Mostrando postagens com marcador pastor jonatan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pastor jonatan. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O dia em que fui ungido na Ucrânia

Grupo de pastores da Ucrânia

No início de setembro de 2010, aconteceu uma série de reuniões para escolher a nova administração da União Ucraniana. Foram convidados todos os pastores da Ucrânia, vários departamentais da Divisão Euro Asiática e alguns pastores da Associação Geral para estarem nessa série de reuniões.
Entrada do Colégio

Elas aconteceram em nosso colégio interno em Butcha, pequena cidade próxima a Kieve. Neste colégio são formados os pastores que servem na União Ucraniana e região. É na União Ucraniana que existem mais adventistas em toda Divisão Euro Asiática. Provavelmente por existir mais liberdade religiosa na Ucrânia que em outros países do antigo bloco dos países soviéticos.
Na União Ucraniana temos cerca de 61.000 adventistas que se reúnem em mais de 900 igrejas. No país o evangelho é pregado em duas línguas o Ucraniano e o Russo.
Pr. Derek Moris pregando

Para inspirar o grupo de pastores que ali se reuniu, foi convidado para fazer uma série de palestras sobre a oração e o seu papel na vida espiritual do ser humano,  o Pr. Derek Moris, autor do livro “The Radical Prayer” (A Oração Radical).
Suas palestras se basearam no livro e foram muito inspiradoras. Ele dizia: “Deus quer que você e eu vejamos o mundo de uma nova perspectiva. Não apenas com uma atitude diferente. Ele quer que vejamos o mundo como Ele vê o mundo. De sua divina perspectiva. Uma perspectiva radical.”
Ele convidou aos pastores que quisessem levantar um pouco mais cedo e vir orar com ele, ele os estaria esperando no outro dia pela manhã. O culto começaria às 6 da manhã.
Eu moro há uns 40 minutos de carro do colégio, portanto tive que levantar um pouco mais cedo para estar lá no horário. Como não tenho carro fui de carona com dois pastores que são vizinhos. Chegamos pouco antes das 6:00 e já havia algumas pessoas presentes. Foi um culto curto em seu sermão, pois o restante do tempo foi gasto em oração. Foram cerca de 40 minutos de oração.
Às 7:00 da manhã as pessoas foram rapidamente para o desjejum porque o culto recomeçaria às 8:00. Houve sermões e orações durante todo o dia, até 21:00. E isso ocorreu durante toda aquela semana.
Pastores cantam em uma das reuniões.

Entre as muitas mensagens que ele pregou, ele falou sobre a unção.
Ele leu para nós o texto bíblico que fala sobre a unção:
Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores.
Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.
Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.
Ele falou então da doença espiritual e o perdão pelos pecados. Falou também que no passado quando Deus tinha uma missão especial para alguma pessoa, em muitas ocasiões essa pessoa era ungida. Começou a contar sobre algumas pessoas que foram curadas pela unção. Algumas na hora e outras pouco a pouco.
Então ele falou sobre a unção com propósitos espirituais. Uma unção em que se pedia a cura espiritual e orava uma oração radical onde a pessoa dizia: “Senhor, eu sou uma pequena semente, me jogue no meio da terra boa e faça com que eu dê muito fruto. Eu estou me colocando à disposição, Senhor. Me lance no meio da terra boa e que o Espírito Santo me use.”
Ele então ofereceu para que se alguém quisesse ser ungido, com esse propósito, viesse preparado para ser ungido no outro dia às 6:00 da manhã.
Confesso que quando ele falou isso eu tomei a decisão de ser ungido no outro dia. Não sabia o que aconteceria, mas queria experimentar e estava disposto a orar a oração radical.
Quando saímos já era perto de 22:00, portanto chegamos em casa quase 23:00. No caminho meus amigos pastores me perguntaram se eu já tinha ouvido falar em ministrar a unção para uma pessoa que não está doente. Eu confesso que não me lembrava. Claro, com exceção dos exemplos bíblicos.
No outro dia, 5:45, lá estava eu. Sentei-me na 3ª fila e estava aguardando. Logo a igreja que tem capacidade para umas 600 pessoas lotou. Os responsáveis colocaram 5 cadeiras no palco com uma certa distância uma das outras. A pessoa que seria ungida deveria sentar-se nas cadeiras. Dois pastores estariam com ela durante a unção e a ungiriam em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo para o perdão dos pecados e para ser um instrumento nas mãos de Deus para o avanço da obra aqui na Ucrânia.
Pastores sendo ungidos

O Pr. Derek pediu a ajuda de mais 9 pastores para realizar a unção. Havia um silêncio na congregação e parece que todos estavam expectantes para ver o que ocorreria.
Finalmente ele disse:
“Pastores e irmãos, aqueles que se propuseram a serem ungidos aqui hoje, por favor, venham até a frente, e se houver mais de cinco pessoas, que ser formem duas filas. Uma de cada lado da igreja.”
Na hora eu não vi quantos se levantaram, pois eu queria ser o primeiro. E fui à frente. Sentei-me na cadeira e o pastor que faria a unção falou em russo comigo. Eu respondi, com o pouco russo que sei, que eu não falava russo, mas queria ser ungido.
Ele disse sim com a cabeça. Ele e o outro pastor se ajoelharam ao meu lado e ele colocou a sua mão no meu ombro. Ele então disse para que eu orasse.
Achei que deveria orar em inglês para que os pastores pudessem entender um pouco do que eu estava falando.
Orei, pedindo perdão pelos pecados e pela misericórdia divina. Também reafirmei que queria continuar ao lado de Jesus na luta contra o inimigo. E pedi que ele me usasse como quisesse em seu trabalho.
O pastor começou a oração, em russo, mas certamente me dedicando para o trabalho, e em dado momento ele tomou o azeite colocou em minha testa. Continuou, então, a oração com a mão sobre a minha cabeça até dizer... “em nome de Jesus, amém.”
Voltei para o meu lugar, era cerca de 6:15 da manhã, e continuei em oração. No piano, alguém tocava um hino e todos meditavam. A fila para ser ungido começou a ficar longa. O tempo foi passando e um bom grupo permanecia ali em oração.
Nem todos ficaram o tempo todo, mas eu decidi não sair. Queria ficar até o final. Já havia passado das 8 da horas quando a última pessoa que desejou ser ungida recebeu a unção.
Durante aquele dia tivemos vários sermões. Mas, no final do dia, o Pr. Derek falou:
“Alguém me disse que durante a unção ou mesmo depois dela, não sentiu nada. Não aconteceu nada. E agora? Tenho que ser ungido de novo?”
Ele continuou: “Irmãos, nunca não acontece nada. Algo sempre acontece, ainda que não possamos sentir na hora.”
Confesso que não sei o que vai acontecer, mas continuo aqui, firme no propósito de dizer a cada dia ao Senhor que quero ficar ao lado dele. Que em sua misericórdia e sua graça Ele não me deixe aqui, mas me leve com Ele para os céus.
No outro dia contei a minha esposa o que havia ocorrido. Ele achou muito interessante e quis contar ao meu filho que está no Brasil.
Ela foi para o computador, mas ele não estava on line no MSN ou Skype. Então, ela deixou uma mensagem: “Seu pai foi ungido.”
Quando eu vi aquela mensagem que ela mandou, fiquei imaginando o meu filho recebendo aquela mensagem. Já que no Brasil uma pessoa é ungida quando está doente e a coisa é muito grave. E alguns parecem que ungem para a morte mesmo. Fiquei pensando no que meu filho pensaria ao ler: “Seu pai foi ungido.” Talvez poderia soar para ele: “Seu pai está morrendo.” (rsrs)
Disse a minha esposa para mandar outra mensagem para que ele não ficasse preocupado. Ela mandou:
“Mas não vá ficar preocupado. Está tudo bem. Depois te explico.”
Ainda achei que ele ficaria preocupado, porque se fosse comigo eu ficaria. Por isso decidi telefonar para ele e explicar o que havia ocorrido.
Orem pela missão de levar o evangelho a essa parte do mundo. A Ucrânia é um país com um bom número de Adventistas, mas se olharmos para o Turcomenistão, o país de nossa divisão que tem apenas uma igreja e apenas 89 membros no país inteiro, vemos como a seara é grande.
Pastores orando enquanto outros são ungidos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

VISITANDO A RÚSSIA

Praça na cidade de Tula

Visitando a Rússia pela primeira vez

No início do mês de junho de 2010 a Rússia abriu suas fronteiras para os brasileiros. Desde o dia 4 de junho, os brasileiros não precisam mais de visto para ir para a Rússia.
Isto estimulou o Pr. Daniel a me convidar para visitar o nosso centro de mídia da Divisão Euro-asiática.
No dia 13 de junho de 2010 saímos em direção à Rússia. Nossos destinos seriam nossa instituição chamada de “Luz de Esperança”, que é uma espécie de Voz da Profecia para a nossa divisão.
Cheguei na fronteira um pouco apreensivo, afinal eu não tinha visto de entrada e só havia ouvido falar de que a partir do dia 4 de junho os brasileiros não precisariam mais de visto para a Rússia.
Toda fronteira de pais me deixa facinado. Parece estar entrando em um outro terreno, um outro mundo, um território proibido. E de certa forma, nós que não conhecemos a Rússia, pensamos na Rússia como um pais proibido, ou pelo menos misterioso. Isso por causa dos longos anos de dominação soviética. E de certa maneira ainda permanece misterioso. Eu estou nesta região há algum tempo e tenho tentado ler o máximo de livros que conta um pouco da história dessa parte do mundo e sua conexão com a igreja, mas descubro que há muito a aprender ainda.
Fronteira Rússia-Ucrânia. Passaportes e papeis preenchidos prontos para serem entregues.

Na fronteira, o soldado olhou meu passaporte com curiosidade. Afinal, não são muitos brasileiros que passam pela fronteira de carro, como eu estava passando.
Ele procurou o visto e claro que não achou. Dissemos a ele que os brasileiros não precisavam mais de visto. Ele foi checar.
Voltou alguns momentos depois e carimbou o meu passaporte e o devolveu.
Pronto. Já estava em território russo. Naquela fronteira eu fui o primeiro brasileiro a entrar sem visto. Foi o que o policial me disse.
Depois de alguns quilômetros, o Pr. Daniel me passou o volante e depois de mais de seis meses sem dirigir, voltei a dirigir um carro. E em terras russas.

O dia estava lindo. Muito sol e a primavera em todo o seu explendor fazia com que os campos verdes ficassem mais bonitos ainda. A idéia de um pais branco pela neve, saiu da minha mente. A Rússia era tão verde quanto o Brasil. Pelo menos nessa época do ano.
Chegamos em Tula a noite já estava chegando. Fomos direto para a sede da “Luz de Esperança”. Ali o diretor Pr. Serguei já nos esperava.
Esse prédio foi construído há quase 20 anos e desde então a Voz da Profecia em russo tem sido pregada pro todo o país.
Sede da Voz da Profecia em Tula, na Rússia.

Na época da União Soviética, os russos tinham rádio a cabo. Estamos acostumados no ocidente a ouvir TV a cabo, mas rádio a cabo? O que é isso? 
Para evitar que os russos ouvissem as rádios ocidentais, cada apartamento tinha um rádio que era conectado via cabo. Tinha três botões e cada botão era de uma estação diferente. 
Claro que esse rádio de apenas três estações era usado para difundir a mensagem soviética. E uma dessas mensagens era a de que Deus não existe e que a religião é o cancer que pode destruir a nossa sociedade e deve ser extirpada do corpo soviético.
Atualmente, ainda muitas casas ainda tem esse rádio a cabo funcionando em seus lares e acreditem... hoje temos a nossa mensagem sendo transmitida através desse sistema que antes dizia que Deus não existia. Hoje a Luz de Esperança "ГОЛОСА НАДЕЖДЫ"  (http://golosnadezhdi.ru/) mostra ao mundo que existe esperança e a esperança é esse nosso Deus.
Sede da Voz da Profecia em Tula, na Rússia.

Demos uma olhada nas dependências e deixamos a nossa bagagem lá. Ali havia dois quartos que tinham sido preparados para passarmos a noite.

Fomos até a casa do filho do Pr. Daniel, onde jantamos. Pude ver como os apartamentos da época soviética são pequenos. Mas muitas pessoas vivem neles. Na verdade são apenas dois cômodos interligados: sala (quarto) e cozinha.

Rodovia que leva até Moscou. Aqui estamos próximos à Universidade Adventista na Rússia.

No outro dia logo pela manhã saímos em direção a Zaosky. Nesta cidade fica a Universidade Adventista. A estrada em muitos pontos parece com a rodovia dos Bandeirantes no estado de São Paulo, pelo menos nessa época do ano em que tudo está verdinho. Nessa época do ano temos agradáveis 25 a 30 graus positivos, mas no inverno a coisa fica "russa" e temos menos de 25 graus negativos. Na verdade as temperaturas podem chegar a cerca de -40 graus nessa parte do país. Acho que vou continuar visitando a Rússia na primavera ou noverão. 
Prédio central da Universidade onde funciona a faculdade de Teologia.

Nossa Universidade é um lindo colégio interno com boas dependências. Nesse colégio são formados os nossos pastores. Durante muitos anos os nossos pastores não tinham onde estudar, mas agora têm esse lindo colégio interno onde entre os cursos está o principal: Teologia. 
Outra vista do colégio

Vista interna da igreja da Universidade.

Uma das coisas que me chamou a atenção são alguns alojamentos que foram colocados ali na época em que o colégio foi construído. Toda mão de obra na construção era voluntária. Pessoas vinham de todas as partes e doavam 15, 30 dias ou mais de trabalho. E para aloja-los foi providenciado uma casa em forma de tubo.
Atualmente alunos casados moram nesses tubos. Não creio que seja muito confortável, mas é o que eles têm no momento.
Eu creio que poderia chamar de "Tubocasas" esses alojamentos.


Entrada do alojamento.


Lago e ponte no terreno da Universidade.

Casas próximas ao colégio.

O colégio está localizado em um lugar muito agradável com lago e parques.
Casa Publicadora Russa próximo ao colégio.

Bem próximo, cerca de apenas uns 700 metros está nossa editora que publica os livros adventistas em língua russa. Fico imaginando o que pensam as pessoas que durantes anos trabalharam como editoras de uma pessoa só datilografando folhas de literatura com papel carbono e agora vêem milhares de páginas saindo por dia e sendo espalhadas de forma livre pela Rússia. Deus tem dado um tempo de liberdade a esse povo. Oremos por eles.
Olhamos alguns possíveis lugares para um estúdio de TV, pois a universidade tem interesse em ter o curso de Comunicação aqui e depois fomos embora. 

Na volta fizemos um rápido tour em Tula onde conheci a estátua do melhor ferreiro da cidade.
Estátua do melhor ferreiro da cidade com sua pulga na mão.

Dizem que ele fazia tão boas ferraduras que podia ferrar uma pulga. Na estátua ele aparece segurando uma pulga. Confesso que  não vi nem a pulga e nem a pequenina ferradura para a suposta pulga. Mas tirei uma foto no local.
Não vi a pulga, mas imitei o ferreiro. Aliás tem aquele ditado que diz: "Em casa de ferreiro, a pulga..." hummm! Deixa prá lá.

Também visitamos as lojas com os sovenirs da cidade: uma espécie de chaleira e as conhecidas bonequinhas russas.
Muitas bonequinhas russas, as Matrioskas.


Nosso almoço foi na casa do Pr. Serguei e logo depois voltamos para a estrada. Quase 800 kilômetros nos separavam de casa. Chegamos em casa tarde da noite, mas fiquei com uma boa impressão da Rússia nessa primeira viagem. Lindas paisagens com muito verde. Espero voltar no segundo semestre.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cantando Аллилуйя!




Outro dia, aconteceu algo muito, poderia dizer, “engraçado” conosco. Tivemos que rir em silêncio e sozinhos.
Já estamos aqui há quase 6 meses, e ainda não falamos a língua russa ou mesmo a língua ucraniana. O que falamos são algumas palavras e algumas frases em russo. Mas hoje está muito melhor do que quando chegamos.
Quando chegamos à Ucrânia as frases não tinham nenhum sentido e não conseguíamos separar as palavras. Era um som contínuo, totalmente sem sentido. Hoje entendemos palavras e com isso podemos saber sobre que assunto se está falando. Também no metrô conseguimos identificar as estações que são faladas nos alto-falantes. Quando vamos à igreja, conseguimos identificar o assunto. Ainda nos é difícil achar as passagens bíblicas na Bíblia, seja russa ou em português, porque os nomes são totalmente diferentes.
Bíblia em língua russsa

Por exemplo: Genesis é Бытне. Первая кнга Моисеева. (Gênesis. Primeiro livro de Moisés). E Apocalípse, o último livro da Bíblia é Октровение Иоанна Богослова.
Como eu disse a ordem também é diferente. Por exemplo:
O Novo Testamento começa igual: Mateus (Матфея), Marcos (Марка), Lucas (Луки), João (Иоанна), Atos (Деяниа святых Апостолов)… mas aí a coisa já muda, pois a seguir vem: Tiago (Иакова), I e II Pedro (Петра), e as epístolas em ordem diferente, e lá no finalzinho, o Apocalipse.
No Ano Novo ganhei um Novo Testamento em russo, dei uma olhadinha, mas é muito difícil para nós ainda. Agora comprei uma Bíblia completa em lingual russa. Algumas palavras já são conhecidas. O problema com a lingual é que as palavras também são declinadas, o que faz com que uma palavra possa ter 7 variantes diferentes. Até os nomes mudam e algumas vezes ficam muito feio para os nossos ouvidos acostumados com os nossos nomes imutáveis. Mas aqui alguns nomes acabam soando femininos (para os brasileiros) dependendo da frase. O meu nome pode se tornar Jonatana, dependendo do lugar em que ele estiver na frase. Complicado esse russo!
Outro dia perguntei pra minha mãe quantos anos demorou pra eu falar. Ela me disse “um ano”. Pensei comigo: “Ainda tenho mais seis meses. E se levar em conta que o Russo é mais difícil, preciso ter alguns meses a mais.” (rsrsrs)
Aqui além de não sabermos a lingual, somos também analfabetos. Sim, porque para ler livros, jornais, calendários, propaganda, somos muito lentos. E às vezes quando conseguimos ler, não conhecemos o significado da palavra e muito menos a pronúncia correta.
No metro existem algumas telas de televisão que ficam passando alguns trechos de programas de TV, propagandas e anúncios, como qual é a estação que parou e qual será a próxima. Dentro da programação tem uma piadinha escrita na tela. Do lado está o desenho de um homem. Ele fica olhando pra vc. E quando a piada acaba, ele dá uma risadinha. No início eu estava lendo a primeira palavra e ele já estava rindo. Agora, muitas vezes eu consigo ler toda a piada. Não entendo nada, mas pelo menos ele ri quando eu já terminei. (Isso também é uma piada!)
Mas, voltemos à igreja.
Nos cultos eles usam um projetor de video que projeta a letra dos hinos que vão ser cantados. A gente vai enrolando. Se colocarem um gravador para captar somente a nossa voz, será um desastre. Mas no meio da multidão, vamos cantando. Quando o hino é conhecido, fica um pouco mais fácil.

No dia 1 de maio, o hino era um desses conhecidos. Aliás conhecido demais. Estava cantando (ou tentando ler e cantar) e a parte mais fácil era o coro, ou quando aquela palavra se repetia Аллилуйя. Como essa era uma palavra que se repetia muito, foi ficando cada vez mais fácil cantá-la. E claro, quando chegava nessa palavra, a gente enchia o peito e cantava pra valer. Nos outros pedaços era aquela coisa de “hum, hum, hum, hum….”
O nome do hino é Всë, сотворëнное Творцом.
Notem a primeira estrofe:

Всë, сотворенное Творцом,
Пой с ликованьем,
С торжеством – Аллилуйя! Аллилуйя!
Солнца горячие лучи,
Месяц, сияющий в ночи,

Славьте Бога! Славьте Бога!
Аллилуйя! Аллилуйя! Аллилуйя!

Após cantarmos a primeira estrofe, a Priscila, minha esposa, disse: «Estamos parecendo o Mr. Bean.»
Dali em diante era dífícil cantar e não sorrir, mas também éra difícil não cantar ainda mais forte o Аллилуйя! Аллилуйя! (Aleluia, aleluia...) (rsrsrs).
Em nosso Hinário Adventista é o hino de número 15, «Vós, Criaturas do Senhor»

Vós, criaturas do Senhor,
Oh, elevai a Deus louvor!
Oh, louvai-O! Aleluia!
Tu, Sol dourado a refulgir;
Tu, Lua em prata a reluzir!
Oh, louvai-O! Oh, louvai-O!
Aleluia! Aleluia! Aleluia
Ó Terra e Céu, a Deus honrai;
Preito de amor e graças dai!
Oh, louvai-O! Aleluia!
Flores, erguei-vos em canção 
Ao grande Deus da criação!
Oh, louvai-O! Oh, louvai-O!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Vós, homens sábios e de bem,
Dai ao Senhor louvor também!
Oh, louvai-O! Aleluia!
Dai glória ao Filho, glória ao Pai,
E ao Santo Espírito louvai!
Oh, louvai-O! Oh, louvai-O!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Depois conversamos e rimos muito de nosso «momento Mr. Bean».
Se você ainda não assistiu esse episódio do Mr. Bean na igreja, dê uma olhada. Apenas coloque eu e a Priscila na mesma situação (com exceção das balinhas e das caretas – rsrsrs).


terça-feira, 27 de abril de 2010

Primeiros Sermões em Inglês




Algum tempo depois de chegarmos em Kiev conheci um dos pastores daqui. Ele pastoreava a igreja 20. Eles numeram as igrejas aqui.
Essa igreja é um pouco diferente. Ele é chamada de Igreja Internacional. O motivo é que seus membros são de diferentes países e os cultos são em inglês com tradução para o russo ou vice-versa. Ele me convidou para irmos até a sua igreja e com isso passamos a ir com certa regularidade na igreja Internacional.
No mês de Janeiro ele me convidou para pregar em sua igreja. Eu tenho pregado muitas vezes, nas mais diferentes igrejas. Grandes, pequenas, ricas, pobres, simples, sofisticada, com pouca gente, lotada... Enfim isso não seria problema, a não ser um detalhe: a língua.
Eu falo inglês, mas o meu inglês não é o inglês de alguém que morou na America, ou em algum outro pais de fala inglesa. Na verdade, essa é minha primeira experiência em um pais onde fico mais de um mês falando inglês (agora já 6 meses). Conversar com uma pessoa é uma coisa, mas pregar...
Eu disse a ele que nunca tinha pregado em inglês. Ele disse para mim escrever e se necessário ler. Falei que iria me preparar.
O tempo passou e comecei a preparar um sermão. Peguei um sermão que já tinha pregado algumas vezes e comecei a traduzi-lo. Para facilitar o meu trabalho, decidi utilizar ilustrações no computador em Power point, pois ficaria muito mais fácil para mim.
Finalmente a data foi marcada: dia 27 de Março de 2010. Na semana que antecedeu aquele Sábado eu procurei me preparar. Li algumas vezes o que escrevi. E no Sábado levantei as 5 da manhã para repassar tudo o que havia escrito.
Saí de casa às 8:30, pois o culto começaria às 10:15 e eu queria chegar cedo para preparar tudo.
Caminhei rápido para o metrô e lá fui eu para a igreja. Dentro de minha pasta, tudo estava preparado: lap top, controle remoto para mudar as telas, bateria extra para o caso de uma possível falha...
Quando cheguei na igreja, alguns irmãos já estavam presentes e o pastor da igreja também estava ali. Estavam montando o som e arrumando algumas coisas, pois teríamos Santa Ceia. Achei um pouco estranho, porque afinal de contas, o meu sermão não era especificamente sobre esse assunto.
O pastor então, me disse que outro pastor, um visitante americano, faria o sermão da Santa Ceia. Achei um pouco estranho termos dois sermões, mas...
Foi quando notei que o projetor de vídeo não estava sendo montado. Com um prescentimento perguntei:
_Pastor. O projetor não veio? Esqueceram?
Ele respondeu que sim.
Comecei a ficar preocupado, pois todo o meu sermão e boa parte do meu inglês estava baseado no Power Point, que dependia totalmente do progetor.
Mostrei para o pastor. E ele começou a verificar como poderia alguém buscar o projetor.
No Brasil, certamente, teríamos vários irmãos com automóveis que pudessem ir até a casa do pastor, há 15 minutos dali e buscar o projetor. Mas não é o que acontece na nossa igreja. Ninguém estava com carro.
O tempo passava, e eu ia ficando mais nervoso. Não cheguei a ficar apavorado, mas bem que poderia.
Finalmente ele me disse, algo que eu não gostaria de ouvir:
_Guarde esse sermão para um outro Sábado e pregue outro sermão.
No Brasil isso seria muito fácil, mas aqui? Em inglês? Esse era o meu único sermão.
Decidi deixar nas mãos de Deus.
Quando iniciaram o louvor, um dos hinos dizia:
“God will make a way...”
O significado era: 
"Deus vai dar um jeito onde parece não ter jeito
Ele trabalha de uma forma que não podemos ver
Ele vai dar um jeito pra mim
Ele será meu guia, me segura ao seu lado
Com amor e força para cada novo dia
Ele vai dar um jeito, Ele vai dar um jeito."



As palavras daquele hino me animaram e eu fui para frente disposto a fazer um de meus sermões sobre a importância de se estudar as profecias da Bíblia Sagrada.
Não tinha nenhum esboço, apenas a minha Bíblia em inglês. (Que aliás ainda estou lendo, não terminei.)
Disse aos irmãos que aquele era o meu primeiro sermão em inglês e que esperava que Deus me desse o dom de línguas para poder trazer a mensagem até eles naquele dia.
Lembro de ter dito:
"Todo o meu sermão estava baseada em um power point, e com a falta do projetor, o "point" se foi, mas eu espero que o "power" do Espírito Santo esteja presente.
Não foi o sermão mais empolgante que já fiz (pelo menos eu não senti), mas creio que todos entenderam.
No final, uma irmã, americana chamada Linda me disse:
_Jonatan, congratulations for your first sermon in english.
Outro senhor, que é americano e dá aulas de inglês em uma escola aqui em Kiev, também me deu as "congratulations"pelo sermão.
Eu agradeci.
Apesar de não ser o sermão mais empolgante, ele não foi o pior. Eu me senti em paz e tranqüilo.
Passaram algumas semanas e no dia 21 de abril, eu estava almoçando com o pastor de nossa igreja internacional, quando ele me perguntou:
_Quando você vai pregar para nós novamente?
_Quando o senhor quiser. Respondi.
Ele então me disse:
_Próximo Sábado. Está bem?
Eu disse que sim, mas perguntei:
_O projetor vai estar lá?
Ele respondeu que sim.
Segundo Sermão em Inglês
Assim foi que novamente estudei o mesmo sermão e me preparei melhor. Orei a Deus entregando aquele Sábado em suas mãos.
De novo madruguei naquele Sábado e saí às 8:30 para chegar mais cedo.
Quando saí de casa, caía uma garoa fina. Estava um pouco frio, algo como uns 12 graus. Para o Brasil é muito frio, mas para aqui estava apenas frio.
Como já disse, moro há uns 800 metros da estação do metrô e a chuva começou a engrossar. Eu dizia em meus pensamentos:
“Senhor, segure a chuva só um pouquinho.”
Cheguei no metro e meu pensamento era somente o sermão. Eu tentava falar o texto em minha mente, e assim ia. As estações passavam, e como eu estava de pé, em alguns momentos me passou pela mente que eu talvez tivesse esquecido alguma coisa. Talvez o próprio computador. Mas eram apenas os temores.
Cheguei na estação e tomei o bonde que me deixaria em frente a igreja.
Entrei no prédio onde está o nosso salão e qual não foi a minha surpresa:
O salão estava fechado. Já eram 9:40 e não havia ninguém na igreja.
Sentei em um banco e esperei.
Dez minutos depois chegou a jovem que seria a responsável pelos louvores.
Mais uns cinco minutos um outro rapaz. Outros cinco minutos e uma irmã.
Finalmente, por volta de 10:10 chegou o irmão que abriria a igreja.
Entramos e começamos a ajudar a colocar as coisas no seus lugares, montar o som e outras coisas mais. Afinal o início do culto estava marcado para as 10:15 (se tivéssemos gente)
Eu olhava para ver onde estava o projetor, mas ele não estava visível. Pensei que talvez o pastor o traria. Mas se fosse o pastor que o traria, ele estava bem atrasado. Na verdade, o pastor não veio naquele sábado. Devia estar em outra igreja.
Finalmente o projetor foi tirado de uma pasta e colocado sobre a mesa. Ele me pediu o computador e fizemos as ligações.
Mas na hora de ligar o projetor, não funcionava. Pensei comigo, hoje eu não tenho outro sermão.
Depois de alguns minutos o irmão descobriu o erro e o projetor funcionou.
Cantamos os hinos e de novo estava lá o hino “God will make a way...” Coincidência? Ou providência? O hino me acalmou e eu o cantei com a força que eu podia. Na verdade tenho cantado ele outras vezes, porque ele foi uma inspiração pra mim.
Iniciei o sermão. Na platéia, havia pelo menos 3 famílias americanas e diversas pessoas que falavam inglês. Minha tradutora felizmente conseguiu me entender e pode traduzir para a língua russa todo o meu sermão.
No final fui conversar com algum dos americanos e pude perceber que eles me entenderam. “Louvado seja o nome do Senhor! Porque Ele é bom e sua misericórdia dura para sempre.”
Ainda não tenho confiança em mim para pregar, mas se me derem um tempo posso preparar um terceiro sermão, estudá-lo e pregar. Depois eu digo como será. Mas se o Espírito Santo desejar, Ele pode me dar o dom de línguas e eu poderei pregar, inclusive em russo. A confiança em mim, nunca será o suficiente, pois sempre dependerei da confiança no Espírito Santo de Deus.
A propósito, a tradução da letra do hino "God will make a way" está abaixo, e o hino postado no youtube, está no ínicio:
Deus vai dar um jeito
Onde parece não ter jeito
Ele trabalha de uma forma que não podemos ver
Ele vai dar um jeito pra mim
Ele será meu guia
Me segura ao seu lado
Com amor e força para cada novo dia
Ele vai dar um jeito, Ele vai dar um jeito

Deus vai dar um jeito
Onde parece não ter jeito
Ele trabalha de uma forma que não podemos ver
Ele vai dar um jeito pra mim
Ele será meu guia
Me segura ao seu lado
Com amor e força para cada novo dia
Ele vai dar um jeito, Ele vai dar um jeito

Pelo caminho na selva
Ele me conduzirá
Rios no deserto eu verei?
Céus e terra desaparecerão
Mas sua palavra permanecerá
E ele fará algo novo hoje

Deus vai dar um jeito
Onde parece não ter jeito
Ele trabalha de uma forma que não podemos ver
Ele vai dar um jeito pra mim
Ele será meu guia
Me segura ao seu lado
Com amor e força para cada novo dia
Ele vai dar um jeito, Ele vai dar um jeito

Pelo caminho na selva
Ele me conduzirá
Rios no deserto verei eu?
Céus e terra desaparecerão
Mas sua palavra permanecerá
E ele fará algo novo hoje




terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Década de 60 – Lembranças de Populina

Não demorou muito e meu pai foi chamado para ser o obreiro responsável pela escola e pela igreja de Ponta Porã no Mato Grosso (hoje MS). Ficamos muito pouco tempo lá. Não me lembro de praticamente nada desse tempo.
Mas neste lugar, minha mãe ficou muito doente. De fato, meu pai pensou que perderia sua esposa. Ela teve que vir para São Paulo para um tratamento doloroso e difícil. Naquele momento meu pai pensou que talvez não tivesse mais oportunidade de continuar trabalhando na obra Adventista, afinal ele tinha que deixar o trabalho inacabado no Mato Grosso para dedicar-se ao tratamento de minha mãe em São Paulo. Mas Deus tinha outros planos. E meu pai foi transferido para o interior de São Paulo.
A cidade era “fim de linha”. Na verdade, acho que era depois do fim da linha, pois você vinha de trem de São Paulo até Fernandópolis (quase no fim do estado de São Paulo) e tomava uma Jardineira (o ônibus de então) com destino a Populina. Se estivesse chuvoso era uma aventura inesquecível. Muitas vezes tinham que colocar correntes nos pneus da Jardineira para rodar por aqueles atoleiros.

Estas eram as antigas jardineiras
 (para os que não viveram nessa época em que os 
ônibus tinham essa forma, meio caminhão e meio ônibus)

Nesta pequena cidade, eu tenho minhas primeiras lembranças. Na igreja, na escola, saindo com o meu pai para dar estudos bíblicos... Ali também nasceram minha irmã e meus dois irmãos: Ester, David e Silas.
Alguns amigos daquela época ainda são amigos até o dia de hoje: Emerli Marinelli (hoje esposa do Pr. Cláudio Vilela) e o Mário Martinelli (hoje Pr. Mário Martinelli).
Outro, o Natanael Targas se tornou o meu concunhado muitos anos depois. Estudamos com o meu pai, Pr. Lázaro, que era o nosso professor naquela escolinha no fundo da igreja de Populina.
Trabalhei, quando adulto, dez anos como professor, e até hoje tento entender como o meu pai conseguia ensinar em uma classe que havia alunos de séries diferentes. Mas eu aprendi a ler e a escrever e isso mostra que dava certo.

Colocando a Voz da Profecia na cidade

Meu pai aprendeu a amar a Voz da Profecia antes de ser Adventista. Ainda solteiro, e trabalhando em um bar no centro de São Paulo, ele se lembra que saía correndo para tomar a condução que o levaria ao Ipiranga, onde morava. Ia depressa, porque não podia se atrasar, pois queria assistir ao programa que mais apreciava no rádio, A Voz da Profecia. Na verdade, o Pr. Roberto Rabelo teve participação importante em sua decisão para o batismo. E agora, anos mais tarde, na pequena Populina, ele decidiu colocar o programa no serviço de alto-falantes da cidade.
Na cidade não tinha uma emissora de rádio, mas tinha uma série de alto-falantes espalhados pela praça e também pelas ruas que funcionavam como uma espécie de rádio.
Ele pediu os discos e finalmente chegaram. No dia marcado fomos para a praça para ver a reação das pessoas que ouviriam o programa.
Quando o programa iniciou, algumas pessoas se irritaram com aquele programa de "crente" nos alto-falantes da cidade.
"Tira essa coisa daí!" Eles reclamaram com o dono e operador do serviço de alto-falantes.
"Eu prometi que ia tocar e vou tocar." Respondeu aquele senhor.
E foi assim que Populina, já naquela época fez parte das cidades por onde A Voz da Profecia foi irradiada.
Nunca imaginaria que anos depois eu produziria os programas A Voz da Profecia para a TV e minha esposa seria a secretária responsável pelos envios dos CDs e controles das emissoras de rádio que transmitiam o programa.

1957 - Inicia-se meu “Grande Conflito”



No início desse ano, talvez antes, na verdade não sei, Deus chamou um anjo e disse:
“Está vendo aquela cidade ali, Santo André, no estado de São Paulo, no Brasil? Ali tem um hospital, Hospital Brasil. Vai nascer naquele hospital um menino. O nome dele será Jonatan de Oliveira Conceição, filho de Lázaro Jovino da Conceição, o Lazinho. Sua mãe é a Alda Oliveira da Conceição. Quero que você fique com ele. Proteja-o no que for necessário e se possível, traga-o para mim.”
Esse anjo tem me acompanhado desde então. Só o vi uma vez. Pelo menos eu acho que vi. Foi um lindo sonho:
Eu estava numa janela olhando para um lugar branco, bem iluminado, mas que eu não saberia identificar. Um rapaz havia caído e estava no chão.
De repente, por outra janela ouvi um barulho forte, mas suave. Algo como um “PUFFFFFFF”. E dois anjos entraram voando. Eles estavam indo para atender o rapaz ferido.
Eles eram lindos. Transmitiam paz e felicidade. Sua roupa parecia um vapor de um branco brilhante. Por toda roupa parecia haver algo parecido com botões, mas eram luzes avermelhadas como se fosse de neon. Que espetáculo! Nunca me esqueci.
Então, como num passe de mágica, “caiu a ficha”. Olhei para um dos anjos e eu não sei explicar como, imediatamente, só de olhar para ele eu soube que era o meu anjo.
Uma alegria que nunca senti invadiu a minha alma e dentro de minha mente parecia explodir a frase: “É o meu anjo! É o meu anjo! Meu anjo!”
Claro que os dois perceberam minha alegria e ao mesmo tempo minha excitação e os dois pararam por um instante e olharam para mim. O outro anjo olhou para o meu anjo e disse apenas pelo olhar, porque ele não abriu a boca, mas o meu anjo entendeu: “Vá até lá e fique com ele um pouquinho, ele está tão feliz.”
Eu quase não podia acreditar. O meu anjo estava se aproximando. Que alegria! Que alegria! Nunca me senti tão feliz em toda a minha vida.
Infelizmente sonhos acabam nos melhores momentos. Acordei. Mas nunca me esqueci. E eu sei, que no momento em que eu ver o meu anjo, saberei com toda convicção de que é ele. O meu anjo. O mesmo que me acompanha desde 1957.
Não sei se foi no mesmo dia em que Lúcifer chamou um de seus anjos e disse:
“Está vendo aquele hospital ali em Santo André? Vai nascer ali um moleque. Parece que os pais já escolheram o nome para ele, Jonatan. Gruda nele e se possível acabe com ele.”
Felizmente o meu anjo, enviado por Deus, tem sido muito mais forte e poderoso. Espero que ele cumpra a sua missão e me leve de volta para o meu Pai, meu Deus.

Claro que a gente não se lembra do dia em que nasceu e muito menos dos primeiros momentos, mas tudo começou (pelo menos do lado de fora de minha mãe) no dia 04 de abril de 1957, em Santo André, no estado de São Paulo. Meu pai trabalhava na Casa Publicadora Brasileira. Minha mãe também fazia alguns desenhos para a CPB e um dos personagens criados por ela que permanece até hoje. É o Noguinho. Naquela época ela criava as “Cartas Enigmáticas do Noguinho”. Na verdade do Noguinho de minha mãe só sobrou o topete, porque ele foi mudando com o passar dos anos.
Deus me colocou em um lar Adventista e isto já é um privilégio muito grande.
Não me lembro, mas minha mãe conta que quando ainda pequeno, em Santo André, um dia estava brincando próximo à minha mãe, e havia um tanque, uma piscina nas imediações. E eu, curioso, descobrindo o mundo, fui em direção a esta piscina. Minha mãe, quando percebeu, eu já estava dentro d’água. Esse foi um dia em que o meu anjo trabalhou um pouquinho mais, e o anjo da minha mãe também, porque teve que acalmá-la.
“O anjo do Senhor se acampa ao redor dos que o temem e os livra.” Salmos 34:7