sábado, 23 de outubro de 2010

Conhecendo Berlim

Priscila, Jonatan e Samuel em Berlim

Estava chegando o fim do mês de Julho de 2010 e também estava chegando ao fim a validade de nosso visto para permanecer na Ucrânia. Teríamos que deixar o país para renovar o visto.
Pouco antes de sair do Brasil, ainda em 2009, uma brasileira que morava em Berlim, Margarete Marquart, me enviou um e-mail. Ela assistia o programa Lições da Bíblia pela internet e ficou sabendo que eu estaria indo para a Ucrânia. Nesse e-mail ela me disse: “Ah, que bom que o senhor vem para a Ucrânia, pois agora, morando perto, poderá vir aqui pregar em um final de semana aqui, pra gente.”
Perto, é uma forma de dizer, “mais perto”. Porque de qualquer forma fica há mais de 1000 quilômetros de distância.
Mas, tendo que renovar o visto, pensei que talvez poderíamos conversar com ela e ir para Berlim. Foi o que aconteceu. Passamos 15 dias em Berlim. Foram dias maravilhosos. Eu pude estar entre os irmãos brasileiros em Berlim durante esses 15 dias, e claro, passear um pouco.

Conhecendo a cidade de Berlim
Passeando de Barco em Berlim

Berlin é uma cidade com mais de três milhões de habitantes, o que faz dela a maior cidade da Alemanha. Berlim foi sucessivamente a capital do Reino da Prússia, do Império Alemão, da República Weimar e do Terceiro Reich. Isto faz com esta seja uma cidade cheia de história e um verdadeiro museu a céu aberto. 
É uma maravilhosa. Quantos lugares impressionates e históricos para se conhecer. Mas o primeiro lugar que tínhamos que “conhecer”, ou realmente precisávamos ir era o Consulado Ucrâniano. Portanto, já na segunda-feira a nossa amiga Margarete nos acompanhou até o consulado. Depois de apresentarmos os documentos e pagarmos a taxa relativa ao visto, o cônsul nos disse que levaria uma semana para o documento ficar pronto. Por isso, durante uma semana estaríamos em Berlim, “sem lenço e sem documento”, ou seja, sem os nossos passaportes.
Uma paradinha em frente ao parlamento.
Samuel, meu filho, com a Catedral e a Torre de Berlim ao fundo.
O primeiro palácio que visitamos.

Que cidade incrível é Berlin. É uma cidade com muita história e mais de 200 museus. Para todo o lado que se vai tem algo lindo para se visitar. Na verdade, existem lugares em que a cidade é o próprio museu, pois quantos prédios, ruas e lugares fazem parte da história. Visitamos lindos palácios com seus maravilhosos jardins. Passeamos de barco, de ônibus, de trem e de bonde. 
Samuel, Jonatan e Priscila viajando de trem.

Mas deixe-me destacar alguns lugares que visitamos.
Um desses lugares foi o antigo muro que dividia a cidade entre dois povos. Após a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi dividida; Berlim Oriental se tornou a capital da Alemanha Oriental, enquanto Berlim Ocidental, se tornou um exclave da Alemanha Ocidental, cercada pelo muro de Berlim, entre os anos de 1961 até 1989.
Diante do pedaço do muro que resta. Um lugar para visitar.

Samuel olha foto colocada no muro onde mostra como era antes e como é hoje.

Local onde antes passava o muro com um pedaço do muro de pé. No chão a marca por onde a alemanha era dividida por esse muro. Priscila está de um lado e Samuel do outro.

Pintura no muro marcando a data em que ele foi derrubado, 1989.

Um muro, que durante muitos anos foi símbolo de prisão para os que queriam ter liberdade de ir e vir. Um muro que começou a ser erigido em 1961 e só foi derrubado em 1989. Quantos morreram tentando fugir para a Alemanha livre. Ainda me lembro em 1989 quando assistimos o início da derrubada do muro em nossa casa em Curitiba.


Visitando Um Campo de Concentração
Entrada do campo de concentração

Outro lugar, muito triste de se visitar, foi um campo de concentração. Vimos o lugar onde milhares de pessoas perderam suas vidas por fuzilamento. E o lugar onde os corpos eram incinerados, muitos ainda vivos. Esse não foi um lugar agradável para se visitar, mas infelizmente faz parte da história desse mundo tão mal.
Samuel olha foto de como foram encontrados os prisioneiros.

Jonatan olhando de dentro do campo para fora. Impossível fugir.

Local para fuzilamento.

Fornos onde eram queimados corpos e pessoas vivas.

Wittemberg
Jonatan, Priscila, Samuel e Margarete em Wittemberg

Mas tive o privilégio de visitar alguns lugares que para mim foi um presente de Deus. Um deles foi a cidade de Wittemberg. Um lugar histórico pois aí viveu Martinho Lutero.
É uma cidade pequena, mas muito simpática, onde vivem ciquenta mil pessoas. A cidade guarda uma importância histórica religiosa pois aí foi um dos cenários da Reforma Protestante.
Foi na porta da Igreja do Castelo de Wittemberg que Martinho Lutero pregou suas 95 teses.
Para mim foi um privilégio Conhecer o museu de Lutero. Visitar sua antiga casa. Visitar as igrejas de sua época e onde ele pregou. Olhar para a Universidade onde ele lecionou. Um lugar para se meditar.
Coluna onde Lutero diz que foi inspirado pelo Espírito Santo.

Sala da casa de Lutero.
Hino Castelo Forte, composto por Lutero e que está no museu de Lutero.

Próximo a Universidade de Wittemberg onde Lutero Lecionou.

Priscila e torre da igreja onde estão as 95 teses e Lutero.
Priscila e Samuel na simpática cidade de Witemberg.

Túmulo de Lutero dentro da igreja.

Lutero e Jonatan

Voltando para Berlim de trem

Pergamon Museum
Priscila e Samuel em frente ao museu

Um deles foi o Museu de Pérgamo ou Pergamon Museum. Logo na entrada do museu se pode admirar o magnífico Altar de Pérgamo,  uma estrutura dedicada a Zeus, originalmente construída no século II a.C. na cidade grega de Pérgamo (atual Bergama, na Turquia).
Aqui estou eu em frente ao grande templo de Pérgamo.

A construção, que sofrera muito com o tempo e estava destruída, foi escavada, no final do século XIX, em seu sítio original, e suas partes enviadas para a Alemanha por uma expedição arqueológica liderada por Carl Humann. O altar foi então abrigado no Museu Pergamon em Berlim.
Priscila dentro do Museu
Priscila e Jonatan junto ao portal de Ishtar

Nesse museu há coisas maravilhosas para se conhecer, mas conhecer as peças que vieram da Babilônia foi a realização de um sonho. Claro que o que mais chamou a atenção foi a Porta de Ishtar. Este foi o oitavo portal da cidade mesopotâmica da Babilônia, construída por volta de 575 a.C. por ordem do rei Nabucodonosor II no lado norte da cidade.
Portal de Ishtar
Já imaginou estar ao lado de uma construção erigida na época de Nabucodonozor?
 Andar olhando para coisas que o profeta Daniel viu? 
Jonatan na grande avenida que seguia a entrada do Portal Ishtar
Realmente foi um grande privilégio que Deus nos deu.
Vista interna do corredor com os muros babilônicos.

Portal de Ishtar.

Eu e Priscila ouvindo a história através dos fones de ouvido providos pelo museu.
Dedicado à deusa babilônica Ishtar, o portal foi construído em fileiras de azulejos azuis brilhantes mesclados com faixas de baixo-relevo ilustrando sirrushs (dragões) e auroques.
O teto e as portas foram feitos em cedro, de acordo com a placa dedicatória. Através do portal corria o caminho procissional lineado por paredes cobertas por leões em tijolos envidraçados (aproximadamente 120 deles).
Estátuas de divindades eram conduzidas através do portal durante as procissões uma vez por ano durante a celebração do Ano Novo.
Originalmente o portal foi considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, sendo substituído pelo Farol de Alexandria algumas centenas de ano a frente.
A reconstrução da Porta de Ishtar e da via procissional foi feita no Museu do Antigo Oriente Próximo, uma seção do Museu Pergamon em Berlim, utilizando o material escavado por Robert Koldewey, tendo sido finalizada em 1930. Inclui também a placa de inscrição. Possui uma altura de 14 metros e extensão de 30 metros. A escavação se deu entre 1902-1914, durante esse tempo foram descobertos 15 metros até a fundação do portal.
Estar olhando o que Daniel olhou em sua época foi um privilégio para nós. Foram momentos inesquecíveis.
E isso era apenas parte do que havia no museu, havia muita, mas muita coisa mesmo pra se ver.
Neues Museum

Outro museu que visitamos foi o Neues Museum (em português: "Novo Museu"). Esse museu está localizado ao norte do Altes Museum (Museu Antigo) na Ilha dos Museus.
Foi construído entre 1843 e 1855 de acordo com os planos de Friedrich August Stüler, um aluno de Karl Friedrich Schinkel. O museu foi fechado no início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, e foi severamente danificado durante o bombardeio de Berlim. Ainda hoje pode-se ver marcas de balas em muitas paredes e colunas desse museu e em vários prédios nas redondezas. Marcas de um tempo muito difícil para o povo alemão.
Vista interna do Museu
Como voltar ao antigo Egito
Priscila e Samuel voltando no tempo.

A exposição inclui coleções sobre o Antigo EgitoPré-História e história recente. Dentre os artefatos que o museu abriga está o busto da rainha egípcia Nefertiti que está em uma sala especial só para ela. As pessoas param e ficam admirando a estátua dessa linda mulher.
Nerfetiti
Mas o que eu mais queria encontrar era uma estátua que eu sabia que estava lá. Era a estátua da rainha Hatshepsut. Uma rainha que nasceu em Tebas. Era a filha mais velha do rei Tutmés I (Tutmósis I) e da rainha Ahmose. Essa rainha governou o Egito. Mas, na verdade eu queria ver uma estátua em especial. Era uma “estátua cubo” (estátuas nas quais apenas a cabeça emerge de um bloco de pedra) onde ela aparece com um menininho.

No museu e em outras pesquisas é nos dito que esse menino é Senemut, um oficial do exército de origem modesta, é por vezes visto como mordomo de Hatchepsut.
Mas, muitos crêem que esse menino seja na verdade o pequeno Moisés da Bíblia. Afinal de contas, Hatshepsut não teve filhos e o menino que aparece nas quatro estátuas cubos conhecidas dela, e que estão espalhadas por alguns museus no mundo,  têm em sua cabeça o símbolo real. Portanto esse provavelmente seria um filho de criação que no futuro seria o faraó. Isso não aconteceu, pois Senemut desaparece na história. Mas se ele foi realmente o Moisés da Bíblia ele ressurgiria na história novamente 40 anos depois como líder do povo de Deus.
Jonatan ao lado da estátua do provável pequeno Moisés
Priscila e o pequeno Moisés.
Samuel e o Pequeno Moisés

Foi com emoção que eu me encontrei com o pequeno Moisés e pude fotografá-lo e ser fotografado ao seu lado. Desejo muito poder me encontrar com o Moisés de novo, mas não o da estátua, mas o Moisés que hoje se encontra no céu.

Semana de Oração em Berlim
Igreja Adventista em Berlim e cartaz anunciando a Semana de Oração.



Outro privilégio que tive foi estar com os irmãos brasileiros de Berlin durante esse período. Realizei ali com eles uma semana de oração. Pude pregar a cada noite sobre a breve volta de Jesus e a necessidade de nos prepararmos para esse encontro.
Todos os dias, dedicávamos algumas horas para passearmos por Berlim e arredores e à tardinha voltávamos para o local onde estávamos para as reuniões da noite.
Todas pessoas que estiveram conosco eram muito amáveis e na sexta-feira, uma dessas amigas nos levou para conhecer um palácio em especial que está próximo a Berlim: o Sans Soucci. Realmente um lindo palácio. Desta vez só pudemos conhecê-lo por fora, pois tínhamos que voltar para a reunião da noite. Mas valeu à pena. Foi ótimo. Obrigado a todos vocês que fizeram a nossa estada em Berlim ser inesquecível.

No sábado encerramos com uma linda Santa Ceia.
E na despedida teve um toque de emoção. Sentiremos saudades de todos.



Sentindo a mão de Deus
Infelizmente, tudo o que é bom chega ao fim (pelo menos aqui na terra), e chegou a hora de irmos embora.Mas como queríamos aproveitar o máximo ainda ficamos na casa de alguns novos amigos e saímos já meio atrazados para o aeroporto.
Um táxi veio nos buscar e rapidamente chegamos ao aeroporto que não era tão distante assim.
Eu havia pesado as malas e me certifiquei que cada uma delas tivesse no máximo 23 kg pois eu estava certo de que esse era o peso máximo que a companhia aérea permitia.
Qual não foi minha surpresa quando ao fazer check-in ver que eu tinha 10 kg extras. Teria que pagar cerca de € 20 por kilo, ou seja € 200. Era muito dinheiro.
Tentei argumentar e pedir, mas não havia acordo.
Me arrependi de não ter comprado uma pequena mala durante essa semana. Nós havíamos falado sobre isso, mas eu realmente não acreditava que estaríamos com peso extra.
Pedi então para tirar alguma coisa das malas e levar em cima conosco como bagagem de mão. A moça pediu para pesar nossa bagagem de mão. E depois de certificar que não tínhamos muita coisa, permitiu.
Na verdade eu mostrei a ela apenas as três principais bagagens de mão, mas cada um de nós tínhamos 2 bagagens de mão, uma pasta ou mochila e uma sacola.
Fui para um lado do balcão e comecei a retirar algumas coisas das malas. Pensei em colocar alguma coisa dentro das sacolas que carregávamos, mas quase não cabia nada. Onde eu poderia colocar o que estava sendo retirado das malas?
De repente, apareceu não sei de onde, uma pequena mochila de plástico. Ela estava vazia. Olhamos para os lados. Não tinha dono.
Eu sinceramente, não tinha visto aquela mochila antes e também não vi ninguém colocando a mochila ali. Creio que um anjo a deixou ali para nós. Colocamos o que pudemos nessa pequena mochila.
Mas ainda tinha 5 kg extras e portanto eu teria que pagar € 100 euros.
A moça me indicou o lugar onde eu deveria pagar: terminal 2. Caminhei para lá e no caminho fiquei imaginando se Deus não gostaria de nos dar aqueles € 100 euros. Afinal de contas, Ele já havia providenciado a mochila de plástico. Como o terminal 2 era longe, havia muito tempo para pensar. Era quase do outro lado do aeroporto. Passei pelo 4, pelo 3 e agora... um policial me parou.
Aquela área do aeroporto estava fechada. Parece que havia uma ameaça de bomba ou coisa parecida. O fato era de que ninguém entrava para aquele lado, só policiais.
Perguntei para ele que horas aquela parte do aeroporto seria aberta, mas ele respondeu que não entendia inglês.
Tentei ir pelo lado de fora, mas do lado de fora também estava cheio de policiais e um cordão que isolava todo o terminal.
Tentei perguntar para outro policial e ele me indicou no relógio que o terminal 2 seria novamente aberto dentro de aproximadamente 1 hora.
Voltei para o balcão da minha companhia aérea em busca de instruções do que deveria fazer. Mas, dentro do meu coração, comecei a alimentar o pensamento de que realmente Deus queria me dar aqueles € 100 euros. Ele já havia providenciado uma mochila e fazer com que o terminal não abrisse seria apenas mais um de seus milagres.
E foi o que aconteceu. O Terminal 2 não abriu e eu não precisei pagar o quilos extras.
Deus faz algumas coisas que são impressionantes pois eu não merecia nada disso. Deus é bom demais.
Embora tivemos chuva pesada em várias partes da Europa, e nós podíamos ver as nuvens ao nosso redor, chegamos bem em Kiev, a capital da Ucrânia.
E agora eu estava diante do policial da alfândega que examinava o meu visto quando o Pr. Daniel Reband, meu chefe na Divisão Euro Asiática chamou-me no celular. Ele disse:
“Hello!”
E eu estava tão distraído e feliz por ter chegado bem que respondi:
“Oi pastor. Como está? Tudo bem? Eu estou aqui em frente ao policial da alfândega e lhe ligo de volta daqui há pouquinho. Está bem?”
O pastor apenas respondeu:
“Ahnnn? Ok.
Atrás de mim, o Samuel e a Priscila riam muito e por um momento não entendi qual era a graça.
A graça é que eu falei tudo isso em português e o obviamente o Pr. Daniel não fala nada de português.
Depois de passar pela alfândega liguei de novo para ele e desta vez falei em inglês. Pedi desculpas por atendê-lo em português e sem me dar contas de que eu estava falando em minha língua.
Talvez foi porque tivemos 15 dias em Berlin, uma cidade onde se fala alemão, mas eu estava entre meus irmãos brasileiros e pude falar a minha língua à vontade.
Chegamos em casa já era madrugada da segunda-feira. Agora tínhamos visto válido para mais um ano na Ucrânia. O que será que Deus tem reservado para nós aqui nesse lugar? Essa parte da história ainda está por ser escrita.

sábado, 11 de setembro de 2010

Indo para as reuniões da Conferencia Geral


Providenciando o visto para o Samuel
No mês de maio tive a confirmação de que iria aos Estados Unidos da America para participar das reuniões da 59a.Conferencia Geral da Igreja Adventista em Atlanta, nos Estados Unidos. Já havia participado em outras ocasiões, mas essa teria um novo sabor, pois queria ir com a minha esposa e meu filho.
Pesquisei os preços de passagens aéreas para lá e percebi que tinha o dinheiro necessário para a passagem. Eu e minha esposa também tínhamos o visto necessário para entrar no país, mas e o Samuel? O meu filho? Será que conseguiríamos o visto para ele aqui na Ucrânia.
Fizemos o procedimento necessário para a entrevista no consulado americano em Kiev e finalmente chegou o dia da entrevista. Pouco antes do horário agendado, lá estávamos no consulado. Como acontece no Brasil, havia filas e mais filas de pessoas aguardando a sua vez para serem atendidas.
Quando chegou a nossa vez e fomos entrar o guarda disse:
“Apenas ele vai entrar, o senhor terá que aguardar aqui.”
Embora ele tivesse falado em Ucraniano, pude entender muito bem e isso me deixou preocupado. Eu tentei argumentar com ele em inglês dizendo que meu filho não falava ucraniano, russo ou inglês e não haveria maneira de ele ser entrevistado, pois ele falava português.
Ele chamou outra pessoa que falava inglês, e ele me deu a mesma resposta:
“Só pode entrar a pessoa que está requerendo o visto.”
Com ele eu podia falar em inglês e portanto expliquei novamente que tinha que entrar para ser o intérprete do meu filho. Ele disse que não podia fazer nada.
Confesso que fiquei muito preocupado e embora já houvesse orando antes, agora orava em minha mente mais constantemente:
“Ó meu Pai, me ajude a resolver esse problema. Continua conosco e nos ajude mais uma vez.”
Ele pediu que eu saísse da sala e me conduziu a um telefone que estava do lado de fora. E disse que eu tomasse o telefone e falasse com o responsável dentro do consulado.
Orei mais uma vez e tomei o telefone.
Alguém atendeu e eu comecei a explicar a minha situação. A primeira frase daquele homem me deixou de novo gelado:
“Só quem está requerendo o visto pode entrar.”
Eu disse que ele poderia entrar, mas que não adiantaria, pois não teria alguém que falasse português ou espanhol lá dentro.
Ele pediu que eu aguardasse. E depois de uns 5 minutos que pareceram ½ hora de silêncio ele me disse:
“Ok, o senhor pode entrar com ele.”
Eu orei em silêncio:
“Obrigado, Senhor, mais uma vez.”

Entrar, não significava ter o visto. Eu tinha experiência nisso, pois tive o meu visto negado para os Estados Unidos 6 vezes. E ainda tenho meu velho passaporte com os 6 carimbos atestando esse recorde.

Dentro havia outra fila para o uma primeira entrevista. Essa foi rápida e no final a pessoa me disse:
“Good luck.” Boa sorte em inglês.
Fiquei preocupado se isso seria uma espécie de loteria, onde se tem que contar com a sorte para alcançar o prêmio que você almeja.
Aguardamos em outra fila para o pagamento de uma taxa e finalmente na última fila onde seríamos entrevistados.
Como de outras vezes que estive no consulado americano no Brasil, a gente fica olhando as pessoas. Algumas saem alegres pois receberam o visto e outros saem muito tristes porque receberam um não.
Chegou a nossa vez. Eu havia trazido todos os documentos necessários e ainda uma carta da União Ucraniana atestando que eu era e o que fazia. Também uma carta apresentando o Samuel como meu filho e o que ele fazia como voluntário no estúdio do Hope Channel na Ucrânia. Também havia trazido os certificados escolares do Samuel, meus comprovantes de pagamento, outros documentos, porque sei que muitas vezes eles pedem coisas e mais coisas. Lembre-se de que eu sou campeão em visto negados (rsrs).
A entrevista foi muito curta.
Eu disse quem eu era e o que fazia e o propósito da viagem aos Estados Unidos.
O cônsul tomou as cartas e achou interessante o nome Hope Channel, mas nem olhou o que eu havia trazido. Nem mesmo o meu passaporte onde estava o meu visto para os Estados Unidos. Pegou os documentos do Samuel e despediu-se dizendo no final:
“Good luck.” Boa sorte em inglês.
Agora eu fiquei preocupado, pois eu esperava que ele me dissesse: “Ok, o visto foi concedido.”
Passamos mais 4 dias aguardando. Finalmente chegou a correspondência com o passaporte. Teria o passaporte o visto ou um carimbo negando o visto?
Era uma situação difícil, pois a Priscila não queria ir e deixar o Samuel sozinho aqui na Ucrânia. E eu não queria ir sozinho e deixar os dois aqui na Ucrânia. E quando eu digo sozinhos é porque não temos nenhum conhecido brasileiro aqui em Kiev. Somos só nós 3. Nos sentimos totalmente isolados aqui.
Abri o passaporte e qual não foi a minha surpresa, pois lá estava o visto para 10 anos. Esse meu Deus é impressionante.
Ele me trouxe para cá e tem agido de forma impressionante. Eu fico pensando até onde Ele irá me levar? O que virá depois? Ele é maravilhoso.

Uma economida de quase U$ 1000 dólares.
Havíamos feito a cotação para a compra dos bilhetes e eles nos custariam cerca de U$ 1,300 dólares cada um. Já tínhamos reservado o dinheiro e o pessoal da divisão queria emitir os bilhetes para manter esse preço que eles consideravam muito bom. Afinal, quanto mais perto do mês de julho estivéssemos, mais caro seria o bilhete, por causa da alta temporada. Mas emitir o bilhete e depois ter um visto negado, seria perder todo esse dinheiro.
Agora com o visto na mão fizemos uma nova cotação.
Mais uma vez pude ver a mão de Deus atuando. O bilhete agora, em plena alta temporada, foi comprado por U$1000 dólares. Tivemos uma economia de cerca de U$ 300 dólares cada um. Esse meu Deus não é maravilhoso?
Jonatan e Priscila no aeroporto de Paris

Foi uma longa viagem. Fomos de Kiev a Paris, depois de Paris a Atlanta e finalmente de Atlanta para Dallas.
Fomos para Dallas porque alí moram minhas cunhadas.
Reencontro com as irmãs que não via há 10 anos. Vasti, Priscila, Débora e Ester.

Chegamos perto da ½ noite em Dallas e lá estavam as irmãs que a Priscila não via a 10 anos. Vocês podem imaginar o reencontro. Muitos abraços, muitos sorrisos, muitas lágrimas de alegria... Lá estavam a Débora, a Ester e a Vastí. Passamos o final de semana lá. Ali também ficou meu filho Samuel com os primos. Mas eu e a Priscila fomos para Atlanta.
Ester, Vasti, Débora, Priscila e David. Reencontro na casa do irmão.


Samuel e sobrinhos em Keene no Texas.


Conferência Geral em Atlanta


Não sabia como seria a recepção em Atlanta, mas logo na chegada encontrei os meus amigos da Divisão Sul Americana que estavam esperando os delegados da América do Sul.
O que você acha que eles pensaram?
“Oi, como vai?” Vamos ver aqui em nossa lista em que hotel você está?”
Exatamente. Pensaram que eu ainda estava trabalhando na Divisão Sul Americana.
Expliquei que agora não estava mais na DSA. Mas confesso, que o coração ficou apertado, pois ainda sinto que aí no Brasil é o meu lugar.

Fomos para a estação do metrô e quando estava comprando nosso bilhete para o metro encontrei o meu amigo russo, Tixon. Ele havia acabado de chegar também. E assim fomos no mesmo metro. Ele disse: “Esse mundo é mesmo pequeno.”
Ele tinha razão, pois foi uma boa coincidência encontrá-lo na chegada.
No outro dia fomos para o local onde diversas divisões e instituições montariam seus stands para mostrar um pouco do que têm feito.
Palco do Stand do Hope Channel



O stand do Hope Channel era enorme. Havia um palco onde eram transmitidos ao vivo programas World of Hope. E em torno desse palco e auditório estavam os stands dos demais Hope Channel: o Esperanza TV, o Hope Channel da China, o Arabic Hope Channel, o Hope Channel Alemão, o Esperanta TV da Romênia, a TV Novo Tempo do Brasil, a TV Nuevo Tiempo da America do Sul, a TV Hope Channel África e é claro o Hope Channel Europe, do qual fazemos parte.
Priscila em nosso stand

Praticamente todos os dias estávamos ali divulgando o nosso trabalho e compartilhando os nossos sonhos.
Havia uma TV onde passávamos alguns de nossos programas. Coloquei abaixo o vídeo com os nossos programas para que você tenha uma idéia do que apresentávamos ali.







Aliás, por falar em tela, atrás do palco do Hope Channel havia diversas TVs e em cada uma delas um vídeo era apresentado com os programas que cada canal apresentava.


Painel onde eram apresentados vídeos com as programações do Hope Channel em torno do mundo.

Tive que preparar um vídeo para ser apresentado aqui e milhares de pessoas podiam ter uma idéia da dimensão que o Hope Channel tomou nos dias de hoje. Milhares de pessoas podem ter contato com essa esperança através da televisão ao redor do mundo.
Tivemos o privilégio de participarmos de um dos programas World of Hope. Eu e a minha esposa Priscila fomos entrevistados no programa. Nós com a nossa roupa ucraniana fizemos sucesso por onde passamos, e claro que na entrevista estivemos vestidos a caráter.
Entrevistados no Hope Channel.


Com a nossa roupa típica, sentados entre os missionários.

Um dos momentos de muita emoção em minha vida foi na sexta-feira, 25 de junho. Todos os missionários que estavam na Conferencia Geral foram convidados a participar da apresentação do relatório do Pr. Mathew Bediaco, secretário da Associação Geral. Quando ele convidou a todos nós para ficarmos de pé, e milhares de pessoas começaram a aplaudir os missionários e dezenas de fotógrafos começaram a nos fotografar, confesso que nunca imaginei que um dia eu pudesse fazer parte de um grupo de missionários como esse e estar em um lugar assim. Os nomes de todos os missionários passaram pelos diversos telões do Ginásio e ali estavam o meu nome e o nome da Priscila. Foi muita emoção. Tenho que confessar que tive que segurar as lágrimas, porque elas vieram.
Nossos nomes nos telões do Ginásio.



Pessoas fotografando os missionários.



Nosso pin que indicava nossa posição de missionários.


Outro dia de muita emoção foi o domingo, dia 27 de junho. Nesse dia a nossa divisão apresentou o nosso relatório. E lá estávamos nós, com as roupas típicas da Ucrânia, no palco. 


Pr. Arthur Stelle e o grupo de obreiros representando a Divisão Euro-Asiática

Priscila e Jonatan no palco da Conferência Geral, entre os obreiros da Divisão Euro-Asiática.


De novo sentimos a emoção de sermos aplaudidos por milhares de pessoas no auditório. Depois de sairmos do palco foi apresentado o vídeo relatório que mostrava um pouco do trabalho da igreja na Rússia. Coloquei aqui o vídeo que apresentamos na Conferencia Geral para que você conheça um pouco do trabalho que tem sido realizado aqui nesta parte do mundo.

Durante toda aquela semana milhares de pessoas passaram pelo stand do Hope Channel Europe e sempre levavam um pequeno brinde para poderem se lembrar de nós.
Priscila e Jonatan no stand do Hope Channel Europe



Jonatan, Priscila e visitantes ucranianos


Jonatan no Stand do Hope Channel Europe

Muitos foram os brasileiros que passaram por lá e relembraram os bons momentos da TV Novo Tempo e nossa participação no programa Lições da Bíblia.
Pude sentir o carinho que os nossos irmãos têm por mim e fico muito agradecido a eles pelo carinho, mas especialmente a Deus por ter me proporcionado esse privilégio.
Fiquei muito feliz em encontrar meus amigos pastores que paravam e vinham me abraçar. Encontros com amigos bastante chegados.
Priscila e Pr. Stina no Stand de nossa Divisão.

Alguns tomavam um susto quando nos viam com as roupas típicas, porque não nos reconheciam de imediato.
Também encontramos outras pessoas importantes e de expressão dentro de nossa igreja e foi bom podermos encontrá-los.

Depois de encerrada as reuniões da Conferencia Geral voltamos para Dallas, Texas, onde temos nossos parentes. Tivemos uma semana de férias que foi ótimo.
Como pastor nunca para, preguei na quarta-feira na igreja de Dallas e no Sábado para me lembrar do programa Lições da Biblia, recaptulei a lição com os jovens. De novo pude sentir o carinho dos irmãos que eram telespectadores do programa Lições da Bíblia.

Por quê fui para a Rússia.
O Sábado foi especial. Estavam iniciando a Semana de Oração na igreja de Dallas e imaginem quem era o orador?
O Pr. Rodrigo Silva, meu companheiro do programa Evidências. Que feliz reencontro foi aquele.
No horário do culto ele me fez uma pergunta de público:
“Jonatan, por que você foi para a Rússia?”
Eu disse a ele que há alguns anos eu havia lido um livro que contava da conversão de um ex-bruxo. Nesse livro ele contava de como pedia ao espírito mal que o usasse como uma luva. E ele contava que muitas vezes ele ficava possesso e não se lembrava do que fazia porque o inimigo o usava para realizar o seu trabalho.
Depois disso fiquei pensando se eu não deveria orar pedindo ao Espírito Santo que me usasse como uma luva também. E foi o que eu passei a fazer:
“Querido Pai, muito obrigado por ter enviado o Seu filho Jesus para morrer por mim aqui nessa terra. Querido Jesus, eu quero dizer mais uma vez que aceito o seu sacrifício na cruz do Calvário e peço perdão pelos meus pecados.
Te agradeço meu Pai, porque o Senhor enviou o Divino Espírito Santo para estar conosco aqui. E  agora eu quero dizer ao Espírito Santo que me use como uma luva. Estou disponível. Usa Senhor. Em nome de Jesus, amem.”
Essa era a oração que eu fazia.
Em Março de 2008 eu estava nos Estados Unidos e estava esperando um outro avião no aeroporto e para passar o tempo comecei a ler um livrinho que havia comprado alguns dias antes, “A Oração de Jabes.” O livro era tão pequeno que li todo o livro rapidamente.
Comecei a orar a oração de Jabes:
“Ó Senhor, sê comigo a tua mão e me abençoes. Senhor alargue as minhas fronteiras. Senhor, me livre de dores e aflições. Assim como o Senhor abençoou a Jabes, abençoe a mim também. Em nome de Jesus, amem.”
Naquele ano mesmo, no mês de junho veio o convite para trabalhar na Rússia. Aquilo foi um susto para mim. E embora eu estivesse disponível pára ser usado como uma luva, e tivesse pedido para que o Senhor alargasse minhas fronteiras, eu fiquei com medo. Parei de orar a oração de Jabes.
O chamado não se confirmou, e em setembro veio a resposta de que realmente não havia se confirmado o chamado. Mas fui convidado para trabalhar por um mês em Angola, na África. De novo pude ver que Deus ampliava minhas fronteiras e fiquei muito feliz. Voltei a orar a oração de Jabes.
Na semana seguinte apos ter voltado da África, fui apresentado ao Pr. Daniel Reband, diretor do Hope Channel em língua russa que estava no Brasil. E depois de conversarmos ele me perguntou:
“Você aceitaria um chamado para trabalhar na Rússia?”
Perguntei ao pastor Rodrigo no púlpito de Dallas:
“Eu já tinha dado a resposta à Deus, não tinha outra resposta. Não havia como negar que esse chamado vinha dele. Não existe fronteira maior do que a Rússia, o maior pais do mundo e a maior Divisão em extensão territorial em nossa igreja. A resposta só podia ser, sim."

No domingo, 11 de julho voltamos para a nossa casa ucraniana em Kiev. Que bom que Deus esteve conosco todo esse tempo. “Ele é bom e Sua misericórdia dura para sempre.”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

VISITANDO A RÚSSIA

Praça na cidade de Tula

Visitando a Rússia pela primeira vez

No início do mês de junho de 2010 a Rússia abriu suas fronteiras para os brasileiros. Desde o dia 4 de junho, os brasileiros não precisam mais de visto para ir para a Rússia.
Isto estimulou o Pr. Daniel a me convidar para visitar o nosso centro de mídia da Divisão Euro-asiática.
No dia 13 de junho de 2010 saímos em direção à Rússia. Nossos destinos seriam nossa instituição chamada de “Luz de Esperança”, que é uma espécie de Voz da Profecia para a nossa divisão.
Cheguei na fronteira um pouco apreensivo, afinal eu não tinha visto de entrada e só havia ouvido falar de que a partir do dia 4 de junho os brasileiros não precisariam mais de visto para a Rússia.
Toda fronteira de pais me deixa facinado. Parece estar entrando em um outro terreno, um outro mundo, um território proibido. E de certa forma, nós que não conhecemos a Rússia, pensamos na Rússia como um pais proibido, ou pelo menos misterioso. Isso por causa dos longos anos de dominação soviética. E de certa maneira ainda permanece misterioso. Eu estou nesta região há algum tempo e tenho tentado ler o máximo de livros que conta um pouco da história dessa parte do mundo e sua conexão com a igreja, mas descubro que há muito a aprender ainda.
Fronteira Rússia-Ucrânia. Passaportes e papeis preenchidos prontos para serem entregues.

Na fronteira, o soldado olhou meu passaporte com curiosidade. Afinal, não são muitos brasileiros que passam pela fronteira de carro, como eu estava passando.
Ele procurou o visto e claro que não achou. Dissemos a ele que os brasileiros não precisavam mais de visto. Ele foi checar.
Voltou alguns momentos depois e carimbou o meu passaporte e o devolveu.
Pronto. Já estava em território russo. Naquela fronteira eu fui o primeiro brasileiro a entrar sem visto. Foi o que o policial me disse.
Depois de alguns quilômetros, o Pr. Daniel me passou o volante e depois de mais de seis meses sem dirigir, voltei a dirigir um carro. E em terras russas.

O dia estava lindo. Muito sol e a primavera em todo o seu explendor fazia com que os campos verdes ficassem mais bonitos ainda. A idéia de um pais branco pela neve, saiu da minha mente. A Rússia era tão verde quanto o Brasil. Pelo menos nessa época do ano.
Chegamos em Tula a noite já estava chegando. Fomos direto para a sede da “Luz de Esperança”. Ali o diretor Pr. Serguei já nos esperava.
Esse prédio foi construído há quase 20 anos e desde então a Voz da Profecia em russo tem sido pregada pro todo o país.
Sede da Voz da Profecia em Tula, na Rússia.

Na época da União Soviética, os russos tinham rádio a cabo. Estamos acostumados no ocidente a ouvir TV a cabo, mas rádio a cabo? O que é isso? 
Para evitar que os russos ouvissem as rádios ocidentais, cada apartamento tinha um rádio que era conectado via cabo. Tinha três botões e cada botão era de uma estação diferente. 
Claro que esse rádio de apenas três estações era usado para difundir a mensagem soviética. E uma dessas mensagens era a de que Deus não existe e que a religião é o cancer que pode destruir a nossa sociedade e deve ser extirpada do corpo soviético.
Atualmente, ainda muitas casas ainda tem esse rádio a cabo funcionando em seus lares e acreditem... hoje temos a nossa mensagem sendo transmitida através desse sistema que antes dizia que Deus não existia. Hoje a Luz de Esperança "ГОЛОСА НАДЕЖДЫ"  (http://golosnadezhdi.ru/) mostra ao mundo que existe esperança e a esperança é esse nosso Deus.
Sede da Voz da Profecia em Tula, na Rússia.

Demos uma olhada nas dependências e deixamos a nossa bagagem lá. Ali havia dois quartos que tinham sido preparados para passarmos a noite.

Fomos até a casa do filho do Pr. Daniel, onde jantamos. Pude ver como os apartamentos da época soviética são pequenos. Mas muitas pessoas vivem neles. Na verdade são apenas dois cômodos interligados: sala (quarto) e cozinha.

Rodovia que leva até Moscou. Aqui estamos próximos à Universidade Adventista na Rússia.

No outro dia logo pela manhã saímos em direção a Zaosky. Nesta cidade fica a Universidade Adventista. A estrada em muitos pontos parece com a rodovia dos Bandeirantes no estado de São Paulo, pelo menos nessa época do ano em que tudo está verdinho. Nessa época do ano temos agradáveis 25 a 30 graus positivos, mas no inverno a coisa fica "russa" e temos menos de 25 graus negativos. Na verdade as temperaturas podem chegar a cerca de -40 graus nessa parte do país. Acho que vou continuar visitando a Rússia na primavera ou noverão. 
Prédio central da Universidade onde funciona a faculdade de Teologia.

Nossa Universidade é um lindo colégio interno com boas dependências. Nesse colégio são formados os nossos pastores. Durante muitos anos os nossos pastores não tinham onde estudar, mas agora têm esse lindo colégio interno onde entre os cursos está o principal: Teologia. 
Outra vista do colégio

Vista interna da igreja da Universidade.

Uma das coisas que me chamou a atenção são alguns alojamentos que foram colocados ali na época em que o colégio foi construído. Toda mão de obra na construção era voluntária. Pessoas vinham de todas as partes e doavam 15, 30 dias ou mais de trabalho. E para aloja-los foi providenciado uma casa em forma de tubo.
Atualmente alunos casados moram nesses tubos. Não creio que seja muito confortável, mas é o que eles têm no momento.
Eu creio que poderia chamar de "Tubocasas" esses alojamentos.


Entrada do alojamento.


Lago e ponte no terreno da Universidade.

Casas próximas ao colégio.

O colégio está localizado em um lugar muito agradável com lago e parques.
Casa Publicadora Russa próximo ao colégio.

Bem próximo, cerca de apenas uns 700 metros está nossa editora que publica os livros adventistas em língua russa. Fico imaginando o que pensam as pessoas que durantes anos trabalharam como editoras de uma pessoa só datilografando folhas de literatura com papel carbono e agora vêem milhares de páginas saindo por dia e sendo espalhadas de forma livre pela Rússia. Deus tem dado um tempo de liberdade a esse povo. Oremos por eles.
Olhamos alguns possíveis lugares para um estúdio de TV, pois a universidade tem interesse em ter o curso de Comunicação aqui e depois fomos embora. 

Na volta fizemos um rápido tour em Tula onde conheci a estátua do melhor ferreiro da cidade.
Estátua do melhor ferreiro da cidade com sua pulga na mão.

Dizem que ele fazia tão boas ferraduras que podia ferrar uma pulga. Na estátua ele aparece segurando uma pulga. Confesso que  não vi nem a pulga e nem a pequenina ferradura para a suposta pulga. Mas tirei uma foto no local.
Não vi a pulga, mas imitei o ferreiro. Aliás tem aquele ditado que diz: "Em casa de ferreiro, a pulga..." hummm! Deixa prá lá.

Também visitamos as lojas com os sovenirs da cidade: uma espécie de chaleira e as conhecidas bonequinhas russas.
Muitas bonequinhas russas, as Matrioskas.


Nosso almoço foi na casa do Pr. Serguei e logo depois voltamos para a estrada. Quase 800 kilômetros nos separavam de casa. Chegamos em casa tarde da noite, mas fiquei com uma boa impressão da Rússia nessa primeira viagem. Lindas paisagens com muito verde. Espero voltar no segundo semestre.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cantando Аллилуйя!




Outro dia, aconteceu algo muito, poderia dizer, “engraçado” conosco. Tivemos que rir em silêncio e sozinhos.
Já estamos aqui há quase 6 meses, e ainda não falamos a língua russa ou mesmo a língua ucraniana. O que falamos são algumas palavras e algumas frases em russo. Mas hoje está muito melhor do que quando chegamos.
Quando chegamos à Ucrânia as frases não tinham nenhum sentido e não conseguíamos separar as palavras. Era um som contínuo, totalmente sem sentido. Hoje entendemos palavras e com isso podemos saber sobre que assunto se está falando. Também no metrô conseguimos identificar as estações que são faladas nos alto-falantes. Quando vamos à igreja, conseguimos identificar o assunto. Ainda nos é difícil achar as passagens bíblicas na Bíblia, seja russa ou em português, porque os nomes são totalmente diferentes.
Bíblia em língua russsa

Por exemplo: Genesis é Бытне. Первая кнга Моисеева. (Gênesis. Primeiro livro de Moisés). E Apocalípse, o último livro da Bíblia é Октровение Иоанна Богослова.
Como eu disse a ordem também é diferente. Por exemplo:
O Novo Testamento começa igual: Mateus (Матфея), Marcos (Марка), Lucas (Луки), João (Иоанна), Atos (Деяниа святых Апостолов)… mas aí a coisa já muda, pois a seguir vem: Tiago (Иакова), I e II Pedro (Петра), e as epístolas em ordem diferente, e lá no finalzinho, o Apocalipse.
No Ano Novo ganhei um Novo Testamento em russo, dei uma olhadinha, mas é muito difícil para nós ainda. Agora comprei uma Bíblia completa em lingual russa. Algumas palavras já são conhecidas. O problema com a lingual é que as palavras também são declinadas, o que faz com que uma palavra possa ter 7 variantes diferentes. Até os nomes mudam e algumas vezes ficam muito feio para os nossos ouvidos acostumados com os nossos nomes imutáveis. Mas aqui alguns nomes acabam soando femininos (para os brasileiros) dependendo da frase. O meu nome pode se tornar Jonatana, dependendo do lugar em que ele estiver na frase. Complicado esse russo!
Outro dia perguntei pra minha mãe quantos anos demorou pra eu falar. Ela me disse “um ano”. Pensei comigo: “Ainda tenho mais seis meses. E se levar em conta que o Russo é mais difícil, preciso ter alguns meses a mais.” (rsrsrs)
Aqui além de não sabermos a lingual, somos também analfabetos. Sim, porque para ler livros, jornais, calendários, propaganda, somos muito lentos. E às vezes quando conseguimos ler, não conhecemos o significado da palavra e muito menos a pronúncia correta.
No metro existem algumas telas de televisão que ficam passando alguns trechos de programas de TV, propagandas e anúncios, como qual é a estação que parou e qual será a próxima. Dentro da programação tem uma piadinha escrita na tela. Do lado está o desenho de um homem. Ele fica olhando pra vc. E quando a piada acaba, ele dá uma risadinha. No início eu estava lendo a primeira palavra e ele já estava rindo. Agora, muitas vezes eu consigo ler toda a piada. Não entendo nada, mas pelo menos ele ri quando eu já terminei. (Isso também é uma piada!)
Mas, voltemos à igreja.
Nos cultos eles usam um projetor de video que projeta a letra dos hinos que vão ser cantados. A gente vai enrolando. Se colocarem um gravador para captar somente a nossa voz, será um desastre. Mas no meio da multidão, vamos cantando. Quando o hino é conhecido, fica um pouco mais fácil.

No dia 1 de maio, o hino era um desses conhecidos. Aliás conhecido demais. Estava cantando (ou tentando ler e cantar) e a parte mais fácil era o coro, ou quando aquela palavra se repetia Аллилуйя. Como essa era uma palavra que se repetia muito, foi ficando cada vez mais fácil cantá-la. E claro, quando chegava nessa palavra, a gente enchia o peito e cantava pra valer. Nos outros pedaços era aquela coisa de “hum, hum, hum, hum….”
O nome do hino é Всë, сотворëнное Творцом.
Notem a primeira estrofe:

Всë, сотворенное Творцом,
Пой с ликованьем,
С торжеством – Аллилуйя! Аллилуйя!
Солнца горячие лучи,
Месяц, сияющий в ночи,

Славьте Бога! Славьте Бога!
Аллилуйя! Аллилуйя! Аллилуйя!

Após cantarmos a primeira estrofe, a Priscila, minha esposa, disse: «Estamos parecendo o Mr. Bean.»
Dali em diante era dífícil cantar e não sorrir, mas também éra difícil não cantar ainda mais forte o Аллилуйя! Аллилуйя! (Aleluia, aleluia...) (rsrsrs).
Em nosso Hinário Adventista é o hino de número 15, «Vós, Criaturas do Senhor»

Vós, criaturas do Senhor,
Oh, elevai a Deus louvor!
Oh, louvai-O! Aleluia!
Tu, Sol dourado a refulgir;
Tu, Lua em prata a reluzir!
Oh, louvai-O! Oh, louvai-O!
Aleluia! Aleluia! Aleluia
Ó Terra e Céu, a Deus honrai;
Preito de amor e graças dai!
Oh, louvai-O! Aleluia!
Flores, erguei-vos em canção 
Ao grande Deus da criação!
Oh, louvai-O! Oh, louvai-O!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Vós, homens sábios e de bem,
Dai ao Senhor louvor também!
Oh, louvai-O! Aleluia!
Dai glória ao Filho, glória ao Pai,
E ao Santo Espírito louvai!
Oh, louvai-O! Oh, louvai-O!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Depois conversamos e rimos muito de nosso «momento Mr. Bean».
Se você ainda não assistiu esse episódio do Mr. Bean na igreja, dê uma olhada. Apenas coloque eu e a Priscila na mesma situação (com exceção das balinhas e das caretas – rsrsrs).