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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Visitando Rostov-on-Don, Rússia


Aeroporto de Moscou

O final do ano de 2010 chegou com  um inverno severo em alguns países da Europa. Diversos aeroportos fecharam por causa  da intensa neve que caiu. E o aeroporto de Moscou não foi exceção. 
Na verdade, durante dois dias, o maior aeroporto de Moscou, passou por um verdadeiro caos por causa da nevasca que caiu sobre a cidade. Houve um problema com os cabos que levavam energia elétrica ao aeroporto e isso fez com que ficasse totalmente às escuras e sem aquecimento adequado em pleno inverno. Centenas de pessoas estavam no aeroporto sem saber o que fazer.
Em minha casa eu olhava essas notícias pela TV e pensava na viagem que iria fazer a Moscou no início de Janeiro. 
Seria possível fazer essa viagem? Por que foi escolhida essa data para essa viagem? Por que não marcaram essa viagem para o verão?
Essas eram perguntas que vinham a minha mente. 
Em Kieve não tivemos muita neve e também a neve deu uma trégua nos outros países da Europa.
O dia 11 de Janeiro chegou e lá estávamos nós, eu e o Pr. Daniel Reband, no final da tarde, no aeroporto de Kiev para uma viagem de pouco mais de uma hora até Moscou.
Tudo correu bem. Chegamos a Moscou com uma temperatura agradável para essa época do ano, cerca de 4 graus negativos.
Era a primeira vez que chegava a Moscou por avião, todas as vezes anteriores havia vindo de carro. 
Como acontece em toda viagem internacional fui para o guichê da polícia local. Entreguei o meu passaporte e logo a policial começou a procurar o meu visto para a entrada no país.
Mas, desde Junho de 2009, os brasileiros não necessitam de vistos para uma viagem de turismo à Rússia. E eu pretendia entrar como turista.
O Pr. Daniel Reband observava à distância para ver se tudo correria bem. Ainda existe muito medo por parte das pessoas mais antigas que sofreram com o antigo regime soviético. Eles ainda sentem como se a polícia estivesse observando tudo e a qualquer momento podem ser punidos por algo que fizeram. Pelo menos é o que sinto convivendo com eles.
A policial não fazia nenhuma pergunta. Olhava o passaporte e procurava por um visto. Chegou à última página e lá havia alguns carimbos que atestavam que eu já estivera na Rússia outras vezes. Senti que isso a intrigou. Afinal, se eu já havia estado ali anteriormente, é porque não havia necessidade de visto. Abriu a sua bolsa e tirou de lá uma folha com o que parecia uma lista de países que não precisam visto. E parece que ali constava que o Brasil não precisa de visto.
Com isso eu percebo que o número de brasileiros que tem vindo à Rússia não devem ser em grande número.
Ela não disse nada. Carimbou e me devolveu o passaporte.
Passei e aguardei o Pr. Daniel. Ele veio e perguntou se ela tinha perguntado algo. Eu disse que não. Parece que ele ficou feliz.
Lá fora alguém estava nos esperando.
O Pr. Daniel o saudou dizendo:
"E aí? Como é que vai a vida?"
O abraçou afetuosamente e fomos em direção ao carro.
Os sinais da nevasca ainda estavam presentes. Muita neve para todo o lado que se olhava.
Embora esse seja o aeroporto mais próximo da Divisão Euro Asiática e não ser horário de tráfico, a viagem demorou cerca de uma hora. Chegamos ao prédio da Divisão às 23 h. Fui para o meu quarto e vi que algumas coisas por aqui são bem diferentes do Brasil. Ninguém perguntou se havia interesse em jantar alguma coisa. Mas... eu não estava com fome mesmo! Afinal o pacotinho de castanhas e a barrinha de chocolate no avião estavam ótimas. Sem contar o copinho de suco de maçã.
O Pr. Daniel disse:
"Saímos amanhã às 6 da manhã. Esteja pronto com a mala e tudo, porque o pastor que nos levará não gosta de esperar."
Coloquei o meu celular para despertar, e fui dormir. No outro dia, às 5:55 já estava indo para baixo. Lá no estacionamento, o carro estava nos esperando. Foi o tempo de colocarmos as malas e partirmos em direção a Zaósky. O café da manhã também teria que ser mais tarde.
Universidade Adventista da Rússia em Zaósky

Eu já tinha estado em Zaósky, mas desta vez tudo estava branco por causa da neve. Aqui é o local onde fica a Universidade Adventista de Zaósky.
Viemos aqui para definir os últimos detalhes da campanha evangelística que ocorreria no mês fevereiro e março.
Tomamos o nosso desjejum no colégio. Um pouco diferente para os padrões brasileiros, mas o mundo é assim mesmo.
Aproveitei para tirar umas fotos do lugar. O prédio de aulas, a igreja, o dormitório. Este é o local onde muitos tem-se preparado para levar a mensagem aos mais distantes locais em nossa divisão.

Fachada do prédio de aulas e administração

Portão de entrada e dormitório ao fundo

Prédio de aulas

Vários pastores da Divisão, União, Associação local e do colégio estavam reunidos. Assisti toda a reunião, mas o meu russo ainda é muito rudimentar para contar todos os detalhes dessa reunião. Mas parece que todos ficaram satisfeitos.

Pastores reunidos para definições da campanha evangelística em Fevereiro


Igreja da Universidade onde se realizará a campanha evangelística


Após o almoço partimos de volta a Moscou. Iríamos pegar o avião para a cidade de Rostov-on-Don. Chegamos ao aeroporto mais movimentado de Moscou, o aeroporto de  Domodedovo.
Fiquei surpreso em ver na TV, duas semanas depois, as notícias sobre o atentado que matou diversas pessoas. O esquema de segurança é bastante severo. Todo tipo de aparelho e procedimento como acontece nos melhores aeroportos do mundo.

Prédio com o nome da cidade

Chegamos a Rostov-on-Don à noite e fomos direto para a Caucasus Union Mission. Temos nessa União quase 10.000 membros distribuídos em 128 igrejas.

Sede da Caucasus Union Mission em Rostov-on-Don

Não pude conhecer muito a cidade de Rostov-on-Don, mas é uma cidade bonita, com quase dois milhões de habitantes. Ela está às margens do Rio Don e a 46 quilômetros do mar de Azov. O que conheci da cidade foi o que vi do carro enquanto me deslocava da União para as igrejas, afinal, tínhamos uma missão aqui.
Nossa missão aqui seria ajudarmos na fundação do centro de mídia dessa união.
Foi muito bom participar na gravação dos primeiros programas para nossa TV gravados nessa região da Rússia.
Improvisando um estúdio na União

O que mais me chamou a atenção foi o bom humor, a disposição e a alegria de todos que participaram nas gravações. Parece que estavam realizando um sonho. E por mais rudimentar que fosse as condições de gravação para eles estava ótimo.

Tranformando a igreja em um estúdio para gravação

Grupo cantando para a TV em língua russa
Igreja e sede da Associação local onde foram feitas as gravações

Tive a oportunidade de falar a uma pequena igreja no centro da cidade. Na verdade uma casa que foi transformada em uma igreja. O presidente da Associação traduziu o sermão para o Russo. Foi muito bom visitar 3 igrejas dessa associação que conta com cerca de 3.000 membros batizados.

Uma das igrejas Adventistas de Rostov-on-Don

Parte interna da igreja

Casa transformada em igreja onde preguei no sábado

Dentro dos locais onde improvisamos o estúdio para as gravações estava quente, mas lá fora a neve continuava caindo e deixando tudo um pouco mais branco.
Mais uma vez tenho que agradecer a Deus pelos privilégios que Ele me tem dado.
Uma coisa que é bem diferente do Brasil e alguns outros países é o fato de eu em minhas viagens nunca ter ficado em hotel nessa divisão. Ou a União tem alguns quartos que nos disponibilizam ou então ficamos na casa de algum irmão. Dessa vez não foi diferente, fiquei na casa de um agradável casal que tinha uma filha. Eles me cederam a sua sala e o sofá cama foi ótimo. Se preocupavam porque estava frio e puseram um aquecedor extra para mim. Foi muito bom, porque eu já estava dormindo com um pijama quente, blusa de frio, usando uma coberta e uma manta, mas confesso que ainda estava frio.

Fachada o aeroporto de Rostov-on-Don

No dia 18 de Janeiro fomos para o aeroporto para o nosso retorno para Kiev. Nesse aeroporto a segurança era um pouco maior. O Pr. Daniel me explicou que era por causa da região do Caucasus que tem estado em conflito com a Rússia. 
Já na entrada do aeroporto nossas bagagens passaram pelo raio X e nós fomos revistados.
Lá dentro checaram os nossos passaportes e verificaram se tínhamos registrado a nossa estada na Rússia na polícia local. Tudo estava em ordem.
Saímos daquele local e fomos para outro. Ali tudo foi feito de novo. Bagagens foram para o raio X e nós passamos pelo detector de metais.
Fizemos o nosso check in e agora fomos para a terceira e última checkagem. Olharam os nossos passaportes e a mulher não sabia como escrever o meu nome em caracteres russo e queria saber como seria o jeito certo. 
Passamos então nossas bagagens mais uma vez pelo raio X e agora estávamos no local onde tomaríamos o ônibus para ir ao avião.
Olhei para a pista, onde já havia alguns aviões e pensei em tirar uma foto. O Pr. Daniel leu meu pensamento e disse:
"Por favor, não tire nenhuma foto neste local."
Eu perguntei por que?
Ele então me explicou que essa região a polícia sempre está de olho e o melhor era não tirar fotos do aeroporto.
Eu disse:
"Pastor, eu estive dando uma olhada na internet e ali tem várias fotos desse aeroporto. Tanto da parte externa como da pista. Qual é o segredo?"
Ele disse:
"Eu sei. Eu sei. Mas é melhor não tirar."
Como eu disse, são os medos do passado que ainda estão presentes no presente.

Uma das fotos do Aeroporto que podem ser encontradas na internet

Quando chegou o momento de irmos para o ônibus eu disfarçadamente "esqueci" um livro Caminho a Cristo no banco.
O pastor olhou e disse:
"É melhor você não deixar esse livro aqui."
Eu perguntei:
"Mas qual é o problema? Eu estou esquecendo o livro. Se alguém da limpeza encontrar eu já estou satisfeito."
Ele concordou com um pouco de medo.
Tomamos o ônibus e fomos para o avião. Não era um avião novo, mas tudo correu bem.
Durante a viagem de quase duas horas eu aproveitei enquanto o pastor foi ao banheiro e coloquei mais três livros nos bolsos das poltronas.
Orei a Deus em silêncio para que Ele dirigisse a pessoa certa para encontrar os livros.
Vocês poderiam perguntar porque não dar os livros para as pessoas?
Eu tentei, algumas vezes e eles polidamente recusam. Acho que são os medos do passado.
O que a igreja tem usado aqui nessa região são jornais evangelísticos. O povo aceita bem o jornal e tem sido uma bênção. Cada país tem a sua maneira de ser evangelizado.
Foi muito bom voltar para casa e poder o tipo de comida abrasileirada que minha esposa tinha feito.

sábado, 11 de setembro de 2010

Indo para as reuniões da Conferencia Geral


Providenciando o visto para o Samuel
No mês de maio tive a confirmação de que iria aos Estados Unidos da America para participar das reuniões da 59a.Conferencia Geral da Igreja Adventista em Atlanta, nos Estados Unidos. Já havia participado em outras ocasiões, mas essa teria um novo sabor, pois queria ir com a minha esposa e meu filho.
Pesquisei os preços de passagens aéreas para lá e percebi que tinha o dinheiro necessário para a passagem. Eu e minha esposa também tínhamos o visto necessário para entrar no país, mas e o Samuel? O meu filho? Será que conseguiríamos o visto para ele aqui na Ucrânia.
Fizemos o procedimento necessário para a entrevista no consulado americano em Kiev e finalmente chegou o dia da entrevista. Pouco antes do horário agendado, lá estávamos no consulado. Como acontece no Brasil, havia filas e mais filas de pessoas aguardando a sua vez para serem atendidas.
Quando chegou a nossa vez e fomos entrar o guarda disse:
“Apenas ele vai entrar, o senhor terá que aguardar aqui.”
Embora ele tivesse falado em Ucraniano, pude entender muito bem e isso me deixou preocupado. Eu tentei argumentar com ele em inglês dizendo que meu filho não falava ucraniano, russo ou inglês e não haveria maneira de ele ser entrevistado, pois ele falava português.
Ele chamou outra pessoa que falava inglês, e ele me deu a mesma resposta:
“Só pode entrar a pessoa que está requerendo o visto.”
Com ele eu podia falar em inglês e portanto expliquei novamente que tinha que entrar para ser o intérprete do meu filho. Ele disse que não podia fazer nada.
Confesso que fiquei muito preocupado e embora já houvesse orando antes, agora orava em minha mente mais constantemente:
“Ó meu Pai, me ajude a resolver esse problema. Continua conosco e nos ajude mais uma vez.”
Ele pediu que eu saísse da sala e me conduziu a um telefone que estava do lado de fora. E disse que eu tomasse o telefone e falasse com o responsável dentro do consulado.
Orei mais uma vez e tomei o telefone.
Alguém atendeu e eu comecei a explicar a minha situação. A primeira frase daquele homem me deixou de novo gelado:
“Só quem está requerendo o visto pode entrar.”
Eu disse que ele poderia entrar, mas que não adiantaria, pois não teria alguém que falasse português ou espanhol lá dentro.
Ele pediu que eu aguardasse. E depois de uns 5 minutos que pareceram ½ hora de silêncio ele me disse:
“Ok, o senhor pode entrar com ele.”
Eu orei em silêncio:
“Obrigado, Senhor, mais uma vez.”

Entrar, não significava ter o visto. Eu tinha experiência nisso, pois tive o meu visto negado para os Estados Unidos 6 vezes. E ainda tenho meu velho passaporte com os 6 carimbos atestando esse recorde.

Dentro havia outra fila para o uma primeira entrevista. Essa foi rápida e no final a pessoa me disse:
“Good luck.” Boa sorte em inglês.
Fiquei preocupado se isso seria uma espécie de loteria, onde se tem que contar com a sorte para alcançar o prêmio que você almeja.
Aguardamos em outra fila para o pagamento de uma taxa e finalmente na última fila onde seríamos entrevistados.
Como de outras vezes que estive no consulado americano no Brasil, a gente fica olhando as pessoas. Algumas saem alegres pois receberam o visto e outros saem muito tristes porque receberam um não.
Chegou a nossa vez. Eu havia trazido todos os documentos necessários e ainda uma carta da União Ucraniana atestando que eu era e o que fazia. Também uma carta apresentando o Samuel como meu filho e o que ele fazia como voluntário no estúdio do Hope Channel na Ucrânia. Também havia trazido os certificados escolares do Samuel, meus comprovantes de pagamento, outros documentos, porque sei que muitas vezes eles pedem coisas e mais coisas. Lembre-se de que eu sou campeão em visto negados (rsrs).
A entrevista foi muito curta.
Eu disse quem eu era e o que fazia e o propósito da viagem aos Estados Unidos.
O cônsul tomou as cartas e achou interessante o nome Hope Channel, mas nem olhou o que eu havia trazido. Nem mesmo o meu passaporte onde estava o meu visto para os Estados Unidos. Pegou os documentos do Samuel e despediu-se dizendo no final:
“Good luck.” Boa sorte em inglês.
Agora eu fiquei preocupado, pois eu esperava que ele me dissesse: “Ok, o visto foi concedido.”
Passamos mais 4 dias aguardando. Finalmente chegou a correspondência com o passaporte. Teria o passaporte o visto ou um carimbo negando o visto?
Era uma situação difícil, pois a Priscila não queria ir e deixar o Samuel sozinho aqui na Ucrânia. E eu não queria ir sozinho e deixar os dois aqui na Ucrânia. E quando eu digo sozinhos é porque não temos nenhum conhecido brasileiro aqui em Kiev. Somos só nós 3. Nos sentimos totalmente isolados aqui.
Abri o passaporte e qual não foi a minha surpresa, pois lá estava o visto para 10 anos. Esse meu Deus é impressionante.
Ele me trouxe para cá e tem agido de forma impressionante. Eu fico pensando até onde Ele irá me levar? O que virá depois? Ele é maravilhoso.

Uma economida de quase U$ 1000 dólares.
Havíamos feito a cotação para a compra dos bilhetes e eles nos custariam cerca de U$ 1,300 dólares cada um. Já tínhamos reservado o dinheiro e o pessoal da divisão queria emitir os bilhetes para manter esse preço que eles consideravam muito bom. Afinal, quanto mais perto do mês de julho estivéssemos, mais caro seria o bilhete, por causa da alta temporada. Mas emitir o bilhete e depois ter um visto negado, seria perder todo esse dinheiro.
Agora com o visto na mão fizemos uma nova cotação.
Mais uma vez pude ver a mão de Deus atuando. O bilhete agora, em plena alta temporada, foi comprado por U$1000 dólares. Tivemos uma economia de cerca de U$ 300 dólares cada um. Esse meu Deus não é maravilhoso?
Jonatan e Priscila no aeroporto de Paris

Foi uma longa viagem. Fomos de Kiev a Paris, depois de Paris a Atlanta e finalmente de Atlanta para Dallas.
Fomos para Dallas porque alí moram minhas cunhadas.
Reencontro com as irmãs que não via há 10 anos. Vasti, Priscila, Débora e Ester.

Chegamos perto da ½ noite em Dallas e lá estavam as irmãs que a Priscila não via a 10 anos. Vocês podem imaginar o reencontro. Muitos abraços, muitos sorrisos, muitas lágrimas de alegria... Lá estavam a Débora, a Ester e a Vastí. Passamos o final de semana lá. Ali também ficou meu filho Samuel com os primos. Mas eu e a Priscila fomos para Atlanta.
Ester, Vasti, Débora, Priscila e David. Reencontro na casa do irmão.


Samuel e sobrinhos em Keene no Texas.


Conferência Geral em Atlanta


Não sabia como seria a recepção em Atlanta, mas logo na chegada encontrei os meus amigos da Divisão Sul Americana que estavam esperando os delegados da América do Sul.
O que você acha que eles pensaram?
“Oi, como vai?” Vamos ver aqui em nossa lista em que hotel você está?”
Exatamente. Pensaram que eu ainda estava trabalhando na Divisão Sul Americana.
Expliquei que agora não estava mais na DSA. Mas confesso, que o coração ficou apertado, pois ainda sinto que aí no Brasil é o meu lugar.

Fomos para a estação do metrô e quando estava comprando nosso bilhete para o metro encontrei o meu amigo russo, Tixon. Ele havia acabado de chegar também. E assim fomos no mesmo metro. Ele disse: “Esse mundo é mesmo pequeno.”
Ele tinha razão, pois foi uma boa coincidência encontrá-lo na chegada.
No outro dia fomos para o local onde diversas divisões e instituições montariam seus stands para mostrar um pouco do que têm feito.
Palco do Stand do Hope Channel



O stand do Hope Channel era enorme. Havia um palco onde eram transmitidos ao vivo programas World of Hope. E em torno desse palco e auditório estavam os stands dos demais Hope Channel: o Esperanza TV, o Hope Channel da China, o Arabic Hope Channel, o Hope Channel Alemão, o Esperanta TV da Romênia, a TV Novo Tempo do Brasil, a TV Nuevo Tiempo da America do Sul, a TV Hope Channel África e é claro o Hope Channel Europe, do qual fazemos parte.
Priscila em nosso stand

Praticamente todos os dias estávamos ali divulgando o nosso trabalho e compartilhando os nossos sonhos.
Havia uma TV onde passávamos alguns de nossos programas. Coloquei abaixo o vídeo com os nossos programas para que você tenha uma idéia do que apresentávamos ali.







Aliás, por falar em tela, atrás do palco do Hope Channel havia diversas TVs e em cada uma delas um vídeo era apresentado com os programas que cada canal apresentava.


Painel onde eram apresentados vídeos com as programações do Hope Channel em torno do mundo.

Tive que preparar um vídeo para ser apresentado aqui e milhares de pessoas podiam ter uma idéia da dimensão que o Hope Channel tomou nos dias de hoje. Milhares de pessoas podem ter contato com essa esperança através da televisão ao redor do mundo.
Tivemos o privilégio de participarmos de um dos programas World of Hope. Eu e a minha esposa Priscila fomos entrevistados no programa. Nós com a nossa roupa ucraniana fizemos sucesso por onde passamos, e claro que na entrevista estivemos vestidos a caráter.
Entrevistados no Hope Channel.


Com a nossa roupa típica, sentados entre os missionários.

Um dos momentos de muita emoção em minha vida foi na sexta-feira, 25 de junho. Todos os missionários que estavam na Conferencia Geral foram convidados a participar da apresentação do relatório do Pr. Mathew Bediaco, secretário da Associação Geral. Quando ele convidou a todos nós para ficarmos de pé, e milhares de pessoas começaram a aplaudir os missionários e dezenas de fotógrafos começaram a nos fotografar, confesso que nunca imaginei que um dia eu pudesse fazer parte de um grupo de missionários como esse e estar em um lugar assim. Os nomes de todos os missionários passaram pelos diversos telões do Ginásio e ali estavam o meu nome e o nome da Priscila. Foi muita emoção. Tenho que confessar que tive que segurar as lágrimas, porque elas vieram.
Nossos nomes nos telões do Ginásio.



Pessoas fotografando os missionários.



Nosso pin que indicava nossa posição de missionários.


Outro dia de muita emoção foi o domingo, dia 27 de junho. Nesse dia a nossa divisão apresentou o nosso relatório. E lá estávamos nós, com as roupas típicas da Ucrânia, no palco. 


Pr. Arthur Stelle e o grupo de obreiros representando a Divisão Euro-Asiática

Priscila e Jonatan no palco da Conferência Geral, entre os obreiros da Divisão Euro-Asiática.


De novo sentimos a emoção de sermos aplaudidos por milhares de pessoas no auditório. Depois de sairmos do palco foi apresentado o vídeo relatório que mostrava um pouco do trabalho da igreja na Rússia. Coloquei aqui o vídeo que apresentamos na Conferencia Geral para que você conheça um pouco do trabalho que tem sido realizado aqui nesta parte do mundo.

Durante toda aquela semana milhares de pessoas passaram pelo stand do Hope Channel Europe e sempre levavam um pequeno brinde para poderem se lembrar de nós.
Priscila e Jonatan no stand do Hope Channel Europe



Jonatan, Priscila e visitantes ucranianos


Jonatan no Stand do Hope Channel Europe

Muitos foram os brasileiros que passaram por lá e relembraram os bons momentos da TV Novo Tempo e nossa participação no programa Lições da Bíblia.
Pude sentir o carinho que os nossos irmãos têm por mim e fico muito agradecido a eles pelo carinho, mas especialmente a Deus por ter me proporcionado esse privilégio.
Fiquei muito feliz em encontrar meus amigos pastores que paravam e vinham me abraçar. Encontros com amigos bastante chegados.
Priscila e Pr. Stina no Stand de nossa Divisão.

Alguns tomavam um susto quando nos viam com as roupas típicas, porque não nos reconheciam de imediato.
Também encontramos outras pessoas importantes e de expressão dentro de nossa igreja e foi bom podermos encontrá-los.

Depois de encerrada as reuniões da Conferencia Geral voltamos para Dallas, Texas, onde temos nossos parentes. Tivemos uma semana de férias que foi ótimo.
Como pastor nunca para, preguei na quarta-feira na igreja de Dallas e no Sábado para me lembrar do programa Lições da Biblia, recaptulei a lição com os jovens. De novo pude sentir o carinho dos irmãos que eram telespectadores do programa Lições da Bíblia.

Por quê fui para a Rússia.
O Sábado foi especial. Estavam iniciando a Semana de Oração na igreja de Dallas e imaginem quem era o orador?
O Pr. Rodrigo Silva, meu companheiro do programa Evidências. Que feliz reencontro foi aquele.
No horário do culto ele me fez uma pergunta de público:
“Jonatan, por que você foi para a Rússia?”
Eu disse a ele que há alguns anos eu havia lido um livro que contava da conversão de um ex-bruxo. Nesse livro ele contava de como pedia ao espírito mal que o usasse como uma luva. E ele contava que muitas vezes ele ficava possesso e não se lembrava do que fazia porque o inimigo o usava para realizar o seu trabalho.
Depois disso fiquei pensando se eu não deveria orar pedindo ao Espírito Santo que me usasse como uma luva também. E foi o que eu passei a fazer:
“Querido Pai, muito obrigado por ter enviado o Seu filho Jesus para morrer por mim aqui nessa terra. Querido Jesus, eu quero dizer mais uma vez que aceito o seu sacrifício na cruz do Calvário e peço perdão pelos meus pecados.
Te agradeço meu Pai, porque o Senhor enviou o Divino Espírito Santo para estar conosco aqui. E  agora eu quero dizer ao Espírito Santo que me use como uma luva. Estou disponível. Usa Senhor. Em nome de Jesus, amem.”
Essa era a oração que eu fazia.
Em Março de 2008 eu estava nos Estados Unidos e estava esperando um outro avião no aeroporto e para passar o tempo comecei a ler um livrinho que havia comprado alguns dias antes, “A Oração de Jabes.” O livro era tão pequeno que li todo o livro rapidamente.
Comecei a orar a oração de Jabes:
“Ó Senhor, sê comigo a tua mão e me abençoes. Senhor alargue as minhas fronteiras. Senhor, me livre de dores e aflições. Assim como o Senhor abençoou a Jabes, abençoe a mim também. Em nome de Jesus, amem.”
Naquele ano mesmo, no mês de junho veio o convite para trabalhar na Rússia. Aquilo foi um susto para mim. E embora eu estivesse disponível pára ser usado como uma luva, e tivesse pedido para que o Senhor alargasse minhas fronteiras, eu fiquei com medo. Parei de orar a oração de Jabes.
O chamado não se confirmou, e em setembro veio a resposta de que realmente não havia se confirmado o chamado. Mas fui convidado para trabalhar por um mês em Angola, na África. De novo pude ver que Deus ampliava minhas fronteiras e fiquei muito feliz. Voltei a orar a oração de Jabes.
Na semana seguinte apos ter voltado da África, fui apresentado ao Pr. Daniel Reband, diretor do Hope Channel em língua russa que estava no Brasil. E depois de conversarmos ele me perguntou:
“Você aceitaria um chamado para trabalhar na Rússia?”
Perguntei ao pastor Rodrigo no púlpito de Dallas:
“Eu já tinha dado a resposta à Deus, não tinha outra resposta. Não havia como negar que esse chamado vinha dele. Não existe fronteira maior do que a Rússia, o maior pais do mundo e a maior Divisão em extensão territorial em nossa igreja. A resposta só podia ser, sim."

No domingo, 11 de julho voltamos para a nossa casa ucraniana em Kiev. Que bom que Deus esteve conosco todo esse tempo. “Ele é bom e Sua misericórdia dura para sempre.”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

VISITANDO A RÚSSIA

Praça na cidade de Tula

Visitando a Rússia pela primeira vez

No início do mês de junho de 2010 a Rússia abriu suas fronteiras para os brasileiros. Desde o dia 4 de junho, os brasileiros não precisam mais de visto para ir para a Rússia.
Isto estimulou o Pr. Daniel a me convidar para visitar o nosso centro de mídia da Divisão Euro-asiática.
No dia 13 de junho de 2010 saímos em direção à Rússia. Nossos destinos seriam nossa instituição chamada de “Luz de Esperança”, que é uma espécie de Voz da Profecia para a nossa divisão.
Cheguei na fronteira um pouco apreensivo, afinal eu não tinha visto de entrada e só havia ouvido falar de que a partir do dia 4 de junho os brasileiros não precisariam mais de visto para a Rússia.
Toda fronteira de pais me deixa facinado. Parece estar entrando em um outro terreno, um outro mundo, um território proibido. E de certa forma, nós que não conhecemos a Rússia, pensamos na Rússia como um pais proibido, ou pelo menos misterioso. Isso por causa dos longos anos de dominação soviética. E de certa maneira ainda permanece misterioso. Eu estou nesta região há algum tempo e tenho tentado ler o máximo de livros que conta um pouco da história dessa parte do mundo e sua conexão com a igreja, mas descubro que há muito a aprender ainda.
Fronteira Rússia-Ucrânia. Passaportes e papeis preenchidos prontos para serem entregues.

Na fronteira, o soldado olhou meu passaporte com curiosidade. Afinal, não são muitos brasileiros que passam pela fronteira de carro, como eu estava passando.
Ele procurou o visto e claro que não achou. Dissemos a ele que os brasileiros não precisavam mais de visto. Ele foi checar.
Voltou alguns momentos depois e carimbou o meu passaporte e o devolveu.
Pronto. Já estava em território russo. Naquela fronteira eu fui o primeiro brasileiro a entrar sem visto. Foi o que o policial me disse.
Depois de alguns quilômetros, o Pr. Daniel me passou o volante e depois de mais de seis meses sem dirigir, voltei a dirigir um carro. E em terras russas.

O dia estava lindo. Muito sol e a primavera em todo o seu explendor fazia com que os campos verdes ficassem mais bonitos ainda. A idéia de um pais branco pela neve, saiu da minha mente. A Rússia era tão verde quanto o Brasil. Pelo menos nessa época do ano.
Chegamos em Tula a noite já estava chegando. Fomos direto para a sede da “Luz de Esperança”. Ali o diretor Pr. Serguei já nos esperava.
Esse prédio foi construído há quase 20 anos e desde então a Voz da Profecia em russo tem sido pregada pro todo o país.
Sede da Voz da Profecia em Tula, na Rússia.

Na época da União Soviética, os russos tinham rádio a cabo. Estamos acostumados no ocidente a ouvir TV a cabo, mas rádio a cabo? O que é isso? 
Para evitar que os russos ouvissem as rádios ocidentais, cada apartamento tinha um rádio que era conectado via cabo. Tinha três botões e cada botão era de uma estação diferente. 
Claro que esse rádio de apenas três estações era usado para difundir a mensagem soviética. E uma dessas mensagens era a de que Deus não existe e que a religião é o cancer que pode destruir a nossa sociedade e deve ser extirpada do corpo soviético.
Atualmente, ainda muitas casas ainda tem esse rádio a cabo funcionando em seus lares e acreditem... hoje temos a nossa mensagem sendo transmitida através desse sistema que antes dizia que Deus não existia. Hoje a Luz de Esperança "ГОЛОСА НАДЕЖДЫ"  (http://golosnadezhdi.ru/) mostra ao mundo que existe esperança e a esperança é esse nosso Deus.
Sede da Voz da Profecia em Tula, na Rússia.

Demos uma olhada nas dependências e deixamos a nossa bagagem lá. Ali havia dois quartos que tinham sido preparados para passarmos a noite.

Fomos até a casa do filho do Pr. Daniel, onde jantamos. Pude ver como os apartamentos da época soviética são pequenos. Mas muitas pessoas vivem neles. Na verdade são apenas dois cômodos interligados: sala (quarto) e cozinha.

Rodovia que leva até Moscou. Aqui estamos próximos à Universidade Adventista na Rússia.

No outro dia logo pela manhã saímos em direção a Zaosky. Nesta cidade fica a Universidade Adventista. A estrada em muitos pontos parece com a rodovia dos Bandeirantes no estado de São Paulo, pelo menos nessa época do ano em que tudo está verdinho. Nessa época do ano temos agradáveis 25 a 30 graus positivos, mas no inverno a coisa fica "russa" e temos menos de 25 graus negativos. Na verdade as temperaturas podem chegar a cerca de -40 graus nessa parte do país. Acho que vou continuar visitando a Rússia na primavera ou noverão. 
Prédio central da Universidade onde funciona a faculdade de Teologia.

Nossa Universidade é um lindo colégio interno com boas dependências. Nesse colégio são formados os nossos pastores. Durante muitos anos os nossos pastores não tinham onde estudar, mas agora têm esse lindo colégio interno onde entre os cursos está o principal: Teologia. 
Outra vista do colégio

Vista interna da igreja da Universidade.

Uma das coisas que me chamou a atenção são alguns alojamentos que foram colocados ali na época em que o colégio foi construído. Toda mão de obra na construção era voluntária. Pessoas vinham de todas as partes e doavam 15, 30 dias ou mais de trabalho. E para aloja-los foi providenciado uma casa em forma de tubo.
Atualmente alunos casados moram nesses tubos. Não creio que seja muito confortável, mas é o que eles têm no momento.
Eu creio que poderia chamar de "Tubocasas" esses alojamentos.


Entrada do alojamento.


Lago e ponte no terreno da Universidade.

Casas próximas ao colégio.

O colégio está localizado em um lugar muito agradável com lago e parques.
Casa Publicadora Russa próximo ao colégio.

Bem próximo, cerca de apenas uns 700 metros está nossa editora que publica os livros adventistas em língua russa. Fico imaginando o que pensam as pessoas que durantes anos trabalharam como editoras de uma pessoa só datilografando folhas de literatura com papel carbono e agora vêem milhares de páginas saindo por dia e sendo espalhadas de forma livre pela Rússia. Deus tem dado um tempo de liberdade a esse povo. Oremos por eles.
Olhamos alguns possíveis lugares para um estúdio de TV, pois a universidade tem interesse em ter o curso de Comunicação aqui e depois fomos embora. 

Na volta fizemos um rápido tour em Tula onde conheci a estátua do melhor ferreiro da cidade.
Estátua do melhor ferreiro da cidade com sua pulga na mão.

Dizem que ele fazia tão boas ferraduras que podia ferrar uma pulga. Na estátua ele aparece segurando uma pulga. Confesso que  não vi nem a pulga e nem a pequenina ferradura para a suposta pulga. Mas tirei uma foto no local.
Não vi a pulga, mas imitei o ferreiro. Aliás tem aquele ditado que diz: "Em casa de ferreiro, a pulga..." hummm! Deixa prá lá.

Também visitamos as lojas com os sovenirs da cidade: uma espécie de chaleira e as conhecidas bonequinhas russas.
Muitas bonequinhas russas, as Matrioskas.


Nosso almoço foi na casa do Pr. Serguei e logo depois voltamos para a estrada. Quase 800 kilômetros nos separavam de casa. Chegamos em casa tarde da noite, mas fiquei com uma boa impressão da Rússia nessa primeira viagem. Lindas paisagens com muito verde. Espero voltar no segundo semestre.