriu suas fronteiras para os brasileiros. Desde o dia 4 de junho, os brasileiros não precisam mais de visto para ir para a Rússia.
Isto estimulou o Pr. Daniel a me convidar para visitar o nosso centro de mídia da Divisão Euro-asiática.
No dia 13 de junho de 2010 saímos em direção à Rússia. Nossos destinos seriam nossa instituição chamada de “Luz de Esperança”, que é uma espécie de Voz da Profecia para a nossa divisão.
Cheguei na fronteira um pouco apreensivo, afinal eu não tinha visto de entrada e só havia ouvido falar de que a partir do dia 4 de junho os brasileiros não precisariam mais de visto para a Rússia.
Toda fronteira de pais me deixa facinado. Parece estar entrando em um outro terreno, um outro mundo, um território proibido. E de certa forma, nós que não conhecemos a Rússia, pensamos na Rússia como um pais proibido, ou pelo menos misterioso. Isso por causa dos longos anos de dominação soviética. E de certa maneira ainda permanece misterioso. Eu estou nesta região há algum tempo e tenho tentado ler o máximo de livros que conta um pouco da história dessa parte do mundo e sua conexão com a igreja, mas descubro que há muito a aprender ainda.
Fronteira Rússia-Ucrânia. Passaportes e papeis preenchidos prontos para serem entregues.

Na fronteira, o soldado olhou meu passaporte com curiosidade. Afinal, não são muitos brasileiros que passam pela fronteira de carro, como eu estava passando.
Ele procurou o visto e claro que não achou. Dissemos a ele que os brasileiros não precisavam mais de visto. Ele foi checar.
Voltou alguns momentos depois e carimbou o meu passaporte e o devolveu.
Pronto. Já estava em território russo. Naquela fronteira eu fui o primeiro brasileiro a entrar sem visto. Foi o que o policial me disse.
Depois de alguns quilômetros, o Pr. Daniel me passou o volante e depois de mais de seis meses sem dirigir, voltei a dirigir um carro. E em terras russas.

O dia estava lindo. Muito sol e a primavera em todo o seu explendor fazia com que os campos verdes ficassem mais bonitos ainda. A idéia de um pais branco pela neve, saiu da minha mente. A Rússia era tão verde quanto o Brasil. Pelo menos nessa época do ano.
Chegamos em Tula a noite já estava chegando. Fomos direto para a sede da “Luz de Esperança”. Ali o diretor Pr. Serguei já nos esperava.
Esse prédio foi construído há quase 20 anos e desde então a Voz da Profecia em russo tem sido pregada pro todo o país.
Sede da Voz da Profecia em Tula, na Rússia.

Na época da União Soviética, os russos tinham rádio a cabo. Estamos acostumados no ocidente a ouvir TV a cabo, mas rádio a cabo? O que é isso? 
Para evitar que os russos ouvissem as rádios ocidentais, cada apartamento tinha um rádio que era conectado via cabo. Tinha três botões e cada botão era de uma estação diferente. 
Claro que esse rádio de apenas três estações era usado para difundir a mensagem soviética. E uma dessas mensagens era a de que Deus não existe e que a religião é o cancer que pode destruir a nossa sociedade e deve ser extirpada do corpo soviético.
Atualmente, ainda muitas casas ainda tem esse rádio a cabo funcionando em seus lares e acreditem... hoje temos a nossa mensagem sendo transmitida através desse sistema que antes dizia que Deus não existia. Hoje a Luz de Esperança "ГОЛОСА НАДЕЖДЫ"  (http://golosnadezhdi.ru/) mostra ao mundo que existe esperança e a esperança é esse nosso Deus.
Sede da Voz da Profecia em Tula, na Rússia.

Demos uma olhada nas dependências e deixamos a nossa bagagem lá. Ali havia dois quartos que tinham sido preparados para passarmos a noite.

Fomos até a casa do filho do Pr. Daniel, onde jantamos. Pude ver como os apartamentos da época soviética são pequenos. Mas muitas pessoas vivem neles. Na verdade são apenas dois cômodos interligados: sala (quarto) e cozinha.

Rodovia que leva até Moscou. Aqui estamos próximos à Universidade Adventista na Rússia.

No outro dia logo pela manhã saímos em direção a Zaosky. Nesta cidade fica a Universidade Adventista. A estrada em muitos pontos parece com a rodovia dos Bandeirantes no estado de São Paulo, pelo menos nessa época do ano em que tudo está verdinho. Nessa época do ano temos agradáveis 25 a 30 graus positivos, mas no inverno a coisa fica "russa" e temos menos de 25 graus negativos. Na verdade as temperaturas podem chegar a cerca de -40 graus nessa parte do país. Acho que vou continuar visitando a Rússia na primavera ou noverão. 
Prédio central da Universidade onde funciona a faculdade de Teologia.

Nossa Universidade é um lindo colégio interno com boas dependências. Nesse colégio são formados os nossos pastores. Durante muitos anos os nossos pastores não tinham onde estudar, mas agora têm esse lindo colégio interno onde entre os cursos está o principal: Teologia. 
Outra vista do colégio

Vista interna da igreja da Universidade.

Uma das coisas que me chamou a atenção são alguns alojamentos que foram colocados ali na época em que o colégio foi construído. Toda mão de obra na construção era voluntária. Pessoas vinham de todas as partes e doavam 15, 30 dias ou mais de trabalho. E para aloja-los foi providenciado uma casa em forma de tubo.
Atualmente alunos casados moram nesses tubos. Não creio que seja muito confortável, mas é o que eles têm no momento.
Eu creio que poderia chamar de "Tubocasas" esses alojamentos.


Entrada do alojamento.


Lago e ponte no terreno da Universidade.

Casas próximas ao colégio.

O colégio está localizado em um lugar muito agradável com lago e parques.
Casa Publicadora Russa próximo ao colégio.

Bem próximo, cerca de apenas uns 700 metros está nossa editora que publica os livros adventistas em língua russa. Fico imaginando o que pensam as pessoas que durantes anos trabalharam como editoras de uma pessoa só datilografando folhas de literatura com papel carbono e agora vêem milhares de páginas saindo por dia e sendo espalhadas de forma livre pela Rússia. Deus tem dado um tempo de liberdade a esse povo. Oremos por eles.
Olhamos alguns possíveis lugares para um estúdio de TV, pois a universidade tem interesse em ter o curso de Comunicação aqui e depois fomos embora. 

Na volta fizemos um rápido tour em Tula onde conheci a estátua do melhor ferreiro da cidade.
Estátua do melhor ferreiro da cidade com sua pulga na mão.

Dizem que ele fazia tão boas ferraduras que podia ferrar uma pulga. Na estátua ele aparece segurando uma pulga. Confesso que  não vi nem a pulga e nem a pequenina ferradura para a suposta pulga. Mas tirei uma foto no local.
Não vi a pulga, mas imitei o ferreiro. Aliás tem aquele ditado que diz: "Em casa de ferreiro, a pulga..." hummm! Deixa prá lá.

Também visitamos as lojas com os sovenirs da cidade: uma espécie de chaleira e as conhecidas bonequinhas russas.
Muitas bonequinhas russas, as Matrioskas.


Nosso almoço foi na casa do Pr. Serguei e logo depois voltamos para a estrada. Quase 800 kilômetros nos separavam de casa. Chegamos em casa tarde da noite, mas fiquei com uma boa impressão da Rússia nessa primeira viagem. Lindas paisagens com muito verde. Espero voltar no segundo semestre.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cantando Аллилуйя!




Outro dia, aconteceu algo muito, poderia dizer, “engraçado” conosco. Tivemos que rir em silêncio e sozinhos.
Já estamos aqui há quase 6 meses, e ainda não falamos a língua russa ou mesmo a língua ucraniana. O que falamos são algumas palavras e algumas frases em russo. Mas hoje está muito melhor do que quando chegamos.
Quando chegamos à Ucrânia as frases não tinham nenhum sentido e não conseguíamos separar as palavras. Era um som contínuo, totalmente sem sentido. Hoje entendemos palavras e com isso podemos saber sobre que assunto se está falando. Também no metrô conseguimos identificar as estações que são faladas nos alto-falantes. Quando vamos à igreja, conseguimos identificar o assunto. Ainda nos é difícil achar as passagens bíblicas na Bíblia, seja russa ou em português, porque os nomes são totalmente diferentes.
Bíblia em língua russsa

Por exemplo: Genesis é Бытне. Первая кнга Моисеева. (Gênesis. Primeiro livro de Moisés). E Apocalípse, o último livro da Bíblia é Октровение Иоанна Богослова.
Como eu disse a ordem também é diferente. Por exemplo:
O Novo Testamento começa igual: Mateus (Матфея), Marcos (Марка), Lucas (Луки), João (Иоанна), Atos (Деяниа святых Апостолов)… mas aí a coisa já muda, pois a seguir vem: Tiago (Иакова), I e II Pedro (Петра), e as epístolas em ordem diferente, e lá no finalzinho, o Apocalipse.
No Ano Novo ganhei um Novo Testamento em russo, dei uma olhadinha, mas é muito difícil para nós ainda. Agora comprei uma Bíblia completa em lingual russa. Algumas palavras já são conhecidas. O problema com a lingual é que as palavras também são declinadas, o que faz com que uma palavra possa ter 7 variantes diferentes. Até os nomes mudam e algumas vezes ficam muito feio para os nossos ouvidos acostumados com os nossos nomes imutáveis. Mas aqui alguns nomes acabam soando femininos (para os brasileiros) dependendo da frase. O meu nome pode se tornar Jonatana, dependendo do lugar em que ele estiver na frase. Complicado esse russo!
Outro dia perguntei pra minha mãe quantos anos demorou pra eu falar. Ela me disse “um ano”. Pensei comigo: “Ainda tenho mais seis meses. E se levar em conta que o Russo é mais difícil, preciso ter alguns meses a mais.” (rsrsrs)
Aqui além de não sabermos a lingual, somos também analfabetos. Sim, porque para ler livros, jornais, calendários, propaganda, somos muito lentos. E às vezes quando conseguimos ler, não conhecemos o significado da palavra e muito menos a pronúncia correta.
No metro existem algumas telas de televisão que ficam passando alguns trechos de programas de TV, propagandas e anúncios, como qual é a estação que parou e qual será a próxima. Dentro da programação tem uma piadinha escrita na tela. Do lado está o desenho de um homem. Ele fica olhando pra vc. E quando a piada acaba, ele dá uma risadinha. No início eu estava lendo a primeira palavra e ele já estava rindo. Agora, muitas vezes eu consigo ler toda a piada. Não entendo nada, mas pelo menos ele ri quando eu já terminei. (Isso também é uma piada!)
Mas, voltemos à igreja.
Nos cultos eles usam um projetor de video que projeta a letra dos hinos que vão ser cantados. A gente vai enrolando. Se colocarem um gravador para captar somente a nossa voz, será um desastre. Mas no meio da multidão, vamos cantando. Quando o hino é conhecido, fica um pouco mais fácil.

No dia 1 de maio, o hino era um desses conhecidos. Aliás conhecido demais. Estava cantando (ou tentando ler e cantar) e a parte mais fácil era o coro, ou quando aquela palavra se repetia Аллилуйя. Como essa era uma palavra que se repetia muito, foi ficando cada vez mais fácil cantá-la. E claro, quando chegava nessa palavra, a gente enchia o peito e cantava pra valer. Nos outros pedaços era aquela coisa de “hum, hum, hum, hum….”
O nome do hino é Всë, сотворëнное Творцом.
Notem a primeira estrofe:

Всë, сотворенное Творцом,
Пой с ликованьем,
С торжеством – Аллилуйя! Аллилуйя!
Солнца горячие лучи,
Месяц, сияющий в ночи,

Славьте Бога! Славьте Бога!
Аллилуйя! Аллилуйя! Аллилуйя!

Após cantarmos a primeira estrofe, a Priscila, minha esposa, disse: «Estamos parecendo o Mr. Bean.»
Dali em diante era dífícil cantar e não sorrir, mas também éra difícil não cantar ainda mais forte o Аллилуйя! Аллилуйя! (Aleluia, aleluia...) (rsrsrs).
Em nosso Hinário Adventista é o hino de número 15, «Vós, Criaturas do Senhor»

Vós, criaturas do Senhor,
Oh, elevai a Deus louvor!
Oh, louvai-O! Aleluia!
Tu, Sol dourado a refulgir;
Tu, Lua em prata a reluzir!
Oh, louvai-O! Oh, louvai-O!
Aleluia! Aleluia! Aleluia
Ó Terra e Céu, a Deus honrai;
Preito de amor e graças dai!
Oh, louvai-O! Aleluia!
Flores, erguei-vos em canção 
Ao grande Deus da criação!
Oh, louvai-O! Oh, louvai-O!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Vós, homens sábios e de bem,
Dai ao Senhor louvor também!
Oh, louvai-O! Aleluia!
Dai glória ao Filho, glória ao Pai,
E ao Santo Espírito louvai!
Oh, louvai-O! Oh, louvai-O!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Depois conversamos e rimos muito de nosso «momento Mr. Bean».
Se você ainda não assistiu esse episódio do Mr. Bean na igreja, dê uma olhada. Apenas coloque eu e a Priscila na mesma situação (com exceção das balinhas e das caretas – rsrsrs).


terça-feira, 27 de abril de 2010

Primeiros Sermões em Inglês




Algum tempo depois de chegarmos em Kiev conheci um dos pastores daqui. Ele pastoreava a igreja 20. Eles numeram as igrejas aqui.
Essa igreja é um pouco diferente. Ele é chamada de Igreja Internacional. O motivo é que seus membros são de diferentes países e os cultos são em inglês com tradução para o russo ou vice-versa. Ele me convidou para irmos até a sua igreja e com isso passamos a ir com certa regularidade na igreja Internacional.
No mês de Janeiro ele me convidou para pregar em sua igreja. Eu tenho pregado muitas vezes, nas mais diferentes igrejas. Grandes, pequenas, ricas, pobres, simples, sofisticada, com pouca gente, lotada... Enfim isso não seria problema, a não ser um detalhe: a língua.
Eu falo inglês, mas o meu inglês não é o inglês de alguém que morou na America, ou em algum outro pais de fala inglesa. Na verdade, essa é minha primeira experiência em um pais onde fico mais de um mês falando inglês (agora já 6 meses). Conversar com uma pessoa é uma coisa, mas pregar...
Eu disse a ele que nunca tinha pregado em inglês. Ele disse para mim escrever e se necessário ler. Falei que iria me preparar.
O tempo passou e comecei a preparar um sermão. Peguei um sermão que já tinha pregado algumas vezes e comecei a traduzi-lo. Para facilitar o meu trabalho, decidi utilizar ilustrações no computador em Power point, pois ficaria muito mais fácil para mim.
Finalmente a data foi marcada: dia 27 de Março de 2010. Na semana que antecedeu aquele Sábado eu procurei me preparar. Li algumas vezes o que escrevi. E no Sábado levantei as 5 da manhã para repassar tudo o que havia escrito.
Saí de casa às 8:30, pois o culto começaria às 10:15 e eu queria chegar cedo para preparar tudo.
Caminhei rápido para o metrô e lá fui eu para a igreja. Dentro de minha pasta, tudo estava preparado: lap top, controle remoto para mudar as telas, bateria extra para o caso de uma possível falha...
Quando cheguei na igreja, alguns irmãos já estavam presentes e o pastor da igreja também estava ali. Estavam montando o som e arrumando algumas coisas, pois teríamos Santa Ceia. Achei um pouco estranho, porque afinal de contas, o meu sermão não era especificamente sobre esse assunto.
O pastor então, me disse que outro pastor, um visitante americano, faria o sermão da Santa Ceia. Achei um pouco estranho termos dois sermões, mas...
Foi quando notei que o projetor de vídeo não estava sendo montado. Com um prescentimento perguntei:
_Pastor. O projetor não veio? Esqueceram?
Ele respondeu que sim.
Comecei a ficar preocupado, pois todo o meu sermão e boa parte do meu inglês estava baseado no Power Point, que dependia totalmente do progetor.
Mostrei para o pastor. E ele começou a verificar como poderia alguém buscar o projetor.
No Brasil, certamente, teríamos vários irmãos com automóveis que pudessem ir até a casa do pastor, há 15 minutos dali e buscar o projetor. Mas não é o que acontece na nossa igreja. Ninguém estava com carro.
O tempo passava, e eu ia ficando mais nervoso. Não cheguei a ficar apavorado, mas bem que poderia.
Finalmente ele me disse, algo que eu não gostaria de ouvir:
_Guarde esse sermão para um outro Sábado e pregue outro sermão.
No Brasil isso seria muito fácil, mas aqui? Em inglês? Esse era o meu único sermão.
Decidi deixar nas mãos de Deus.
Quando iniciaram o louvor, um dos hinos dizia:
“God will make a way...”
O significado era: 
"Deus vai dar um jeito onde parece não ter jeito
Ele trabalha de uma forma que não podemos ver
Ele vai dar um jeito pra mim
Ele será meu guia, me segura ao seu lado
Com amor e força para cada novo dia
Ele vai dar um jeito, Ele vai dar um jeito."



As palavras daquele hino me animaram e eu fui para frente disposto a fazer um de meus sermões sobre a importância de se estudar as profecias da Bíblia Sagrada.
Não tinha nenhum esboço, apenas a minha Bíblia em inglês. (Que aliás ainda estou lendo, não terminei.)
Disse aos irmãos que aquele era o meu primeiro sermão em inglês e que esperava que Deus me desse o dom de línguas para poder trazer a mensagem até eles naquele dia.
Lembro de ter dito:
"Todo o meu sermão estava baseada em um power point, e com a falta do projetor, o "point" se foi, mas eu espero que o "power" do Espírito Santo esteja presente.
Não foi o sermão mais empolgante que já fiz (pelo menos eu não senti), mas creio que todos entenderam.
No final, uma irmã, americana chamada Linda me disse:
_Jonatan, congratulations for your first sermon in english.
Outro senhor, que é americano e dá aulas de inglês em uma escola aqui em Kiev, também me deu as "congratulations"pelo sermão.
Eu agradeci.
Apesar de não ser o sermão mais empolgante, ele não foi o pior. Eu me senti em paz e tranqüilo.
Passaram algumas semanas e no dia 21 de abril, eu estava almoçando com o pastor de nossa igreja internacional, quando ele me perguntou:
_Quando você vai pregar para nós novamente?
_Quando o senhor quiser. Respondi.
Ele então me disse:
_Próximo Sábado. Está bem?
Eu disse que sim, mas perguntei:
_O projetor vai estar lá?
Ele respondeu que sim.
Segundo Sermão em Inglês
Assim foi que novamente estudei o mesmo sermão e me preparei melhor. Orei a Deus entregando aquele Sábado em suas mãos.
De novo madruguei naquele Sábado e saí às 8:30 para chegar mais cedo.
Quando saí de casa, caía uma garoa fina. Estava um pouco frio, algo como uns 12 graus. Para o Brasil é muito frio, mas para aqui estava apenas frio.
Como já disse, moro há uns 800 metros da estação do metrô e a chuva começou a engrossar. Eu dizia em meus pensamentos:
“Senhor, segure a chuva só um pouquinho.”
Cheguei no metro e meu pensamento era somente o sermão. Eu tentava falar o texto em minha mente, e assim ia. As estações passavam, e como eu estava de pé, em alguns momentos me passou pela mente que eu talvez tivesse esquecido alguma coisa. Talvez o próprio computador. Mas eram apenas os temores.
Cheguei na estação e tomei o bonde que me deixaria em frente a igreja.
Entrei no prédio onde está o nosso salão e qual não foi a minha surpresa:
O salão estava fechado. Já eram 9:40 e não havia ninguém na igreja.
Sentei em um banco e esperei.
Dez minutos depois chegou a jovem que seria a responsável pelos louvores.
Mais uns cinco minutos um outro rapaz. Outros cinco minutos e uma irmã.
Finalmente, por volta de 10:10 chegou o irmão que abriria a igreja.
Entramos e começamos a ajudar a colocar as coisas no seus lugares, montar o som e outras coisas mais. Afinal o início do culto estava marcado para as 10:15 (se tivéssemos gente)
Eu olhava para ver onde estava o projetor, mas ele não estava visível. Pensei que talvez o pastor o traria. Mas se fosse o pastor que o traria, ele estava bem atrasado. Na verdade, o pastor não veio naquele sábado. Devia estar em outra igreja.
Finalmente o projetor foi tirado de uma pasta e colocado sobre a mesa. Ele me pediu o computador e fizemos as ligações.
Mas na hora de ligar o projetor, não funcionava. Pensei comigo, hoje eu não tenho outro sermão.
Depois de alguns minutos o irmão descobriu o erro e o projetor funcionou.
Cantamos os hinos e de novo estava lá o hino “God will make a way...” Coincidência? Ou providência? O hino me acalmou e eu o cantei com a força que eu podia. Na verdade tenho cantado ele outras vezes, porque ele foi uma inspiração pra mim.
Iniciei o sermão. Na platéia, havia pelo menos 3 famílias americanas e diversas pessoas que falavam inglês. Minha tradutora felizmente conseguiu me entender e pode traduzir para a língua russa todo o meu sermão.
No final fui conversar com algum dos americanos e pude perceber que eles me entenderam. “Louvado seja o nome do Senhor! Porque Ele é bom e sua misericórdia dura para sempre.”
Ainda não tenho confiança em mim para pregar, mas se me derem um tempo posso preparar um terceiro sermão, estudá-lo e pregar. Depois eu digo como será. Mas se o Espírito Santo desejar, Ele pode me dar o dom de línguas e eu poderei pregar, inclusive em russo. A confiança em mim, nunca será o suficiente, pois sempre dependerei da confiança no Espírito Santo de Deus.
A propósito, a tradução da letra do hino "God will make a way" está abaixo, e o hino postado no youtube, está no ínicio:
Deus vai dar um jeito
Onde parece não ter jeito
Ele trabalha de uma forma que não podemos ver
Ele vai dar um jeito pra mim
Ele será meu guia
Me segura ao seu lado
Com amor e força para cada novo dia
Ele vai dar um jeito, Ele vai dar um jeito

Deus vai dar um jeito
Onde parece não ter jeito
Ele trabalha de uma forma que não podemos ver
Ele vai dar um jeito pra mim
Ele será meu guia
Me segura ao seu lado
Com amor e força para cada novo dia
Ele vai dar um jeito, Ele vai dar um jeito

Pelo caminho na selva
Ele me conduzirá
Rios no deserto eu verei?
Céus e terra desaparecerão
Mas sua palavra permanecerá
E ele fará algo novo hoje

Deus vai dar um jeito
Onde parece não ter jeito
Ele trabalha de uma forma que não podemos ver
Ele vai dar um jeito pra mim
Ele será meu guia
Me segura ao seu lado
Com amor e força para cada novo dia
Ele vai dar um jeito, Ele vai dar um jeito

Pelo caminho na selva
Ele me conduzirá
Rios no deserto verei eu?
Céus e terra desaparecerão
Mas sua palavra permanecerá
E ele fará algo novo hoje




domingo, 4 de abril de 2010

FINAL EMPOLGANTE NA MOLDOVA

Apresentadores do programa em roupas típicas da Moldova

Finalmente chegou o último sábado das conferências do Pr. Kulakov em Chisinau. Logo de manhã fomos para a igreja, pois teríamos batismos na igreja. Na verdade a história do batismo já sabíamos mesmo antes de iniciar as conferências, mas o problema era onde seria o batismo?
Naquela semana fomos a uma grande piscina para vermos se era possível termos o batismo ali. Olhamos o local, que tinha uma boa piscina, mas em volta não era um lugar bonito. Havia muitas pessoas treinando ali. Mas o problema não era apenas o lugar, mas o clima. Estava previsto neve para aquele sábado e como batizar 140 pessoas rapidamente sem que os 16 pastores e as próprias pessoas não ficassem doentes por conta do frio?
Num primeiro momento os pastores disseram que havia problema, eles estavam acostumados. Mas quando se faz a conta de tempo que se leva para entrar 16 pessoas por uma pequena escada e o tempo para as 16 sairem pelo outro lado, o tempo é bastante grande. Chegamos à conclusão que os pastores ficariam cerca de ½ hora na água gelada.
Uma frase que eu ouvi, acho que não me esquecerei mais. Enquanto estávamos falando sobre o clima e o batismo, um dos pastores disse:
“Pena que teremos -5 ou menos no sábado. Se fosse 0 não teria problema. Tudo estaria resolvido, porque com uma temperatura mais quente todos agüentam.”
Zero, aqui era considerado uma temperatura mais quente. Não pude deixar de rir por dentro. Imaginei "0 grau no Rio de Janeiro ou Salvador, seria decretado estado de emergência" (rsrs).


Felizmente foi comprada uma piscina onde 6 pastores poderiam batizar ao mesmo tempo, isso agilizaria os batismos. E também foi decidido um número menor de batismos ali, os demais seriam em outras igrejas. Naquele sábado, apenas na Moldova, cerca de 300 pessoas seriam batizadas. Só uma união da Rússia teríamos 700 batismos naquele sábado.
Presenciei uma cena que nunca havia presenciado. É verdade que em minha vida de profissional da imagem já filmei centenas de batismos, e me lembro especialmente de um em São Luís onde os pastores batizavam dois adolescentes ao mesmo tempo. Mas agora eu veria o batismo de 2 casais. Esposo e esposa sendo batizados ao mesmo tempo pelo mesmo pastor.
Ele tinha a técnica de colocar o esposo sobre o seu braço e a esposa à frente do esposo. Assim quando o esposo era mergulhado a esposa também era como se estivesse deitada sobre o esposo.
Vocês podem imaginar as cenas emocionantes que eu vi. Coloquei um filmezinho onde aparece um pouco da cidade de Chisinau e o batismo do último dia.
Também presenciei o batismo de 3 irmãos ao mesmo tempo. Um pastor ficava em uma extremidade, e no centro os 3 de braços dados. Na outra extremidade outro pastor. Assim todos os três eram batizados ao mesmo tempo pelos 3 pastores. Não sei como é colocado no certificado de batismo, nesse caso, pois o do meio não está seguro pelo ombro aos dois pastores. Qual dos dois é considerado o pastor que batizou?
Naquela noite tivemos a última conferência dessa série. E recebemos fotos e pequenos trechos de vídeo dos batismos que haviam sido realizados naquele sábado de manhã. Compartilho com vocês algumas dessas fotos.
Batismo em uma da Igrejas na Moldova


Batismo em Stavropol (sudoeste da Rússia)


Batismo em Tiblisi - Georgia


Batizandos do Cazaquistão


Volgodonsk, Rússia

Batismo no Kirguistão


Em pelo menos em um lugar, o batismo teve que ser no gelo mesmo. Mas note na foto a aparência de tranqüilidade do pastor e de sua batizanda.

Batismo no lago gelado, Rússia


Depois de terminada a conferência da noite, e ter comido minhas batatas, tomado a sopa e o chá, fomos embalar o equipamento que seria levado no outro dia de volta, no mesmo esquema da vinda.
Tudo foi embalado, perto de 1 da manhã já estava em nosso alojamento. No outro dia, terminamos o que faltava e perto de 15 horas saímos em direção a Ucrânia.
Duas horas antes um furgão levou o equipamento que seria deixado na igreja no lado de cá da fronteira. Os mesmos irmãos que levaram da outra vez deveriam fazer o trabalho de “formiguinha” e ir levando um a um para o outro lado.
A estrada tinha muitos buracos no asfalto, o que fazia com que a viagem não fosse tão rápida. Os caminhos mais curtos eram os mais esburacados, por isso tivemos que usar os caminhos mais longos.
Agora, viajando de dia eu podia ver um pouco mais desse país. Um país pobre, mas bonito. Muita agricultura. Claro que nesse período de inverno tudo estava parado, mas era possível ver as terras e o trabalho que devia ser desenvolvido.
Também é um país à moda antiga. Encontramos muitas carroças na estrada, e descobri que esse é um meio de transporte muito usado por aqui ainda em nossos dias.
Percebi que na frente das casas sempre tinham poços de água. Poços à moda antiga, com um balde e uma corrente ou corda que era decido dentro do poço e a retirada era feita manualmente. Muitos desses poços eram adornados e em vários deles tinha um grande crucifixo do lado. Talvez eles façam alguma associação da água com Jesus, a água da vida.
Perguntei ao Pr. Daniel se os poços ainda eram usados, e ele disse que sim. Eu veria depois, pessoas utilizando os poços e retirando água à moda antiga.
Percebi, que o costume de se ter uma latrina no fundo do quintal de cada casa ainda era comum aqui. Casas grandes e bonitas, mas lá no fundo, estava a casinha, a “privada”. Realmente era uma volta no tempo para mim.
Comecei a prestar atenção nas casas e nas janelas. Eram janelas grandes, com vidros enormes. Na verdade, casas vulneráveis para um ladrão mal intencionado. Perguntei ao pastor Daniel:
“Pastor, estou percebendo que essas casas têm muro baixo e as janelas são grandes e fáceis de abrir por fora. O povo daqui deve ser muito honesto, não é? E não deve ter ladrões de casas por aqui.”
Ele olhou admirado com minha pergunta, pois para ele, honestidade era algo natural, e respondeu: “Muito honestos e hospitaleiros. Quando visitamos as casas desses irmãos, eles sempre querem nos oferecer o melhor que têm.”
Parabéns ao povo desse pequeno e pobre país, mas com um caráter nobre, que realmente merece a nossa admiração.

Chegamos à fronteira e desta vez foi tudo muito rápido. Logo estávamos do lado da Ucrânia. Era perto de 7 da noite quando nos encontramos com os nossos irmãos. Um a um os equipamentos foram trazidos para o carro onde fomos colocando.
Depois oramos a Deus, ali mesmo, fora, no relento. Na primeira vez, a neve caía e a temperatura era por volta de -10, mas agora era mais agradável, algo em torno de 0. Como disse o pastor, mais quente.
Chegaria em casa quase duas da madrugada. Depois de um mês longe de casa, é muito bom ter um lugar para voltar. Mas melhor ainda é ter pessoas que estão nos esperando, minha esposa Priscila e o meu filho Samuel.

Todos ficaram agradecidos a Deus pelo trabalho na Moldova. Muitas orações de agradecimentos foram feitas. Também ficaram agradecidos pelo trabalho que cada obreiro realizou naquele lugar. Afinal de contas, ninguém realiza nada sozinho, mas com a ajuda do grupo e especialmente de Deus, as coisas vão bem tudo sai maravilhosamente bem.
Continuemos orando pelo trabalho nesse pequeno país, mas com pessoas maravilhosas.
Levarei para sempre na memória o tempo que passei na Moldova. Eles me deram um lindo presente. Mas, mesmo sem o presente eu não poderia esquecê-los.

Mas no presente estava escrito:
“Conferido a Jonatan Conceição com muito agradecimento e apreciação pela organização do programa via satélite “Os Mistérios do Reino de Deus”, que ocorreu do dia 5 a 13 de março de 2010 na cidade de Chisinau.
Respeitosamente
Moldova Union of Churches Administration (União da Igreja Adventista na Modova)



Jonatan Conceição e Pr. Peter Kulakov

terça-feira, 9 de março de 2010

Dificuldades em um país com duas línguas

Jornal na entrada da igreja, disponível em duas línguas

Uma das coisas que fico pensando é sobre as dificuldades em trabalhar em um país com duas línguas. Naturalmente, por viver toda minha vida em um grande país que fala a mesma língua, não percebi quantas nações enfrentam esse problema. Moldova é um deles.
Placa da Igreja em língua Romena

A mesma placa em língua Russa

As conferências são na língua russa, mas o país tem como língua oficial o "Moldovano" que na verdade é a língua romena escrito em caracteres russos. Então tinha que haver tradução, e em uma outra sala, sempre há um pastor que traduz tudo para a língua da Moldova. Na igreja as pessoas tem à disposição pequenos rádios, para, caso não falarem russo, poderem ouvir e entender.
Rádios nos bancos para a tradução em romeno

Os convites, folhetos, cursos, avisos, tudo é feito em duas línguas. Afinal a mensagem tem que ser pregada a todo povo, tribo, nação e língua.
Separei algumas dessas publicações para que vocês as conheçam.
Quadro de avisos - duas línguas

Convite em duas línguas

Livro do Pr. Alejandro Bullón distribuído aos visitantes

Телеканал Надежда



Primeira transmissão do 
Телеканал Надежда na Moldova 

Naturalmente os preparativos tinham sido realizados com bastante antecedência, mas em transmissões ao vivo, não basta se preparar, é preciso ser proativo e tentar se antecipar aos problemas. Quando se tem dinheiro sobrando isso é mais fácil, mas quando não se tem, é um pouco mais difícil.
Mas como iniciamos as nossas gravações no dia 19 de fevereiro, fomos corrigindo os erros que foram surgindo e aperfeiçoando, na medida do possível, o que já estava bom.
Foi assim que problemas na internet foram corrigidos. Problemas com o áudio foram solucionados. Problemas com o cenário, em que a cor estava muito pálida, foi corrigido. Imprimimos um novo banner e colocamos atrás do primeiro. Isso acentuou a cor.
Até uma das câmeras que vinha dando problema, e nós achávamos que era o nosso cabo, pois esse tipo de cabo, multicore (ou multi-cabo), tem uma série de pequenos fios dentro de um fio grosso, e é comum que um desses fiozinhos se rompam, causando problemas. Um dia a câmera 3 parou de funcionar. Como faltavam 15 minutos para o início do programa, decidi passar a câmera 1 para o lugar da câmera 3 e continuar com apenas 3 câmeras.
Tiramos a câmera defeituosa e eu a levei para o local onde tínhamos montado o nosso QG. Qual não foi minha surpresa ao ver que a câmera parecia partida ao meio. Na verdade dois parafusos haviam se soltado, e a frente da câmera, havia se separado da parte detrás da câmera. Muito provavelmente pelo transporte nada convensional que usamos para traze-la para a Moldova.
Colocamos os parafusos, reapertamos e ela voltou a funcionar. O problema era simples, graças a Deus.
Mas, uma questão que me preocupava era o uplink, o caminhão com equipamentos que manda o sinal para o satélite. No mês de dezembro cogitamos em trazer o equipamento da América, mas os altos custos com transporte e alfândega, e mesmo a legalização da transmissão em um pais com regras ainda antiquadas e cheio de burocracia, fizeram o Pr. Daniel optar por alugar o equipamento na Moldova.
Uma coisa que eu saberia depois: em todo pais da Moldova existem apenas 3 equipamentos desse tipo: um estava quebrado, o outro pertencia à TV do governo e o terceiro foi o que alugamos.
Portanto não havia opções. E mesmo o aluguel foi feito via uma companhia que não era a dona do equipamento. Durante várias semanas o Marcelo Valado, o responsável por transmissões ao vivo do Hope Channel, tentou falar com os responsáveis, e cada vez mais ele ficava preocupado, pois parecia que ninguém entendia do equipamento.
Eu tentava "apertar" o Pr. Daniel para falasse sério com o pessoal do uplink, que ameaçasse trazer outro da Ucrânia, porque eles se mostravam muito distantes e isso não nos dava segurança. Mas o Pr. Daniel dizia que não tinha outra opção.
Eu sabia que não tinha na Moldávia, mas nos países vizinhos como a Romênia e a Ucrânia, tinha equipamento à vontade, e eu achava que deveríamos deixar alguma coisa engatilhada, no caso dessa companhia da Moldova falhar.
Marcamos um teste de transmissão para a sexta-feira, dia 26 de fevereiro, se houvesse algum problema ainda teríamos quase uma semana para resolvermos os problemas. O caminhão chegou pouco depois das duas da tarde e o teste seria às três, mas visivelmente eles tinham problemas em manusear o equipamento. Também tinham esquecido o cabo para conectar o vídeo e o áudio do equipamento da TV para o caminhão.  Já eram 15:20 quando conseguiram conectar tudo, mas aí, não conseguiam achar o satélite. Finalmente, lá pelas 17:30 acharam o satélite. Mas o nosso tempo reservado para o teste já tinha passado. Pensei comigo, se fosse a transmissão de um jogo de futebol ao vivo, não teria ido para o ar. Só imaginei como funcionava esse tipo de coisa com as TVs locais.
Só no outro dia mandei um e-mail para o Marcelo. Começava assim:

"Oi Marcelo
Eu fico até imaginando o que você está pensando com respeito ao pessoal daqui em Moldova, ou de nossa pequena equipe. Porque deveríamos fazer o teste na sexta-feira, conforme o combinado, e simplesmente o teste não aconteceu.
Mas vamos por etapas. Primeiro deixa-me dar as informações que o pessoal do uplink, com certeza não mandou pra você."

Foto do caminhão de up-link que mandei para o Marcelo

Contei pra ele o que havia acontecido. Mandei as fotos que tirei do caminhão. Passei os tipos e modelos dos equipamentos que tinha dentro do caminhão e pedi um novo dia para fazermos o teste.

Não sei o que aconteceu, mas o Marcelo não respondia, e eu enviei outro no dia primeiro de março, pedindo o teste para o dia seguinte.
Ele respondeu que não seria possível, mas que na quarta-feira poderíamos fazer o teste.
Isso era muito preocupante, porque a transmissão seria na quinta-feira, e se não funcionasse?


O teste do dia 3, quarta-feira foi um desastre. O que deveria durar apenas 15 minutos, durou mais de ½ hora no satélite, com uma imagem horrível, com falhas na imagem e no áudio.
O Marcelo me dava as instruções em português e pedia alguma coisa, mas o técnico dizia: “Esse caminhão não é um laboratório, para ficar fazendo experiências, não vou mudar nenhum cabo.”
Eu tentava mostrar a ele, que tínhamos anos de experiência, e o que estávamos pedindo eram ajustes que ele poderia fazer e não danificaria nenhum aparelho. Mas como me parecia cabeça dura, aquele senhor. Bonzinho, mas teimoso, só servia do jeito dele, e do jeito dele não teria transmissão.
Tentava mostrar isso a ele, mas parece que não adiantava.
O Marcelo pediu que ele ajustasse o equipamento em uma regulagem, para ver se melhorava a coisa.
Ele dizia: “Esse equipamento não faz esse tipo de regulagem, é automático.”
Eu tentava usar uma ilustração para ver se ele entendia:
“Olhe”, eu dizia, “se você uma maquina fotográfica e ela está no automático, muitas vezes você não tem a melhor foto. Então vamos deixar o automático de lado e usar o manual.”
Não adiantava.
A mim pareceu que eles tinham ganhado aquele "brinquedo novo" e não sabiam manuseá-lo corretamente.
Finalmente o técnico sugeriu mudar a freqüência que estávamos trabalhando. Mas o Marcelo disse: “Não vai resolver nada, apenas teremos que gastar mais U$ 8000,00 para termos a mesma qualidade horrível de imagem. Mas podemos fazer o teste de novo se vocês quiserem."
Perguntei pra ao técnico, "se nós fizermos a transmissão na freqüência que você sugeriu e não funcionar, você aceita fazer os testes e mudanças que sugerimos?”
Ele respondeu: “Mas vai dar certo.”
“Ok! Mas e se não der, você aceita as nossas mudanças?”
A resposta foi não. Ele não mudaria.
Marcamos os teste, mas estávamos preocupados.
Comecei a pensar em alternativas, mas o Pr. Daniel não queria pensar em alternativas. ele dizia que sempre tiveram esses tipos de problemas nesse campo. Que o inimigo não queria que o trabalho fosse realizado, que tínhamos que orar.
De fato ele reuniu o grupo que oraram em duplas e depois juntos de mãos dadas e pediram ao Senhor que nos ajudasse a resolver o problema.
No culto daquela noite o Pr. Daniel me contou que estava muito preocupado com a transmissão. E no momento final, na hora da oração, o Pr. Peter Kulakov disse para quem tivesse um pedido especial de oração levantasse a mão durante a oração.
O Pr. Daniel levantou a mão e pediu a Deus que solucionasse o problema que tínhamos e que lhe desse paz.
Ele me contaria mais tarde:
"Enquanto estava com a mão levantada, senti como se alguém tivesse tocado a minha mão. Talvez ninguém tenha tocado, tenha sido apenas impressão. Mas senti como se Deus tivesse tocado a minha mão. E depois daquilo senti uma paz muito grande. Fiquei confiante que tudo seria resolvido."
O teste, um dia antes da transmissão

O caminhão chegou no horário previsto, e a dúvida era:
Será que o Sr. Peter, o técnico aceitaria as nossas sugestões?

Ligamos tudo. Conseguimos a autorização para por o sinal no satélite e agora aguardei o Marcelo.
"Como está a imagem aí na Califórnia, Marcelo?" Perguntei.
A resposta não foi animadora.
"Jonatan, a imagem está horrível. Muito branca. Pixalizando e com o som falhando. E o sinal de vídeo está muito baixo. Com essa imagem será impossível a transmissão."
Eu e o Marcelo tentamos convencer o Sr. Peter a fazer os ajustes que sugerimos, mas não adiantava.
O Marcelo sugeriu usarmos outro meio de transmissão. Gravarmos em um dia, enviarmos por internet e colocar no ar com um dia de atrazo.
Essa era uma sugestão que o Pr. Daniel não queria nem falar a respeito. Todos esperavam que a transmissão saísse ao vivo.
Descobriria na próxima semana, que eu era a pessoa em que eles depositavam a esperança de que tudo seria corrigido. 
Eu? Justo na área de satélite em que eu sempre me mantive distante. Desde o início o Marcelo e o Jorge foram os que mais se dedicaram a essa área.

Primeira transmissão da IASD na Moldova
Líderes orando pelo evangelismo na Moldova

Finalmente chegou o dia, nada poderia dar errado. Não era ainda o primeiro dia de conferencias, mas seria um culto especial. Serviria para todas as igrejas checarem se tudo estava bem. Seria um momento especial de louvor e oração.

O caminhão chegou no horário combinado, mas realmente ainda não tinha certeza de que tudo sairia bem. Por isso havíamos marcado um longo tempo no satélite. Teríamos cerca de duas horas para tentar fazer a coisa funcionar.
Felizmente, o Sr. Peter trouxe o tal cabo que ele dizia ser especial para fazer o teste que havíamos pedido. Com esse teste ele poderia ver o que estava ocorrendo. Demorou um bom tempo para colocarem esse cabo. A mim me pareceu que nunca tinham feito tal teste.
Felizmente, cabo instalado, e agora a imagem...
A imagem apareceu, mas pixalizando, que é quando a imagem para e continua com um monte de quadradinhos na tela. O som também cortava e imagem estava horrível.
Era isso que o Marcelo tinha visto no dia anterior. Os meus temores aumentaram mais ainda.
O Marcelo ligou e perguntou como estava a coisa. E eu lhe contei o que estávamos vendo. Perguntei se valeria a pena fazer o teste no satélite. Ele disse que se fosse com aquela imagem, nós estaríamos pagando para ver a mesma imagem só que há milhares de milhas de distancia.
Mas o Peter foi ajustando e melhorou um pouquinho, mas não o suficiente.
Decidimos fazer o teste com a outra regulagem (outra freqüência), melhorou, mas não o suficiente.
Mas finalmente o Sr. Peter conseguiu uma imagem aceitável. Decidimos não mexer e fazermos a transmissão daquele jeito.
Durante toda transmissão o Marcelo foi pacientemente instruindo o Sr. Peter. Foram cerca de 3 horas no celular, sem desligar, falando com o Sr. Peter. E Deus creio que fez uma mudança na mente do Sr. Peter, pois ele passou a ouvir o Marcelo e seguir todas as sugestões que o Marcelo passava para ele. No final do culto ele diria ao Pr. Daniel, em russo: “não importa a idade”, ele aparenta ter perto de 60 anos, “a gente sempre está aprendendo.”
Embora para nós, técnicos e mais exigentes, a imagem podia ser melhor, as pessoas assistiram e gostaram.
O Pr. Daniel ligou para todos os campos da Divisão Euro Asiática e de Moscou à Bielorrússia; e da Estônia ao Kazacstão, todos estavam felizes com a transmissão. (Nossa! Não é que rimou? E eu não fiz de propósito.)
O frio havia voltado e soprava um vento gelado, mas o coração dos irmãos estavam aquecidos e todos estávamos felizes com a transmissão.
À noite tivemos no jantar um prato especial. Não é assim o meu preferido, mas é um prato tradicional da Moldova. É uma espécie de um pastel, feito com massa de macarrão (pelo menos parece) e recheado com purê de batata ou ricota.
Eu realmente acho pesado para a noite, mas o povo daqui janta mesmo, e eu, como estava com fome, entrei nesse tal pastel.
Às duas horas da manhã acordei. O tal pastel havia feito efeito. Um terrível dor de cabeça me acordou.
Levantei bebi um pouco d’água, fui até o banheiro. Decidi tomar um comprimido para dor de cabeça.
Depois de uma hora percebi que o comprimido não faria nenhum efeito. Minha digestão estava parada. Nada era absorvido, nem remédio.
Mudei de estratégia, tomei água morna, porque não tinha nenhum digestivo à mão. Tentei dormir, porque se eu não dormisse seria pior, mas dormir com dor de cabeça e o estômago embrulhado é difícil. Pensei em vomitar, e acho que teria melhorado, mas não estava com tanta vontade assim. Continuei com o tratamento da água morna.
Dormia, acordava, água morna, dormia. Isso se repetiu até de manhã.
Decidi tomar outro comprimido para dor de cabeça, mas não adiantou nada, parece que a coisa do estômago parado ainda continuava.
Não tomei o “zaftrak” (café da manhã), fiquei só na água morna.
Começaram a ficar preocupados comigo, mas eu disse que não se preocupassem.
A hora do almoço chegou e eles me convidaram, eu decidi não almoçar também. Ainda estava arrotando os tais pasteizinhos do dia anterior.
Decidi sair para comprar alguma coisa, para comer depois. O frio realmente havia voltado e pequenos flocos de neve começavam a cair. Coloquei as minhas mãos no bolso para aquecer.

Segundo dia de transmissão, mas tecnicamente o primeiro
Caminhão do up-link em frente a igreja 4 em Chisinau

Estava chegando o momento do que poderíamos dizer era, tecnicamente, o primeiro dia de transmissão da série evangelística que tinha como nome “Segredos de Deus Revelados”.
O Marcelo ligou uma hora antes do combinado. Acho que ele estava tão ansioso que até se confundiu com o horário, e o coitado acordou uma hora mais cedo. Porque enquanto para mim na Moldova era de tarde, lá na Califórnia, onde o Marcelo estava, ainda amanheceria.
Ele disse em tom de brincadeira:
“Eu poderia ter dormido uma hora a mais. Essa transmissão vai sair cara. Pode avisar ao Pr. Daniel.”
Eu respondi:
“Marcelo, relate no Sábado como horas de auxílio humanitário para a Moldova.”
Nós rimos e ele ficou de ligar uma hora mais tarde.
O Sr. Peter chegou e para demonstrar mais conhecimento do assunto disse que tinha feitos alguns testes em seu laboratório e que hoje a transmissão sairia muito melhor.
Isso foi muito bom, porque realmente saiu muito melhor. Louvado seja o nome do Senhor. Afinal o trabalho é dEle e para Ele.
O frio realmente havia voltado. A neve começou a cair de novo e a temperatura foi lá pra baixo de novo. Ou melhor foi lá para abaixo de zero. Enquanto conversava com o Sr. Peter ou o Marcelo pelo telefone cobria minha cabeça com o capuz de meu casaco. Mas mesmo esse casaco feito para agüentar essas temperaturas não aquecia o suficiente nessa hora.
Pr. Arthur Stelle fala no primeiro dia de transmissão em Chisinau

Esse foi um dia muito importante. Personalidades importantes da igreja da região estavam presentes. Tínhamos conosco o Pr. Arthur Estelle, o presidente da Divisão Euroasiática (ESD), o Secretário e o tesoureiro da Divisão também vieram. Foi bom encontrar o Pr. Billi, porque ele é argentino e era bom falar com alguém em uma língua mais parecida com o nosso português.
Vladimir Hoteanu, ministro da saúde da República da Moldávia

Não apenas personalidades da igreja estavam presentes, mas representantes do governo da Moldova, como um ministro de estado, um deputado e outros representantes de outros setores públicos  estavam presentes. Eles puderam falar da importância da difusão da Bíblia para a sociedade e assistiram todo o sermão.
Como era de se esperar o Pr. Peter Kulakov mencionou a restrição de liberdade religiosa que existiu na época do regime soviético e a liberdade que temos agora.
Realmente acho que isso é digno de nota. Antes, os lideres do governo proibiam a Palavra de Deus e agora permitem o livre uso e até elogiam a Bíblia Sagrada.
Sei que teremos pouco tempo para terminarmos a obra aqui, pois breve chegará o dia que a Bíblia descreve como um “tempo de aflição qual nunca houve.” Esse tempo antecederá a segunda vinda de Cristo. Vamos trabalhar enquanto há tempo.

Depois da transmissão me convidaram para jantar, eu agradeci, preferia voltar para o meu apartamento. A cabeça ainda doía e embora melhor, sentia os efeitos do pasteizinhos. Fui para o quarto e dormi.
Foi uma boa noite de sono. Quando acordei no dia seguinte, ainda poderia dormir mais, mas já passava das 7 horas, então me preparei para o culto. Olhei pela janela e tudo estava branco de novo. Durante toda noite a neve foi caindo e branqueando a paisagem.
Paisagem que vi, olhando pela janela naquela manhã

Rua ao lado da igreja

Naquele sábado, quando cheguei na igreja tudo estava branco e a paisagem voltou a ser linda. Mas o frio também voltara, e as luvas, o chapéu e a roupa tinha que voltar a ser a de inverno mais pesado. Mas a igreja estava cheia. Uma nova era parecia raiar na Moldova.
Pessoas chegando para o culto

Um sábado frio, mas com os corações aquecidos

Tivemos a transmissão praticamente sem problemas. Houve um pequeno corte na transmissão que durou menos de um minuto, mas para quem imaginou que talvez nem tivéssemos transmissão, o que é um pequeno corte?
No programa da noite foi mencionado os países de onde tínhamos resposta de pessoas assistindo. Até no distante Azerbaijão haviam pessoas assistindo. Saberia mais tarde que a liberdade de assistir a cultos, ainda que pela televisão, não é livre em alguns países da Divisão Euro asiática. Pois dois pastores haviam sido presos pela polícia por estarem com a TV ligada na igreja e as pessoas assistindo às conferências do Pr. Peter Kulakov.
O caminhão de up-link no sábado

Mas ao final todos estavam felizes. Podia-se ver no rostos dos pastores que o resultado superara as expectativas. Ou que os objetivos estavam sendo alcançados.
Após a programação conversei com alguns dos pastores e era evidente a satisfação com o resultado. Me elogiaram, como se eu tivesse feito algo extraordinário para que a transmissão fosse um sucesso. Num trabalho como esse, e como em outros também, dependemos das bênçãos de Deus. E aprendi há muitos anos atrás que televisão não é feita por uma só pessoa, mas todo um grande grupo de colaboradores e cada um tem uma importância fundamental.
Naquela noite, como em todas as outras, os pastores se reuniram em uma sala para a oração de agradecimento pelo que Deus tinha feito e pelo que estava fazendo pelo evento. Me lembro do Pr. Biaggi iniciar a oração com um “te agradecemos Pai por...” e durante vários minutos ele foi descrevendo os motivos de agradecimento. A oração era em inglês, de forma que eu podia entender. Mas havia tradução para o russo, para que todos entendessem.
Igreja no sábado nevado

Naquela noite, apos o programa, saí e fui a um supermercado próximo a igreja. O frio de cerca de sete graus negativos não me incomodava. Pequenos flocos de neve caíam sobre o meu casaco impermeável. As mãos estavam protegidas com as luvas e tinha o meu boné com abas para cobrir as orelhas. Enquanto andava por entre os prédios e via as pessoas nas ruas, eu fiquei mais uma vez me questionando: Porque estou aqui Senhor? Será que eu realmente sou necessário aqui? Ou será que o Senhor está me dando a oportunidade de aprender alguma coisa nesse lugar? Ó Senhor, me use de acordo com o propósito que o Senhor tem para mim.