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terça-feira, 9 de março de 2010

Телеканал Надежда



Primeira transmissão do 
Телеканал Надежда na Moldova 

Naturalmente os preparativos tinham sido realizados com bastante antecedência, mas em transmissões ao vivo, não basta se preparar, é preciso ser proativo e tentar se antecipar aos problemas. Quando se tem dinheiro sobrando isso é mais fácil, mas quando não se tem, é um pouco mais difícil.
Mas como iniciamos as nossas gravações no dia 19 de fevereiro, fomos corrigindo os erros que foram surgindo e aperfeiçoando, na medida do possível, o que já estava bom.
Foi assim que problemas na internet foram corrigidos. Problemas com o áudio foram solucionados. Problemas com o cenário, em que a cor estava muito pálida, foi corrigido. Imprimimos um novo banner e colocamos atrás do primeiro. Isso acentuou a cor.
Até uma das câmeras que vinha dando problema, e nós achávamos que era o nosso cabo, pois esse tipo de cabo, multicore (ou multi-cabo), tem uma série de pequenos fios dentro de um fio grosso, e é comum que um desses fiozinhos se rompam, causando problemas. Um dia a câmera 3 parou de funcionar. Como faltavam 15 minutos para o início do programa, decidi passar a câmera 1 para o lugar da câmera 3 e continuar com apenas 3 câmeras.
Tiramos a câmera defeituosa e eu a levei para o local onde tínhamos montado o nosso QG. Qual não foi minha surpresa ao ver que a câmera parecia partida ao meio. Na verdade dois parafusos haviam se soltado, e a frente da câmera, havia se separado da parte detrás da câmera. Muito provavelmente pelo transporte nada convensional que usamos para traze-la para a Moldova.
Colocamos os parafusos, reapertamos e ela voltou a funcionar. O problema era simples, graças a Deus.
Mas, uma questão que me preocupava era o uplink, o caminhão com equipamentos que manda o sinal para o satélite. No mês de dezembro cogitamos em trazer o equipamento da América, mas os altos custos com transporte e alfândega, e mesmo a legalização da transmissão em um pais com regras ainda antiquadas e cheio de burocracia, fizeram o Pr. Daniel optar por alugar o equipamento na Moldova.
Uma coisa que eu saberia depois: em todo pais da Moldova existem apenas 3 equipamentos desse tipo: um estava quebrado, o outro pertencia à TV do governo e o terceiro foi o que alugamos.
Portanto não havia opções. E mesmo o aluguel foi feito via uma companhia que não era a dona do equipamento. Durante várias semanas o Marcelo Valado, o responsável por transmissões ao vivo do Hope Channel, tentou falar com os responsáveis, e cada vez mais ele ficava preocupado, pois parecia que ninguém entendia do equipamento.
Eu tentava "apertar" o Pr. Daniel para falasse sério com o pessoal do uplink, que ameaçasse trazer outro da Ucrânia, porque eles se mostravam muito distantes e isso não nos dava segurança. Mas o Pr. Daniel dizia que não tinha outra opção.
Eu sabia que não tinha na Moldávia, mas nos países vizinhos como a Romênia e a Ucrânia, tinha equipamento à vontade, e eu achava que deveríamos deixar alguma coisa engatilhada, no caso dessa companhia da Moldova falhar.
Marcamos um teste de transmissão para a sexta-feira, dia 26 de fevereiro, se houvesse algum problema ainda teríamos quase uma semana para resolvermos os problemas. O caminhão chegou pouco depois das duas da tarde e o teste seria às três, mas visivelmente eles tinham problemas em manusear o equipamento. Também tinham esquecido o cabo para conectar o vídeo e o áudio do equipamento da TV para o caminhão.  Já eram 15:20 quando conseguiram conectar tudo, mas aí, não conseguiam achar o satélite. Finalmente, lá pelas 17:30 acharam o satélite. Mas o nosso tempo reservado para o teste já tinha passado. Pensei comigo, se fosse a transmissão de um jogo de futebol ao vivo, não teria ido para o ar. Só imaginei como funcionava esse tipo de coisa com as TVs locais.
Só no outro dia mandei um e-mail para o Marcelo. Começava assim:

"Oi Marcelo
Eu fico até imaginando o que você está pensando com respeito ao pessoal daqui em Moldova, ou de nossa pequena equipe. Porque deveríamos fazer o teste na sexta-feira, conforme o combinado, e simplesmente o teste não aconteceu.
Mas vamos por etapas. Primeiro deixa-me dar as informações que o pessoal do uplink, com certeza não mandou pra você."

Foto do caminhão de up-link que mandei para o Marcelo

Contei pra ele o que havia acontecido. Mandei as fotos que tirei do caminhão. Passei os tipos e modelos dos equipamentos que tinha dentro do caminhão e pedi um novo dia para fazermos o teste.

Não sei o que aconteceu, mas o Marcelo não respondia, e eu enviei outro no dia primeiro de março, pedindo o teste para o dia seguinte.
Ele respondeu que não seria possível, mas que na quarta-feira poderíamos fazer o teste.
Isso era muito preocupante, porque a transmissão seria na quinta-feira, e se não funcionasse?


O teste do dia 3, quarta-feira foi um desastre. O que deveria durar apenas 15 minutos, durou mais de ½ hora no satélite, com uma imagem horrível, com falhas na imagem e no áudio.
O Marcelo me dava as instruções em português e pedia alguma coisa, mas o técnico dizia: “Esse caminhão não é um laboratório, para ficar fazendo experiências, não vou mudar nenhum cabo.”
Eu tentava mostrar a ele, que tínhamos anos de experiência, e o que estávamos pedindo eram ajustes que ele poderia fazer e não danificaria nenhum aparelho. Mas como me parecia cabeça dura, aquele senhor. Bonzinho, mas teimoso, só servia do jeito dele, e do jeito dele não teria transmissão.
Tentava mostrar isso a ele, mas parece que não adiantava.
O Marcelo pediu que ele ajustasse o equipamento em uma regulagem, para ver se melhorava a coisa.
Ele dizia: “Esse equipamento não faz esse tipo de regulagem, é automático.”
Eu tentava usar uma ilustração para ver se ele entendia:
“Olhe”, eu dizia, “se você uma maquina fotográfica e ela está no automático, muitas vezes você não tem a melhor foto. Então vamos deixar o automático de lado e usar o manual.”
Não adiantava.
A mim pareceu que eles tinham ganhado aquele "brinquedo novo" e não sabiam manuseá-lo corretamente.
Finalmente o técnico sugeriu mudar a freqüência que estávamos trabalhando. Mas o Marcelo disse: “Não vai resolver nada, apenas teremos que gastar mais U$ 8000,00 para termos a mesma qualidade horrível de imagem. Mas podemos fazer o teste de novo se vocês quiserem."
Perguntei pra ao técnico, "se nós fizermos a transmissão na freqüência que você sugeriu e não funcionar, você aceita fazer os testes e mudanças que sugerimos?”
Ele respondeu: “Mas vai dar certo.”
“Ok! Mas e se não der, você aceita as nossas mudanças?”
A resposta foi não. Ele não mudaria.
Marcamos os teste, mas estávamos preocupados.
Comecei a pensar em alternativas, mas o Pr. Daniel não queria pensar em alternativas. ele dizia que sempre tiveram esses tipos de problemas nesse campo. Que o inimigo não queria que o trabalho fosse realizado, que tínhamos que orar.
De fato ele reuniu o grupo que oraram em duplas e depois juntos de mãos dadas e pediram ao Senhor que nos ajudasse a resolver o problema.
No culto daquela noite o Pr. Daniel me contou que estava muito preocupado com a transmissão. E no momento final, na hora da oração, o Pr. Peter Kulakov disse para quem tivesse um pedido especial de oração levantasse a mão durante a oração.
O Pr. Daniel levantou a mão e pediu a Deus que solucionasse o problema que tínhamos e que lhe desse paz.
Ele me contaria mais tarde:
"Enquanto estava com a mão levantada, senti como se alguém tivesse tocado a minha mão. Talvez ninguém tenha tocado, tenha sido apenas impressão. Mas senti como se Deus tivesse tocado a minha mão. E depois daquilo senti uma paz muito grande. Fiquei confiante que tudo seria resolvido."
O teste, um dia antes da transmissão

O caminhão chegou no horário previsto, e a dúvida era:
Será que o Sr. Peter, o técnico aceitaria as nossas sugestões?

Ligamos tudo. Conseguimos a autorização para por o sinal no satélite e agora aguardei o Marcelo.
"Como está a imagem aí na Califórnia, Marcelo?" Perguntei.
A resposta não foi animadora.
"Jonatan, a imagem está horrível. Muito branca. Pixalizando e com o som falhando. E o sinal de vídeo está muito baixo. Com essa imagem será impossível a transmissão."
Eu e o Marcelo tentamos convencer o Sr. Peter a fazer os ajustes que sugerimos, mas não adiantava.
O Marcelo sugeriu usarmos outro meio de transmissão. Gravarmos em um dia, enviarmos por internet e colocar no ar com um dia de atrazo.
Essa era uma sugestão que o Pr. Daniel não queria nem falar a respeito. Todos esperavam que a transmissão saísse ao vivo.
Descobriria na próxima semana, que eu era a pessoa em que eles depositavam a esperança de que tudo seria corrigido. 
Eu? Justo na área de satélite em que eu sempre me mantive distante. Desde o início o Marcelo e o Jorge foram os que mais se dedicaram a essa área.

Primeira transmissão da IASD na Moldova
Líderes orando pelo evangelismo na Moldova

Finalmente chegou o dia, nada poderia dar errado. Não era ainda o primeiro dia de conferencias, mas seria um culto especial. Serviria para todas as igrejas checarem se tudo estava bem. Seria um momento especial de louvor e oração.

O caminhão chegou no horário combinado, mas realmente ainda não tinha certeza de que tudo sairia bem. Por isso havíamos marcado um longo tempo no satélite. Teríamos cerca de duas horas para tentar fazer a coisa funcionar.
Felizmente, o Sr. Peter trouxe o tal cabo que ele dizia ser especial para fazer o teste que havíamos pedido. Com esse teste ele poderia ver o que estava ocorrendo. Demorou um bom tempo para colocarem esse cabo. A mim me pareceu que nunca tinham feito tal teste.
Felizmente, cabo instalado, e agora a imagem...
A imagem apareceu, mas pixalizando, que é quando a imagem para e continua com um monte de quadradinhos na tela. O som também cortava e imagem estava horrível.
Era isso que o Marcelo tinha visto no dia anterior. Os meus temores aumentaram mais ainda.
O Marcelo ligou e perguntou como estava a coisa. E eu lhe contei o que estávamos vendo. Perguntei se valeria a pena fazer o teste no satélite. Ele disse que se fosse com aquela imagem, nós estaríamos pagando para ver a mesma imagem só que há milhares de milhas de distancia.
Mas o Peter foi ajustando e melhorou um pouquinho, mas não o suficiente.
Decidimos fazer o teste com a outra regulagem (outra freqüência), melhorou, mas não o suficiente.
Mas finalmente o Sr. Peter conseguiu uma imagem aceitável. Decidimos não mexer e fazermos a transmissão daquele jeito.
Durante toda transmissão o Marcelo foi pacientemente instruindo o Sr. Peter. Foram cerca de 3 horas no celular, sem desligar, falando com o Sr. Peter. E Deus creio que fez uma mudança na mente do Sr. Peter, pois ele passou a ouvir o Marcelo e seguir todas as sugestões que o Marcelo passava para ele. No final do culto ele diria ao Pr. Daniel, em russo: “não importa a idade”, ele aparenta ter perto de 60 anos, “a gente sempre está aprendendo.”
Embora para nós, técnicos e mais exigentes, a imagem podia ser melhor, as pessoas assistiram e gostaram.
O Pr. Daniel ligou para todos os campos da Divisão Euro Asiática e de Moscou à Bielorrússia; e da Estônia ao Kazacstão, todos estavam felizes com a transmissão. (Nossa! Não é que rimou? E eu não fiz de propósito.)
O frio havia voltado e soprava um vento gelado, mas o coração dos irmãos estavam aquecidos e todos estávamos felizes com a transmissão.
À noite tivemos no jantar um prato especial. Não é assim o meu preferido, mas é um prato tradicional da Moldova. É uma espécie de um pastel, feito com massa de macarrão (pelo menos parece) e recheado com purê de batata ou ricota.
Eu realmente acho pesado para a noite, mas o povo daqui janta mesmo, e eu, como estava com fome, entrei nesse tal pastel.
Às duas horas da manhã acordei. O tal pastel havia feito efeito. Um terrível dor de cabeça me acordou.
Levantei bebi um pouco d’água, fui até o banheiro. Decidi tomar um comprimido para dor de cabeça.
Depois de uma hora percebi que o comprimido não faria nenhum efeito. Minha digestão estava parada. Nada era absorvido, nem remédio.
Mudei de estratégia, tomei água morna, porque não tinha nenhum digestivo à mão. Tentei dormir, porque se eu não dormisse seria pior, mas dormir com dor de cabeça e o estômago embrulhado é difícil. Pensei em vomitar, e acho que teria melhorado, mas não estava com tanta vontade assim. Continuei com o tratamento da água morna.
Dormia, acordava, água morna, dormia. Isso se repetiu até de manhã.
Decidi tomar outro comprimido para dor de cabeça, mas não adiantou nada, parece que a coisa do estômago parado ainda continuava.
Não tomei o “zaftrak” (café da manhã), fiquei só na água morna.
Começaram a ficar preocupados comigo, mas eu disse que não se preocupassem.
A hora do almoço chegou e eles me convidaram, eu decidi não almoçar também. Ainda estava arrotando os tais pasteizinhos do dia anterior.
Decidi sair para comprar alguma coisa, para comer depois. O frio realmente havia voltado e pequenos flocos de neve começavam a cair. Coloquei as minhas mãos no bolso para aquecer.

Segundo dia de transmissão, mas tecnicamente o primeiro
Caminhão do up-link em frente a igreja 4 em Chisinau

Estava chegando o momento do que poderíamos dizer era, tecnicamente, o primeiro dia de transmissão da série evangelística que tinha como nome “Segredos de Deus Revelados”.
O Marcelo ligou uma hora antes do combinado. Acho que ele estava tão ansioso que até se confundiu com o horário, e o coitado acordou uma hora mais cedo. Porque enquanto para mim na Moldova era de tarde, lá na Califórnia, onde o Marcelo estava, ainda amanheceria.
Ele disse em tom de brincadeira:
“Eu poderia ter dormido uma hora a mais. Essa transmissão vai sair cara. Pode avisar ao Pr. Daniel.”
Eu respondi:
“Marcelo, relate no Sábado como horas de auxílio humanitário para a Moldova.”
Nós rimos e ele ficou de ligar uma hora mais tarde.
O Sr. Peter chegou e para demonstrar mais conhecimento do assunto disse que tinha feitos alguns testes em seu laboratório e que hoje a transmissão sairia muito melhor.
Isso foi muito bom, porque realmente saiu muito melhor. Louvado seja o nome do Senhor. Afinal o trabalho é dEle e para Ele.
O frio realmente havia voltado. A neve começou a cair de novo e a temperatura foi lá pra baixo de novo. Ou melhor foi lá para abaixo de zero. Enquanto conversava com o Sr. Peter ou o Marcelo pelo telefone cobria minha cabeça com o capuz de meu casaco. Mas mesmo esse casaco feito para agüentar essas temperaturas não aquecia o suficiente nessa hora.
Pr. Arthur Stelle fala no primeiro dia de transmissão em Chisinau

Esse foi um dia muito importante. Personalidades importantes da igreja da região estavam presentes. Tínhamos conosco o Pr. Arthur Estelle, o presidente da Divisão Euroasiática (ESD), o Secretário e o tesoureiro da Divisão também vieram. Foi bom encontrar o Pr. Billi, porque ele é argentino e era bom falar com alguém em uma língua mais parecida com o nosso português.
Vladimir Hoteanu, ministro da saúde da República da Moldávia

Não apenas personalidades da igreja estavam presentes, mas representantes do governo da Moldova, como um ministro de estado, um deputado e outros representantes de outros setores públicos  estavam presentes. Eles puderam falar da importância da difusão da Bíblia para a sociedade e assistiram todo o sermão.
Como era de se esperar o Pr. Peter Kulakov mencionou a restrição de liberdade religiosa que existiu na época do regime soviético e a liberdade que temos agora.
Realmente acho que isso é digno de nota. Antes, os lideres do governo proibiam a Palavra de Deus e agora permitem o livre uso e até elogiam a Bíblia Sagrada.
Sei que teremos pouco tempo para terminarmos a obra aqui, pois breve chegará o dia que a Bíblia descreve como um “tempo de aflição qual nunca houve.” Esse tempo antecederá a segunda vinda de Cristo. Vamos trabalhar enquanto há tempo.

Depois da transmissão me convidaram para jantar, eu agradeci, preferia voltar para o meu apartamento. A cabeça ainda doía e embora melhor, sentia os efeitos do pasteizinhos. Fui para o quarto e dormi.
Foi uma boa noite de sono. Quando acordei no dia seguinte, ainda poderia dormir mais, mas já passava das 7 horas, então me preparei para o culto. Olhei pela janela e tudo estava branco de novo. Durante toda noite a neve foi caindo e branqueando a paisagem.
Paisagem que vi, olhando pela janela naquela manhã

Rua ao lado da igreja

Naquele sábado, quando cheguei na igreja tudo estava branco e a paisagem voltou a ser linda. Mas o frio também voltara, e as luvas, o chapéu e a roupa tinha que voltar a ser a de inverno mais pesado. Mas a igreja estava cheia. Uma nova era parecia raiar na Moldova.
Pessoas chegando para o culto

Um sábado frio, mas com os corações aquecidos

Tivemos a transmissão praticamente sem problemas. Houve um pequeno corte na transmissão que durou menos de um minuto, mas para quem imaginou que talvez nem tivéssemos transmissão, o que é um pequeno corte?
No programa da noite foi mencionado os países de onde tínhamos resposta de pessoas assistindo. Até no distante Azerbaijão haviam pessoas assistindo. Saberia mais tarde que a liberdade de assistir a cultos, ainda que pela televisão, não é livre em alguns países da Divisão Euro asiática. Pois dois pastores haviam sido presos pela polícia por estarem com a TV ligada na igreja e as pessoas assistindo às conferências do Pr. Peter Kulakov.
O caminhão de up-link no sábado

Mas ao final todos estavam felizes. Podia-se ver no rostos dos pastores que o resultado superara as expectativas. Ou que os objetivos estavam sendo alcançados.
Após a programação conversei com alguns dos pastores e era evidente a satisfação com o resultado. Me elogiaram, como se eu tivesse feito algo extraordinário para que a transmissão fosse um sucesso. Num trabalho como esse, e como em outros também, dependemos das bênçãos de Deus. E aprendi há muitos anos atrás que televisão não é feita por uma só pessoa, mas todo um grande grupo de colaboradores e cada um tem uma importância fundamental.
Naquela noite, como em todas as outras, os pastores se reuniram em uma sala para a oração de agradecimento pelo que Deus tinha feito e pelo que estava fazendo pelo evento. Me lembro do Pr. Biaggi iniciar a oração com um “te agradecemos Pai por...” e durante vários minutos ele foi descrevendo os motivos de agradecimento. A oração era em inglês, de forma que eu podia entender. Mas havia tradução para o russo, para que todos entendessem.
Igreja no sábado nevado

Naquela noite, apos o programa, saí e fui a um supermercado próximo a igreja. O frio de cerca de sete graus negativos não me incomodava. Pequenos flocos de neve caíam sobre o meu casaco impermeável. As mãos estavam protegidas com as luvas e tinha o meu boné com abas para cobrir as orelhas. Enquanto andava por entre os prédios e via as pessoas nas ruas, eu fiquei mais uma vez me questionando: Porque estou aqui Senhor? Será que eu realmente sou necessário aqui? Ou será que o Senhor está me dando a oportunidade de aprender alguma coisa nesse lugar? Ó Senhor, me use de acordo com o propósito que o Senhor tem para mim.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A Igreja na Moldova (Moldávia)

Moldova, um pequeno país com pouco mais de 
33.000 km quadrados e 4 milhões de habitantes.

Essa é Chisinau, capital do país com cerca de 800.000 habitantes

Claro que não é todo dia que está nevada. E é cercada de 
vinhedos que hoje, no inverno,  eu só posso imaginar como 
devem ficar lindos carregados no verão.

Mas o inverno também tem suas belezas.

Infelizmente não conheço muito da história de nossa igreja nessa região, mas pretendo descobrir mais e repartir com vocês aqui no meu Blog.


Primeiro colportor Adventista na Molodávia (1933)

Primeira igreja (casa igreja) fundada em 1933

Grupo de colportores no início dos anos 30

Com a entrada da União Soviética, a religião foi restringida. Os colportores não tinham mais liberdade e nem havia liberdade de imprensa. E a Bíblia se tornou um livro proibido. A solução era copiar a Bíblia à mão ou em máquinas de escrever. Ainda hoje no museu da União se pode ver alguns livros desse época.

Bíblia antiga datilografada

Máquina de datilografar usada para datilografar a Bíblia

As Bíblias antigas eram usadas ao máximo, 
porque não se podia conseguir uma outra com facilidade.


Os quatro evangelhos da Bíblia impressos bem pequenos 
para poder passar escondidos da polícia para os 
países dominados pelos soviéticos.

Hinário datilografado

Hinário escrito á mão

Livro de Ellen White datilografado

Trecho da Bíblia copiado a mão e ilustrado com figurinhas

A Moldova que no passado chamava-se República Soviética da Moldávia, enfrentou como qualquer país em tempos soviéticos, muita restrição religiosa. Não era fácil ser Adventista naquela época. Ainda hoje um pequeno museu no prédio da União dos Adventistas na Moldova guarda algumas relíquias, como as que eu coloquei acima. Fico imaginando quanta dedicação, quanto sofrimento e pressão psicológica não viveu esses nossos irmãos.
E pensar que Deus abriu esse país para que a mensagem seja proclamada livremente através dos meios de comunicação.


Outdoor que estão nas ruas de Chisinau


Pode-se ver que há liberdade religiosa quando se anda pela rua e se vê o nosso out door anunciando as conferências à noite. E mais podendo ser transmitida por internet (www.tvhope.net) e por satélite.




Atualmente temos mais de 154 igrejas nesse pequeno país, onde mais de 11.000 membros freqüentam os cultos. Para uma população de pouco mais de 4.000.000 de habitantes, temos então uma proporção de 1 Adventista para cada 375 não Adventistas.

Irmãos da Moldova reunidos em um evento especial


Ainda há muito trabalho a ser feito e portanto aqui estamos para ajudar. Me coloquei à disposição do Senhor. Não sei o que eu, alguém tão pequeno, pode fazer. Será que a minha ajuda fará alguma diferença? Só tempo dirá.
Como eu disse: "Senhor! Estou aqui. Me use como uma luva. Se o Senhor acha que eu posso realizar alguma coisa para ti, aqui estou disponível."

Sede da União dos Adventistas do Sétimo Dia na Moldova



domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ano Novo na Ucrânia

Jonatan tirando neve no quintal de casa

Janeiro de 2010

Os primeiros dias do ano novo foram passados dentro de casa, pois a neve e o frio deixavam esses brasileiros com receio de sair.

As árvores ficaram lindas com toda aquela neve

A temperatura havia caído bastante e tudo foi ficando cada vez mais branco. E pouco a pouco percebemos que a paisagem nevada é muito bonita. Claro que sair para fora de casa não era nada agradável.

Rua em frente de nossa casa

Um sábado que ficamos e casa e assistimos os cultos pela televisão a temperatura chegou a inacreditáveis -24 (isso mesmo, 24 graus negativos).
Mas fomos à igreja no último sábado do ano de 2009 apesar do frio.
De carro até que não é difícil, mas de ônibus, metrô e bonde, fica um pouco mais difícil.
Estamos indo ao que eles chamam de igreja internacional. O motivo é que tem pessoas de diversas partes do mundo. E o culto é traduzido para o inglês.
Aqui temos como amigo latino o Mário, um panamenho que vive na Ucrânia. Mas ainda não encontrei nenhum brasileiro. Mas em compensação fizemos amizades com diversos irmãos ucranianos, americanos, russos e outros que eu nem imagino de onde são. Lêmbre-se de que eu não falo a língua deles ainda.
Tivemos Santa Ceia no último sábado do ano e nos convidaram para passar o final do ano juntos em uma casa dos irmãos.
Chegou o dia 31 e o pastor nos ligou e perguntou: "Vocês vêm?"
Com todo aquele frio, a vontade era dizer: "Sinto muito, quem sabe no próximo ano ."
Mas ele fez tanta questão, que eu e o Samuel nos aventuramos a sair. A Priscila não estava muito bem para sair em uma noite tão fria.
Andamos os 800 metros pela neve até o metrô. A temperatura era em torno de -10.
O pastor estava nos esperando na estação e andamos até o apartamento onde estavam nos esperando.
Curiosamente, a maioria não falava inglês, e isso, claro, dificultou nossa conversa.
O programa iniciou com algumas palavras da Bíblia por nosso pastor e depois oramos juntos. O apartamento era simples, mas percebi que havia um grande amor que unia aqueles irmãos.
Mas eles foram muito amáveis e jantamos juntos. Claro que tinha sopa, repolho, cenoura e batata. Mas tinha outras coisas mais, inclusive alguns bolos.
Depois tivemos um animado Amigo Secreto onde eu ganhei um Novo Testamento em russo, que creio será muito útil.
Depois de algum tempo, disse a eles que tinha que ir embora, afinal de contas a Priscila tinha ficado em casa. Mas eu tinha um outro convite: o Pr. Daniel Reband convidou-me para passar o final do ano com eles.

Jonatan em frente à União Ucraniana, chegando ao trabalho um dia pela manhã

Cheguei em casa, já eram mais de 9 da noite. Liguei para o Pr. Daniel e ele disse: "Venha! Estamos esperando com a ceia na mesa."
Não teve como dizer não. A casa dele é apenas uns 30 metros de nossa casa. Mas não importa a distância, se o frio é de -10, você tem que se proteger todo.
Ele e a esposa estavam esperando. Ele também não é Ucraniano e estava longe da família, assim nos unimos e sua esposa, a Ludimila, tinha feito muita comida. Tivemos que comer de novo, ainda que só um pouquinho.
Pouco antes da 1/2 noite nos despedimos e fomos para casa. Teve alguns fogos, mas nada se compara com o que estávamos acostumados no Rio ou em São Paulo.

Samuel brinca com bola de neve

Estudando Russo
Nesse prédio funciona a escola onde estudamos russo

Dia 11 de janeiro as aulas de russo recomeçaram. Temos esperança de que a cada dia aprendamos um pouquinho mais.
Quando chegamos, eles disseram que em três meses aprenderíamos russo, mas eu sinceramente duvido. Quem sabe em três anos... (rsrs)
Mas não desanimamos. Vamos estudando, brincando com o estudo e olhe que até parece que está mais fácil.

Vista de Chisinau, num domingo de incríveis -22

Visitando Chisinau pela primeira vez

No dia 21 de Janeiro saí com o Pr. Daniel e o Pr. Peter em direção à Moldova (Moldávia). Vamos transmitir ao vivo um evento evangelístico que ocorrerá em março.
Estávamos levando boa parte do equipamento.
Normalmente, no Brasil, colocamos tudo em cases e embalagens apropriadas, mas o Pr. Daniel pediu-me que pusesse tudo em pequenas peças e embaladas de forma mais caseira e dentro de sacolas que não chamassem a atenção. Portanto tínhamos conosco alguns equipamentos todos embalados de forma totalmente diferente.

Igreja número 4 em Chisinau, Moldova

O dia 21 amanheceu nevando e o frio passava dos -14. Mas mesmo assim saímos de casa por volta das 15 horas. Anoiteceu logo, pois aqui, nessa época do ano, anoitece às 16 horas.
A estrada me parecia muito perigosa coberta de gelo e neve. A neve caía fininha. Dentro do carro, embora o aquecedor estivesse ligado, estava frio. Eu estava todo encapotado, com luvas, boné com protetor de orelhas, cachecol, mas confesso que estava com frio.
Já eram perto de 9 horas da noite quando chegamos na pequena cidade da fronteira com a Moldova. O Pr. Daniel telefonou e logo apareceram nossos irmãos. Eram cerca de 4 ou 5. A neve caía agora mais abundante e nós ali fora no frio e na neve, fizemos oração agradecendo a proteção de Deus e pedindo que Ele nos ajudasse a levar os equipamentos para o outro lado da fronteira.
Um a um aqueles irmãos colocaram nossos equipamentos em suas sacolas e saíram em meio à noite fria com a neve caindo.
O Pr. Daniel me pediu para entrar no carro. Ele tem sido muito cuidadoso comigo. Ele sabe que eu não estou acostumado com esse clima e posso ficar doente mais fácil do que eles que nasceram por aqui.
Chegamos à fronteira perto de 10 da noite. Confesso que parecia cena de filme. A antiga fronteira, da época dos soviéticos, ainda mantêm um ar de algo proibido e misterioso.
Como não é comum um brasileiro por essas bandas, os guardas olhavam meu passaporte como se estivessem vendo um alienígena. Talvez uma celebridade. (rsrs)
Passamos pela fronteira da Ucrânia e entramos em uma ponte estreita que nos levou ao outro lado do rio. Agora estávamos na Moldova (Moldávia).
Alí aconteceu a mesma coisa. O guarda olhava com curiosidade o passaporte brasileiro. Ele confessou que nunca tinha visto um brasileiro passando por aquela fronteira. Realmente eu era uma "celebridade".
Do outro lado, em frente a um supermercado fechado, estava um carro parado. O Pr. Daniel disse: "São os nossos irmãos. Eles vão nos guiar pela estrada por um tempo."
Iniciamos agora a nossa viagem agora por uma estrada pior ainda.
Na verdade, como queríamos passar com os equipamentos pela fronteira, tomamos umas estradas que não tem muito trânsito. E com toda aquela neve caindo vimos alguns acidentes. Felizmente o anjo do Senhor esteve nos guardando. É muito perigoso viajar à noite com toda aquela neve e gelo no asfalto. E não pense que o Pr. Daniel ia devagar, ele tem um pé bem pesado.
O carro ia á frente abrindo caminho. Na estrada eu via apenas o sinal de pneu do carro da frente, e isso indicava que ninguém estava passando por aquela estrada. Comecei a pensar no que ocorreria se o carro quebrasse por ali. Afinal já estávamos na estrada por uns 15 minutos e eu ainda não tinha visto nenhum carro vindo na direção contrária.
Depois de aproximadamente 1 hora, o carro parou em um posto de gasolina, que obviamente estava fechado.
Começou agora o processo de colocar os equipamentos de volta ao carro do Pr. Daniel.
Nos despedimos. Eles voltaram e nos seguimos em frente. Agora estávamos sozinhos de novo na estrada.

Equipamentos do jeito que embalei para a viagem.

Chegamos em Chisinau, perto de 2 da madrugada. A neve tinha diminuído e o Pr. Daniel começou a procurar a União Adventista da Moldova. Demoramos cerca de 1/2 hora tentando achar o caminho, mas finalmente chegamos ao lindo prédio da União. Descemos do carro e nos dirigimos para o último andar onde há um apartamento com três camas.
Não foi preciso muito esforço para dormir.

Fachada da União da Igreja Adventista de Moldova

A manhã daquela sexta-feira foi gasta visitando o lugar onde seria feita a transmissão, comprando material para o cenário e tentando comprar alguma coisa que precisávamos para a transmissão. Deixamos para almoçar depois das 15 horas, pois tínhamos que aproveitar o dia. O por-do-sol seria às 16:30.
Naquela sexta à noite fui à igreja que fica ao lado da União. O frio continuava em torno de -17, mas a igreja, que cabe uns 250 membros estava cheia. O Pr. Peter (da Divisão Euro-Asiática) pregou. Eles conseguiram alguém que falava espanhol, e ela foi traduzindo para mim.
No final do culto veio o convite para pregar. Aceitei pregar em espanhol, para que a pessoa traduzisse para o Romeno.

Igreja no prédio da União da Moldova. Preguei nessa igreja em espanhol.

Pregando em espanhol na Moldova

O sábado continuava frio. Na verdade, o aquecimento do prédio não estava dando conta do recado, eu dormi todo encapotado e com várias cobertas para não passar frio.
Quando cheguei à igreja, eram perto de 9:00 e a igreja já estava com muita gente. Falei com minha tradutora sobre o que falaria. Repassei o sermão com ela, pois assim ela se familiarizaria com o que eu iria falar. Mas eu alertei, que poderia mudar tudo se achasse que deveria. Ela riu.
Houve lindas mensagens musicais e chegou a hora do sermão. Eu estaria pregando em espanhol, ela traduziria para o Romeno, que é a língua falada na Moldava, e uma câmera de TV levaria minha imagem para outra sala onde estariam traduzindo para o russo.
Falei sobre o trabalho da TV no Brasil, do sonho que temos para a nossa divisão, aqui na euro-ásia e sobre as conferências que ocorreriam em março. O tempo passou tão rápido, que o sermão que eu tinha preparado, ficou para mais tarde.
De fato o pastor da igreja me convidou para pregar de novo à noite.
Às 17:00 horas, lá estava eu de novo. Dessa vez preguei o sermão que havia preparado. A igreja estava cheia e o frio continuava forte. O culto foi até 18:30, mas os irmãos pareciam que não queriam ir embora. Impressionante.
Aquela noite foi excepcionalmente fria. O domingo amanheceu com um lindo sol, mas com -22. Saí fora para fazer umas fotos, mas era torturante tirar as luvas para fotografar. Tudo dói. E se não tomar cuidado se congela. O vento era muito forte, o que fazia com que a sensação térmica fosse de -30 ou mais baixo ainda.

Jardim da União da Igreja Adventista na Moldova

Voltamos pra casa naquele domingo.
Moldova é um país que ainda está alguns anos atrás do Brasil. Na verdade algumas coisas que eu vi aqui, nós já não temos mais no Brasil.
Fizemos o mesmo caminho de volta. No caminho, estava muito frio, o gelo se formava na janela do carro, por dentro. Eu tentava tirar, mas não dava. Se eu molhava um pano e passava na janela, isso só fazia juntar mais água para congelar. Portanto me conformei em meu banco e juntei as pernas e as mãos e torci para a viagem ser rápida. Mas eu sabia que 500 quilômetros em estradas não boas e com neve nunca é rápido.
No meio do caminho fiquei com vontade de usar o banheiro. O Pr. Daniel parou para abastecer o carro e eu aproveitei. Me disseram que o banheiro era no fundo. Fui para o fundo. Olhei e vi uma escada com neve de ambos os lados, mas alguém tinha retirado a neve do caminho. Lá estava a "casinha" com duas portas. Quando abri a porta quase não podia acreditar. Só tinha visto aquilo quando era menino no interior de São Paulo na década de 60. Realmente era uma volta no tempo. Eu estava entrando em uma "privada".
Os mais novos, com certeza não têm idéia do que eu estou falando, mas é uma espécie de banheiro, com um buraco no chão, com visão de tudo o que tem lá dentro.
Claro que como estava nevando, tudo estava congelado, portando o mau cheiro não estava presente. Ainda bem. Não tinha escolha, era aquele ou atrás do gelo.
Chegamos em casa as 3 da madrugada. Foi uma experiência que eu voltaria a fazer no mês seguinte.

Cortinas de gelo

O frio foi criando longas pontas em nossa janela formando um pingentes parecidos com aquelas formas que se encontram nas cavernas. Mas eram bonitas de se ver, mas tivemos que quebrá-las para evitar algum acidente. Se alguma daquelas pontas caíssem sobre alguém poderia ferir gravemente.
Apesar do frio tudo continua como se nada estivesse acontecendo, portanto íamos ao trabalho, a escola e ao supermercado.
Me lembro de um dia em que a Priscila foi com o Samuel ao Supermercado e ela comprou água mineral em um vasilhame de 6 litros. Como o super-mercado está a cerca de 800 metros de casa ela veio trazendo a água mineral segurando por uma espécie da argola que tem no vasilhame. Quando chegou em casa, teve uma surpresa: a água estava começando a congelar. Havia diversos pedacinhos de gelo dentro do vasilhame. É frio para ninguém por defeito.
Enquanto isso no Brasil o calor estava fazendo o povo derreter.
Carro do Hope Channel coberto de neve